ideias aleatórias

O usuário tem o poder

Jeronimo Molina

Administrador com MBA em Marketing e Vendas. Atua como professor nos cursos de Administração e Marketing. Ativista político e colunista do Jornal Sete.

Barco que todos estamos

Vivemos em um mar de divisões nos cegando da verdade que estamos todos juntos naufragando.


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Há nos últimos dias um embate nas redes sociais entre quem tem mais razão: quem vai fazer greve e quem não vai. Neste embate pouco profícuo -visto que ambos os lados já tem seu pensamento consolidado- surgem expressões como “quem irá fazer greve é vagabundo” ou “quem concordar com a reforma da CLT não é pobre”. Como sempre nenhum dos lados tem razão total em argumentos desse tipo.

Durante muito tempo vivemos tempos melhores em nosso país, graças as políticas econômicas e sociais que foram implementadas. Conseguimos conquistar um patamar invejável na América Latina. Quem poderia imaginar que nosso Brasil seria matéria de capa na The Economist como um exemplo a ser seguido? Estávamos navegando em águas tranquilas, graças as reformas econômicas necessárias implementadas nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva, algo que não se pode negar. Foi então que veio a turbulência.

Com a crise econômica internacional ocorrida em 2008 nosso planejamento macroeconômico foi para o espaço, e o mar tranquilo se tornou agitado. Por sorte as águas vindas do turbulento mercado norte-americano para cá não estavam tão bravas assim, dessa forma conseguimos organizar a casa de maneira ágil e rápida, mas da forma errada. Utilizando reservas públicas conseguidas nos anos anteriores o governo Lula injetou no mercado financeiro uma enxurrada de dinheiro. A prática foi realizada de forma semelhante em outros países, só que lá fora o local injetado foi diferente. No Brasil houve injeção de recursos para o consumo e lá fora para o investimento.

Sendo assim o primeiro (consumo) tem um efeito positivo imediato, evitando uma recessão por meio de aquisição de bens. Com a compra de novos bens se produz mais, se produz mais precisa-se de mais pessoas, com isso evita o desemprego. Lá fora foi realizado investimento em aumento da capacidade produtiva, assim as pessoas consumiam mais porque havia mais produtos no mercado, a famosa lei da oferta e da procura. Tudo estava indo bem no Brasil até que surgiu o ministro da Fazenda Guido Mantega.

Com uma proposta sem pé nem cabeça ele inverteu a lógica na economia nacional, retirando o tripé macroeconômico imposto até então por uma salada de princípios que não se via desde os tempos de Keynes. Em outras palavras: Mantega seguiu a risca a cartilha do economista norte-americano John Maynard Keynes, no qual o estado deveria participar ativamente da economia como regulador de mercado, evitando assim uma crise mais profunda.

Logicamente deu tudo errado. Com excesso no gasto público devido a concessão de financiamentos a grandes empresas aliado com a diminuição no crédito graças a enxurrada ocorrida anos antes entramos em um período de recessão. Mesmo tendo sido profetizado por diversos economistas, dentre eles Eduardo Giannetti, que entraríamos nas piores crises da redemocratização, ninguém na época dava muito importância. Estávamos mais preocupados com a polarização política em torno das candidaturas de Dilma Rousseff (PT/RS) e Aécio Neves (PSDB/MG).

A campanha não foi uma “festa da democracia” como anunciava a Justiça Eleitoral na época, foi mais uma briga de desafetos. As atitudes dos dois maiores candidatos ficaram mais evidentes quando foram para o segundo turno, tornando assim a campanha eleitoral mais um suplício do que mesmo uma campanha. Essas atitudes de dicotomia acabou tornando nosso país dividido entre “vermelhos” e “azuis” semelhantes a torcidas de futebol - muita paixão e pouca razão.

O ápice da divisão ocorreu com o impeachment de Dilma Rousseff, tendo como estopim os protestos sem agenda de 2013 e culminando com a crise econômica de 2015. Marca desse momento foi em frente ao Congresso Nacional uma barricada para separar grupos favoráveis e contrários a presidente. Poderiam ser até comparados a torcidas de futebol, se não fossem piores. O país se tornou uma arena onde as discussões políticas não são colocadas ao campo das ideias mas sim ao campo dos princípios. Existem grupos que tomaram para si princípios de políticos sem trânsito entre seus pares, outros defendem com unhas e dentes políticos que roubaram milhões e tem ainda aqueles que acreditam em teorias advindas de think-tanks de origem duvidosa.

Chegamos no mês de abril de 2017 com pautas espinhosas, quem podem ser ou não fundamentais, mas ainda divididos. Estamos separados por nossas convicções políticas, que antes eram motivo de discussões comuns em mesas de bar, e se tornaram calorosos debates entre pessoas de uma mesma família. Estamos separados. Estamos divididos.

Entretanto, enquanto estivermos separados em nossas convicções, agindo como um sacerdote a repetir um mantra com a finalidade de converter alguém -nem que seja a força- outros se esbanjam nas mesas do poder, no meio das negociatas. Enquanto políticos de senso crítico querem ver o Brasil andar para frente e não para os lados como um caranguejo, ficamos nós discutindo qual partido tem mais processos criminais.

Motivos para manifestar-se há de sobra: corrupção, lavagem de dinheiro, desmando, desgoverno. Não existem cores em manifestações, greves e protestos. Estes não são formados pela burguesia com a barriga cheia de caviar e muito menos pelo vagabundo que tem a intenção de ampliar o feriado. Felizmente não. Estes são formados por pessoas, que assim como foram as ruas pedir impeachment, foram as ruas pedir Diretas Já, foram as ruas pedir justiça e vão as ruas constantemente exigir dos políticos mais respeito e dignidade.

Sejam empresários, empregados, médicos, professores, policiais, estudantes, enfermeiros, aposentados, políticos ou seu amigo, todos moramos no Brasil. Não existe aqui “vermelhos” ou “amarelos”. Se um perde todos perdem, se um ganha todos ganham. Porque somos, antes de tudo, um só Povo. Somos todos brasileiros.


Jeronimo Molina

Administrador com MBA em Marketing e Vendas. Atua como professor nos cursos de Administração e Marketing. Ativista político e colunista do Jornal Sete..
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