identidade cinematográfica

Se descubra em cada filme

Victor Martins

Estudante de jornalismo, curioso e com vontade de ser critico de cinema. Cinema é uma paixão que fez eu me descobrir como pessoa. Também posto textos no assimfalouvictor.

Quatro filmes nacionais lançados em 2016 e extremamente necessários

O ano de 2016 não foi muito bom na grande maioria dos ambientes, tivemos grandes perdas na música, além de grandes conturbações politicas. Apesar de algumas inquietações no mundo do cinema, este nos proporcionou grandes filmes, principalmente se tratando de cinema nacional, mas quais foram estes e que reflexões eles trouxeram para a sociedade de uma forma geral?


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O ano de 2016 foi um ano rico em lançamentos no cinema nacional, teve de tudo, e principalmente, as obras quebraram estereótipos e criaram reflexões necessárias sobre a sociedade. Escrevo sobre quatro filmes que merecem destaque nestes aspectos citados, nenhum deles está em ordem de preferencia, todos são incríveis e merecem atenção do público.

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Curumim

Documentário que conta a historia de Marco Archer, brasileiro, que foi preso por tráfico de drogas na Indonésia e condenado a pena de morte. É um filme que aborda não a historia do primeiro brasileiro condenado a pena capital, mas, que mostra a historia da pessoa que era Marco Archer, o atleta de esportes de verão, o homem com relações familiares conturbadas e principalmente o amigo, o rapaz que marcou a vida de várias pessoas, independente do lugar por onde passou.

Ainda, o documentário, dirigido por Marcos Prado, expõe como os condenados a pena de morte sofrem e os transtornos psicológicos gerados por esta, como por exemplo, depressão e ansiedade. Além de deixar uma reflexão pertinente para a sociedade em que vivemos, ser a favor da pena da morte é correto? Todo mundo comete erros, e todos, mais cedo ou mais tarde pagaremos por eles, mas, pagar com a própria vida é certo? Recentemente, foi divulgada uma pesquisa que apresenta um dado que diz que 57% dos brasileiros acham que “Bandido bom é bandido morto”, ou seja, 6 em cada 10 brasileiros. Um filme como “Curumim” mostra justamente o efeito da pena de morte nos condenados, e, se colocar no lugar do outro, pode (e deve) ser a mudança de olhar para termos uma pesquisa menos assustadora no futuro.

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Mate-me Por Favor

Um filme de suspense, que conta a história de uma série de assassinatos de jovens mulheres, os corpos são deixados em um terreno baldio, pelo qual Bia (Valentina Herszage) e suas colegas de escola passam para voltarem para casa.

Dirigido por Anita Rocha da Silveira, o filme quebra um estereótipo da indústria cinematográfica do gênero suspense e terror que merece um destaque absurdo, na obra, as vítimas não são apenas pessoas que deixaram de ser puras e íntegras de acordo com uma sociedade sexista que vivemos, já que este tipo de pessoa eram as únicas vítimas dos filmes clássicos de terror dos anos 70 e 80. Usando a cor para mostrar a vontade do jovem de ser independente e o olhar deste em relação a vida, o filme conta com um elenco muito bom, e uma atuação excelente de Valentina Herszage, atuação que, ao meu ver, é uma das melhores neste ano.

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Era o Hotel Cambridge

Uma ficção documental, que mostra uma história que, se dependesse dos veículos midiáticos, ninguém conheceria que é a da Ocupação Cambridge, que fica localizada no centro da cidade de São Paulo, que em seus quinze andares abrigam mais de cento e setenta famílias e por volta de quinhentas pessoas.

O filme, dirigido por Eliane Caffé, conta a rotina das pessoas que vivem ali, rotinas que contam com risadas, tristezas e principalmente luta, luta não apenas a dos protestos e ajuda a outras ocupações existentes em São Paulo, mas também aquela luta por educação e cultura, que hoje em dia são tão importantes e são tão mal difundidas pelo sistema. Com elegância e fluidez entre as cenas, a obra, mostra também o ponto de vista dos refugiados que ali vivem sobre o Brasil, este ponto, deve ser exemplo para nós brasileiros, que tanto reclamamos do nosso país. Com uma obra que mostra como a empatia e a cultura são necessárias para viver, “Era o Hotel Cambridge” é didático e se faz necessário em tempos de luta social, como são esses que vivemos atualmente.

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Aquarius

Continuando a falar de luta social, um filme que aborda um ponto contrário ao citado na obra acima é “Aquarius”, que conta uma história que consegue ser comovente, inspiradora, elegante e tecnicamente perfeita, tudo isso ao mesmo tempo, claro.

O filme de Kleber Mendonça Filho, conta a história de Clara, interpretada por Sônia Braga, que vive em um apartamento na praia de Boa Viagem, no edifício Aquarius. Este edifício, está para ser demolido para a construção de um shopping center, porém Clara continua a morar no seu apartamento e trava uma briga com a construtora responsável pelo shopping. Mostrando como o passado não pode ser esquecido, a obra mostra como a mulher luta, não apenas pelo direito de morar em um apartamento que é seu, mas, pela vida, vemos alguém que não apenas quer viver, mas gosta de viver, que gosta e difunde a cultura, e que valoriza as pessoas ao seu redor.

Tecnicamente perfeito, Aquarius se torna uma metáfora do momento político que o Brasil vive hoje, uma mulher lutando pelos seus direitos, a mulher representando nós, o povo, lutando contra um sistema que criou um impeachment, e lutando contra as medidas provisórias e PECs que estão sendo aprovadas. Aquarius, que infelizmente não foi a disputa para ser um dos finalistas ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, ganhou prêmios em vários festivais que aconteceram em diversas partes do mundo, como por exemplo, nos festivais de Sydney, Amsterdam e Jerusalém, além disso, o filme foi aplaudido de pé no Festival de Cannes, tendo sido indicado para as categorias Melhor Filme e Melhor Atriz para Sônia Braga, esta, que fez a melhor atuação de sua já bem sucedida carreira em Aquarius.

Ou seja, vemos filmes aqui de todo tipo, e todas estas obras têm algo em comum, a mensagem representativa e as reflexões brilhantes que transmitem ao público. Estas obras merecem ser assistidas e discutidas por todos.


Victor Martins

Estudante de jornalismo, curioso e com vontade de ser critico de cinema. Cinema é uma paixão que fez eu me descobrir como pessoa. Também posto textos no assimfalouvictor..
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