imagens e palavras

REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

TASESEX

quando a vida vira a página
eu me viro
em direção ao sol
e procuro um dia em que a luz
será mais luz
em que o sonho será meu sonho
sem miséria, sofrimento tamanho
me viro e vejo
a página que virei de novo.


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POESIA CONFESSA

Sou a palavra impetuosa a palavra que sente e canta, sussurra as maravilhas da dor quando o coração bate ligeiro no descompasso da fala. Sou quem não pensa em espaço tão somente sente... o horror fétido das prisões, dos asilos desde o perfume da flor que insiste. Sou a aurora e o ocaso não quero o bem nem quero o mal. Pulso vida por todos os poros. OLHA

se você ama o cheiro pega com carinho um trecho dos meus olhos e segue cada piscada na retina bem iluminada me beija um infinito sem palavras.

  MELANCOLIA

Ela vem devagar na espreita quando eu viajo em imagens com cheiro de jasmim e los recuerdos são tão intensos paralisantes... ela me chega com avisos de morte de secar a boca e afligir as pernas. Melancolia rainha de todas as dores de ausências vivas e gritos reprimidos ela me conta tudo. De novo. até tombar-me lenta quase letal sobre meus pés. Choro.

  SUSSURROS

no meio de rua soluçou e seu soluço já não era sonho sussurros de aves sombrias não era só o cinza eram as cores que brotavam... do momento calado. sussurros de risos onde o coração sozinho sussurrava filosofias desmanchadas o terror do dia a dia trazia a agonia o dedo na boca que já não sorria nem mais um dia.

ANGÚSTIA

de nada saber do ramo, da flor, meu espírito se abre na claridade e se desfaz no colorido morango. visto-me de branco arranho o rosto e me acordo das dores corro louca e nua pelo corredor da rua que desconheço.

PÁGINA

quando a vida vira a página eu me viro em direção ao sol e procuro um dia em que a luz será mais luz em que o sonho será meu sonho sem miséria, sofrimento tamanho me viro e vejo a página que virei de novo.  

FOME

fecho os olhos rentes o velho secou sem dente. a primeira lua sem adeus partiu sua alma. não morria porque não era agora. o velho se mexeu devagar seus ossos doíam o quarto e o gato lhe preenchiam só faltava alguém pra matar a fomeDSC00811.JPG


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