imagens e palavras

REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

OLHOS NEGROS

Quem viu o mundo com os olhos do seu amante? Quem, me diga logo, agora, não cruzou ruas e avenidas atrás de seu desejo impotente de ser loucamente abraçado pelo ser amado e sem hora, nem amanhã, amanhecer quente junto àquela pessoa de olhos negros? Derramar-se é de uma entrega invisível e bela. A vida a pulsar entre olhos, entre mentes. Vida em plenitude. A ponte que se ergue no êxtase de amar.


maxresdefault[1].jpg Valeu por um tempo não mais que a ilusão. Congelou-se a nossa fotografia seus braços viris minha boca torta palavras sutis pernas bocas barriga peito vagina bunda tudo do lado direito fotografia congelada por tanta vida passada fotografia a grafia de quem se ilude de paixão e quando ao correr um dia não sente amarrada recordação de todo um verão.

VIVA A SAUDADE viva a cada instante a poeira o feio a dor. viva o amor. viva sem arrepios o seu grande tesão a flor enroscada no vão da escada o latido cão o gato que é pulo miau e te leva ao espiritual lamento viva a saudade dos mortos que ficarão com você viva a vontade de saber entre linhas e tréguas o impermanente estado arte de viver finito invencível sono hasta o paraíso viva hoje ombro nu frio esporrento solidão do rebento. viva o agora mas, sempre viva nem que que seja nas entrelinhas do pensamento.

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Estarrecida sobre meu corpo ouço sua voz interlocutar-me como o sopro do vento a árvore que fecunda o coração que se abre à separação lua no mar sem imagens iludidas mas muita chama apoio e alegria. dentro de mim se esborracham ventre e língua imóveis ao tempo dono e a voz que ouço tem movimento cor e coragem. O momento é todo seu nossa despedida não e sim é semelhante à natureza este momento se transforma no silêncio da morte.

A semente se planta assim; você deixa claro no meio do solo o lugar onde o amor molha devagar segue a muda inunda os olhos de rara beleza com o tempo paciência e cuidado tu vês tua planta crescer tão somente pelas tuas mãos e a força da terra fértil. por que matam, meu deus?

  OLHOS DE AZEITONA

sempre os tinha perto atentos ouvintes sem ter o que sem ter pra que nesses olhos eu me nutria desses olhos eu morria a escada esticada e pronta. nesses olhos eu vivi each single moment perto assim infinitas piscadas um riso agitado anulando toda ausência pois que preenchiiam a eternidade neste momento o universo adverso me fechou seus olhos de azeitona me deixou seu sabor. mas, me levou sua alma.

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