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REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

MR JONES- UMA VISÃO HUMANA SOBRE A BIPOLARIDADE

Extraordinária visão da bipolaridade, filmado por Mike Figgis em 1993, este filme mostra o drama de um estigma na vida de um homem com distúrbio bipolar que somente se aceita quando é amado e consegue amar, sem medo de rejeição ou de culpa.


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O filme dirigido por Mike Figgis, em 1993, trata do Distúrbio Bipolar através da historia de Jones( Richard Gere) um homem de 35 anos, que é internado num Hospital Psiquiátrico após subir no telhado de uma construção e fazer menção de que iria voar. De inicio Jones é diagnosticado com esquizofrenia paranoica, mas após conversa com a Drª Elizabeth Bowen, interpretada por Lena Olin, é diagnosticado que ele possui Psicose maníaco-depressivo (Transtorno Bipolar), podendo apresentar sintomas de distração, redução da necessidade de sono, capacidade de discernimento diminuída, gastos excessivos, hiperatividade, aumento de energia entre outros sintomas.

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Sempre muito envolvente, desloca-se até um Banco para fazer um saque, mas facilmente consegue conquistar a caixa que o atende, saindo com ela para curtir e gastar todo seu dinheiro. Durante essa curtição, sofre outra crise, na qual sobe ao palco no meio de uma apresentação de uma orquestra para reger uma sinfonia de Beethoven e, novamente, é internado, mas rejeita a medicação e o tratamento por acreditar que não está doente. Após começar a ser tratado pela Drª Elizabeth, Jones passa pela sua fase mais depressiva, apresentando-se sujo e mal vestido. Jones é solitário, passou toda a vida sendo internado em hospitais psiquiátricos sem curar-se. Sua dor é maior do que os sintomas da doença. ele sente-se cansado e cético em relação à sua pessoa. Só um filme com tal sensibilidade, pode mostrar às famílias a necessidade de amor. Sem dúvida, ainda há estigmas que não são apontados publicamente por preconceito e hipocrisia.

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Jones tem momentos de euforia que o fazem sentir-se um rei. Mas, quando entra o lado depressivo, ele chora como uma criança. A psicoterapia é levada com profundidade pela Dra Bowen até ele ceder a internação e apresentar algumas melhoras na convivência com outros doentes. Contudo, na trama, a doutora se apaixona pelo paciente e têm uma noite de amor. A situação é grave e Dra Bowen em conversa com o diretor do hospital, resolve se afastar de Jones e ele é enviado para outro sanatório do qual foge. Sente-se traído por ela ter investigado seu passado. e volta às ruas, fazendo baderna e querendo voar. O filme abre uma visão humana sobre a doença mental,mostrando que é possível e necessário mudar a relação que se tem com os deprimidos, bipolares e outros psicóticos. O que mais sensibiliza é o toque, a falta de carinho, a consciência da dor e sua verdade ao longo da vida. O filme dá um recado às famílias que excluem seus doentes. a solidão de Jones é consequência do abandono e da incompreensão desde sua infância. Somente quando se mexe na ferida com amor, pode-se libertar o psicótico de seu imenso sofrimento. A Dra Bowen pede demissão e tem-se um final emocionante do encontro entre um homem e uma mulher que decidiram encarar suas vidas e tocar em frente seu amor.

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