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REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO

A Ultima Tentação de Cristo (1998, Matin Scorcese)retrata a vida de Jesus Cristo e a sua luta contra várias formas de tentação, incluindo medo, dúvida, depressão, relutância e luxúria e faz uma leitura própria da vida de Cristo.


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A Última Tentação de Cristo ( The Last Temptation of Christ) é um filme norte-americano de 1988, do gênero drama, dirigido por Martin Scorsese e com roteiro de Paul Schrader. É baseado no romance homônimo de Níkos Kazantzákis, publicado em 1951. Tem Willem Dafoe como Jesus Cristo, Harvey Keitel como Judas Iscariotes, Barbara Hershey como Maria Madalena, David Bowie como Pôncio Pilatos, e Harry Dean Stanton como Paulo. O filme retrata a vida de Jesus Cristo e a sua luta contra várias formas de tentação, incluindo medo, dúvida, depressão, relutância e luxúria. Isso é retratado no livro e no filme com Cristo imaginando-se envolvido em atividades sexuais, uma ideia que provocou a indignação de alguns cristãos. O filme inclui um aviso explicando que se afasta da interpretação bíblica e não se baseia nos Evangelhos. Vemos Cristo se casar com Maria Madalena, ter filhos e envelhecer como um homem qualquer. Ele é feliz ante sua nova condição: de fato, nunca quis mais do que aquilo que passou a ter desde que, seduzido por um belo anjo, fugiu do sacrifício ao qual estivera destinado.

Jesus (Willem Dafoe) é um carpinteiro que vive um grande dilema, pois é quem faz as cruzes com as quais os romanos crucificam seus oponentes. Resumindo, Jesus se sente como um judeu que mata judeus. Vivendo um terrível conflito interior ele decide ir para o deserto, mas antes pede perdão a Maria Madalena (Barbara Hershey), que se comporta como uma como uma mulher que quer sentir um homem ao seu lado.

Ao retornar, Jesus volta convencido de que é o filho de Deus e logo salva Maria Madalena de ser apedrejada e morta. Então reúne doze discípulos à sua volta e prega o amor, mas seus ensinamentos são encarados como algo ameaçador, então é preso e condenado a morrer na cruz. Já crucificado, é tentado a imaginar como teria sido sua vida se fosse uma pessoa comum.

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Como o romance, o filme retrata a vida de Jesus Cristo e a sua luta contra várias formas de tentação, incluindo medo, dúvida, depressão, relutância e luxúria. Isso é retratado no livro e no filme com Cristo imaginando-se envolvido em atividades sexuais, uma ideia que provocou a mooral crustão. O filme se afasta da interpretação bíblica comumente aceita da vida de Jesus, e não se baseia nos Evangelhos. A partir de então o filme adentra o terreno do que o constitui em sua razão de ser: a própria última tentação de Cristo. Vemos Cristo se casar com Maria Madalena, ter filhos e envelhecer como um homem qualquer. O vemos exultante ante sua nova condição: de fato, jamais ambicionara nada mais do que aquilo que passou a ter desde que, seduzido por um belo anjo, fugiu do sacrifício ao qual estivera destinado.

Quando, à beira de uma serena morte como um homem comum, descobrindo-se vitima de um ardil de Satanás, Cristo decide, uma vez mais, se por à disposição daquele de quem estivera fugindo durante todo o tempo. Velho e debilitado, o ex-Messias rasteja por entre os escombros de uma Jerusalém sitiada pelos romanos implorando o perdão de Deus. Em questão de meros instantes, Cristo novamente se vê crucificado. Novamente tendo de enfrentar o mesmo sacrifício do qual houvera fugido antes. Mas, desta vez, o vemos, irresoluto, decidido a enfrenta-lo. O filme é polêmico por mostrar um outro lado de Jesus: o lado humano.

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