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REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

ENSINA-ME A VIVER

Harold and Maude (em Portugal e no Brasil: Ensina-me a Viver) é um filme estadunidense de drama e romance de 1971 dirigido por Hal Ashby, com roteiro de Colin Higgins e distribuído pela Paramount Pictures. Estrelando Ruth Gordon e Bud Cort, o filme tem em seu enredo elementos de drama existencialista misturado com humor negro. A trama se desenvolve em torno dos dilemas do jovem Harold (Bud Cort), que simula diversas vezes a sua própria morte. Harold, que vivia com a mãe separada (Vivian Pickles), a qual tenta encaminhá-lo um casamento, sai de casa e começa um relacionamento com um mulher de 79 anos, Maude (Ruth Gordon).


HaroldMaude_10.jpg Harold Chasen (Bud Cort) é um jovem obcecado pela morte. Ele regularmente executa falsos suicídios e visita funerais. Harold dirige um carro fúnebre, para o desgosto de sua mãe, a rica Sra. Chasen (Vivian Pickles). Em um funeral de um total desconhecido, Harold conhece Maude (Ruth Gordon), uma mulher de 79 anos que compartilha com Harold o costume de visitar essas cerimônias. Ele fica encantado com a visão peculiar que Maude tem da vida. Maude vê beleza em todas as coisas e é excessivamente despreocupada, em contraste com a morbidade de Harold. Ambos formam um vínculo imediato, e Maude mostra a Harold os prazeres da arte e da música e o ensina como aproveitar ao máximo seu tempo na Terra. Enquanto isso, a mãe de Harold determina, contra a vontade do filho, que ele deve encontrar uma mulher para ter um relacionamento estável. Uma a uma, Harold assusta e aterroriza suas pretendentes, praticando atos de autoimolação,automutilação e seppuku.

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Harold conta a Maude como ele já "morrera algumas vezes". Ele descreve um acidente que sofrera na escola, quando misturava elementos químicos no laboratório. Houve uma explosão, incêndio e desabamento mas Harold conseguiu escapar com vida e voltar para casa. Enquanto estava em seu quarto, viu quando dois policiais contaram a sua mãe sobre o incêndio e que ele havia morrido. A mulher desmaia e cai nos braços dos policiais. Nessa parte, Harold chora e entre lágrimas diz que "decidiu que estava melhor morto. Durante o filme, Harold aparece morto cerca de oito vezes :Enforcado na cena de abertura: Harold se pendura numa corda enquanto sua mãe fala ao telefone. Ela o repreende e continua a conversação. Degolado: Sua mãe o encontra com a garganta cortada no banheiro, com sangue espalhado por toda a parede e espelhos. Ela se irrita e o manda para o psiquiatra. Afogado na piscina: Harold flutua com o rosto virado para a água, vestido, e não se move enquanto sua mãe passa nadando por ele. A câmera o mostra por baixo e não se notam aparelhos para respiração. Tiro na cabeça: Enquanto sua mãe preenche um questionário para um serviço de encontros (respondendo de acordo com suas próprias preferências e não as do rapaz), Harold aponta um revólver para ela. Como a mãe não o nota, ele vira a arma contra a própria cabeça e atira. Sua mãe apenas diz "Harold!Por favor!" e continua com o questionário. Fogo: Durante o primeiro encontro, Harold coloca fogo em si mesmo enquanto a garota o vê aterrorizada pela janela. Mão cortada: A segunda garota fica assustada quando Harold pega uma machadinha e corta o que seria sua própria mão, obviamente falsa. Sua mãe tenta mandá-lo para o Exército. Seppuku: Quando conhece a terceira garota, Harold pega um punhal cerimonial e simula um suicídio ritual samurai. A garota, que era atriz, percebe a encenação e recita uma linha de Romeu e Julieta, interpretando um suicídio com o punhal e sujando Harold com o sangue da mão dela, que cortara para testar a mola da falsa arma. Enquanto ela está caída e Harold olha para ela sujo de sangue, sua mãe entra na sala e declara indignada "Harold! Essa foi a última garota!". Carro: Abalado com a morte de Maude, Harold dirige seu carro até um precipício em alta velocidade. O carro se destroça com a queda, mas Harold não estava mais nele.

harold maude.jpg Ensina-me a viver, em sua beleza singular, mostra o impulso de morte, representado em Tanatos presente no psiquismo de Harold ser gradativamente transformado através de sua relação com Maude onde reside Eros, e o desejo de amar e viver em sua plenitude.

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