imagens e palavras

REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

PIERROT LE FOU

O maravilhoso e ousado filme de Jean Luc Godard, Pierrot le Fou, feito em 1965, é o mais forte representante da liberdade e da ruptura com os velhos costumes na vida e na tela.


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O filme Pierrot le Fou dirigido por Jean Luc Godard em 1965 é um representante da "nouvelle vague", movimento de vanguarda do cinema francês caracterizado pela quebra da narrativa, a crítica à burguesia e ao estilo novelesco de fazer filmes. Godard também cria uma linguagem pop dentro do filme, com quebras propositais onde se vê cores fortes e palavras soltas nos cortes. Há também um fio condutor que beira a poesia e a loucura no amor descomprometido de Marianne ( Anna Karina) e Ferdinand Grffon ( Jean Paul Belmondo). Ele, um burguês decadente e ladrão sequestra Marianne, ex babá de seus filhos e fogem daquela vida regrada para a estrada. Tudo o que desejam é uma licença para viver. Ao mesmo tempo são carinhosos e divertidos. Matam os símbolos e não se importam com o que venha a acontecer. É o embrião do road movie que viria a aparecer alguns anos depois em 1970.

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A história traz muitas referências cinéfilas, como a de James Bond com incêndios de carros, perseguição, fugas monumentais, sempre com a intenção de mostrar a bobagem da indústria cinematográfica. Ferdinand, a quem Marianne chama de Pierrot, representa mesmo o palhaço triste que precisa explicar o mundo, usar muitas palavras para preencher os silêncios. Ela é puro sentimento e leveza. O não convencionalismo de Pierrot Le Fou dá vida à arte de vanguarda simbolizando a necessidade visceral do diretor de romper com a tradição, o comportamento e as regras sociais que tudo impõem em nome de nada. O filme nos fala de ruptura e tradição e de como o que está antiquado precisa mudar. Um filme excêntrico que se preocupa com a existência e o que fazemos dela enquanto vivos. Depois de sua aventura com Marianne, com cenas exóticas na praia do Mediterâneo, Pierrot/Ferdinand decide morrer, explodindo-se amarrado a uma bomba que fecha o filme, nos avisando que sem liberdade e coragem, a saída será a explosão do si mesmo e com ele, o fim do possível amor romântico.

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