imagens e palavras

REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

A MULHER: A FORÇA QUE NOS ALERTA

A mulher está emergindo com ousadia e seu inconsciente está presente em sua palavra, seu texto, sua voz para o universo que representa força, luta e amor.


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Ser reconhecida e conquistar direito não é nada fácil para a mulher que quase sempre é incluída entre as minorias. Tem sido tema central a questão da igualdade e de direitos para ambos os sexos no século XX, o reconhecimento da extensão dessas diferenças e desigualdades é de suma importância. Situar a questão de gênero dentro da realidade para encontrar padrões para uma futura integração. Muraro (2002) aponta para algumas diferenças de características no aspecto mais geral entre ambos os sexos: no homem ele projeta, emite e exterioriza já na mulher ela, acolhe, recebe e interioriza. Falar de gênero é falar de um lugar e de um modo de ser biopsicossocial. O desafio é entender, analisar, fazer com que venha emergir os conflitos para uma intervenção. Homem e mulher juntos, seja matriarcado ou patriarcado, tirando o melhor a vida. A inquisição foi implacável com qualquer uma que manifestasse contra os dogmas da igreja.

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Vivemos em uma época de mudanças em que os modelos patriarcais dominantes estão sendo abandonados, frente às conquistas e mudanças. Percorrer o desenvolvimento da psique depois de longos milênios com valores introjetados como naturais, podem contribuir para uma melhor compreensão do feminino. É na busca por compreender esse nível de complexidade que a psique alcançou e como foi afetada, que entra a contribuição da psicologia analítica, psicologia de Carl Gustav Jung, com os conceitos de anima e animus, persona, consciente e inconsciente para acompanhar a mulher desde o Paraíso das delícias da onde foi expulsa até os nossos dias. A mulher na busca por sua integração no processo de individuação.

O conteúdo psíquico de natureza masculina da psique da mulher que aparece no inconsciente feminino é o animus. Seu oposto, a anima, é o arquétipo compensador da psique e simboliza a estrutura psicológica inconsciente da psique no homem. O fator determinante das projeções da anima, isto é, o inconsciente representado pela anima, onde quer que se manifeste: nos sonhos nas visões e fantasias, aparece personificado, mostrando-se deste modo que o fator subjacente a ele, possui todas as qualidades características de um ser feminino. Não se trata de uma invenção da consciência. É uma produção espontânea do inconsciente. Também não se trata de uma figura substitutiva da mãe, pelo contrário: temos a impressão de que as qualidades numinosas que tornam a imagem materna tão poderosa originam-se do arquétipo coletivo da anima que emerge de novo em cada criança do sexo masculino.( JUNG 1976, p.11).

A natureza feminina transborda em carinhos, enquanto o animus surge como um juízo e a busca incessante nas lutas contra o rei/ nas discussões com Deus. Tanto o arquétipo do animus como o arquétipo da anima são mediadores entre o consciente e o inconsciente; quando se personificam em fantasias e visões, oferecem oportunidade de compreender qualquer coisa que estava até então inconsciente. A anima encarna valores espirituais pelo que a sua imagem é projetada não só em deusas pagãs mas até na própria Virgem; surge repetidas vezes no mito da deusa, musa inspiradora e/ou Medium como na canção “Beatriz” de Chico Buarque(1982). “Olha, será que ela é moça Será que ela é triste Será que é o contrário Será que é pintura

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Há uma imagem coletiva da mulher no inconsciente do homem, com o auxílio da qual ele pode compreender a natureza da mulher. Esta imagem herdada é a terceira fonte importante da feminilidade da alma (JUNG, 1916: 66). “O homem que não atravessa o inferno de suas paixões, também não as supera. Elas se mudam para a casa vizinha e poderão atear fogo que atingirá sua casa sem que ele perceba.” (JUNG, 1916: 85)


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