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REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

OS GUARDA CHUVAS DO AMOR

A jovem Geneviève ( Catherine Deneuve), com 17 anos se apaixona pelo mecânico Guy que tem que ir para o exército para lutar pela França por tempo indeterminado. Ela descobre que está gravida dele e fica na dúvida se espera ou não por ele, ao mesmo tempo sua mãe tenta convencê-la a se casar com Roland, um homem rico que está apaixonado por ela e pretende se casar.


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Cherbourg, 1957. Guy Foucher (Nino Castelnuovo) é um jovem de 20 anos, criado pela madrinha e trabalha como mecânico de carros. Ele é apaixonado por Geneviève Emery (Catherine Deneuve), uma adolescente de 17 anos que ajuda sua mãe viúva na loja de guarda-chuvas. Ele é convocado para o serviço militar, mas antes de partir fazem amor e ela engravida. Assim ela tem que escolher entre esperar pelo retorno de Guy ou aceitar uma proposta de casamento de Roland Cassard (Marc Michel), comerciante de diamantes, que se propõe a criar o bebê como se fosse seu.

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Nem toda história de amor é profunda e intensa, mas existem e permanecem intocáveis em nosso inconsciente, seja pela exuberância, seja pela pureza de sentimentos, tão rara atualmente. Esta obra prima de 1964 consegue ir fundo na primeira relação de um casal adolescente que em Cherbourg se apaixonam de modo único, quando os hormônios estão em plena ebulição e nada importa mais no mundo. a paixão guiada pela loucura é então abortada pela viagem de Guy à guerra da Argélia.

A jovem Geneviève ( Catherine Deneuve), com 17 anos se apaixona pelo mecânico Guy que tem que ir para o exército para lutar pela França por tempo indeterminado. Ela descobre que está grávida dele e sofre a dúvida de esperar por sua volta. Pressionada por sua mãe vai aos poucos cedendo à ideia de se casar com Roland, um homem rico apaixonado por ela e pretende se casar e adotar o bebê. Nem toda história de amor é profunda e intensa, mas existem e permanecem intocáveis em nosso inconsciente, seja pela exuberância, seja pela pureza de sentimentos, tão rara atualmente. Esta obra prima de 1964 consegue ir fundo na primeira relação de um casal adolescente que em Cherbourg se apaixonam de modo único, quando os hormônios estão em plena ebulição e nada importa mais no mundo. a paixão guiada pela loucura é então abortada pela viagem de Guy à guerra da Argélia.

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É impressionante assistir um musical não tradicional, feito durante a geração nouvelle vague com música de Michel Legrand e Demy. O filme foge dos clássicos americanos de Hollywood no anos 40 e 50. Os diálogos são cantados e essa nova forma nos leva ao sonho da música enquanto arte nos levando a um clima ainda mais romântico, uma vez que todas as canções são extraordinárias. Torna-se prazeroso a junção da imagem com a música. Sem esquecer a extraordinária fotografia na chuva, a loja de guarda chuvas, os tons diferenciados dos interiores e exteriores. Legrand constrói um ritmo alternativo que repete diferentes canções para sequências diversas. O tema de amor não tem preço. No que concerne uma breve análise da narrativa, tem-se a presença de uma mãe viúva que reprime a bela filha, Geneviêve. Um arquétipo universal, mãe e filha discordarem até que a filha encontre seu desejo e faça sua escolha amorosa.

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Logo, sozinha com a mãe, Geneviêve está grávida, e naturalmente, como toda moça solteira destes anos do século XX vê-se numa situação transgressora que precisa ser corrigida através de um casamento forçado, com um homem rico Assim ela tem que escolher entre esperar pelo retorno de Guy ou aceitar uma proposta de casamento de Roland Cassard (Marc Michel), comerciante de diamantes, que se propõe a criar o bebê como se fosse seu.

Passado um tempo, como é a vida, tudo se transforma. Guy volta deprimido e ao saber que Geneviêve se casara fica violento, passa a beber até ser consolado pela prima que sempre o amara. Decidem casar-se por conveniência. É um dos últimos filmes de uma geração romântica que amava porque amava na sua essência, podendo até morrer por um grande amor. Guy casa com a prima, enriquece com um posto de gasolina e vai levando a vida sem um amor arrebatador.

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Finalmente, em um Natal da vida, Geneviêve, agora mais linda e rica, estaciona o carro para encher o tanque e o flash desse reencontro é tão perfeito como o primeiro encontro do casal. Ela mostra a filha deles. Não se despedem. Olham-se como amantes eternos e o inverno simboliza o fim de um ciclo na vida destes amantes separados pelo preconceito e pela guerra.

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