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REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

MERCADO DE LUXO NA ECONOMIA

Quem quer mercado de luxo? Muitos no planeta almejam status, luxo e aparência através dos produtos de luxo.Veja o que só os ricos possuem.


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O mercado de luxo é um segmento em crescimento na economia mundial que possui grande potencial de crescimento, geração de trabalho e geração de renda. Esse mercado movimenta consideráveis quantias no mundo todo e também aqui no Brasil. Além de atrair profissionais de marketing, dá origem a novos cursos e estudos voltados a esse desigualdades econômicas e sociais o segmento do luxo esteja chamando tanto a mercado, como veremos a seguir. É contraditório que num país com tantas atenção dos profissionais e das pessoas em geral. Os artigos de luxo têm comportamentos particulares no mercado, as estratégias de marketing se diferenciam das regras do marketing de consumo de massa. Nesse segmento, não raramente, é preciso reinventar ou adaptar conceitos. Nesse artigo analisaremos o consumidor de luxo e suas motivações para adquirirem tais bens, o mercado do luxo, o marketing dos artigos de luxo e o poder que as marcas têm.

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Possuir um bem de luxo representa um destaque social, privilégio de uma classe seleta. As empresas de luxo definem sua marca no mercado apresentando produtos realmente diferenciados e de alta qualidade. E é essa boa qualidade, aliada aos preços altos e distribuição exclusiva, o que caracteriza os produtos desse mercado. Os consumidores de artigos de luxo são guiados ou por uma motivação emocional (que se relaciona ao prazer que o objeto de luxo oferece) ou por uma motivação ligada ao status, à distinção social (seja para se identificar com um grupo social, seja para se diferenciar das outras pessoas por possuir um objeto luxuoso). E é dessas motivações que nasce o desejo do consumo. “O luxo ensina lições importantes sobre a criação do desejo - motor da nossa sociedade. O luxo não é pautado pela necessidade básica, mas sim pela noção de prazer. O luxo inaugura a sua própria demanda e é muito hábil em transformar o que antes era considerado sonho numa necessidade. No estágio de consumo em que estamos, onde a qualidade não é mais um diferencial do produto, mas um traço inerente dele, se compete pelo apelo mais original, pela emoção que se desperta nos consumidores - e o luxo é o mestre em seduzir até mesmo quem dizia não precisar dele.” (STEIN, Luciana; http://www.gestaodoluxo.com.br) Danielle Allérès coloca bem essa questão das necessidades e dos desejos dentro do contexto dos artigos de luxo: “...a coexistência das “verdadeiras necessidades”, as mais anteriores, elementares e vitais, satisfeitas por bens de primeira necessidade, e das “falsas necessidades”, que agradam à personalidade profunda e ao imaginário, satisfeitas por bens aparentemente mais inúteis, mais refinados, às vezes supérfluos e mais alta qualidade é a expressão de uma sociedade em crescimento, de elevação do padrão de vida e de melhoria da média do poder de compra. ” (ALLÉRÈS, Danielle) Após a satisfação das necessidades mais primordiais, básicas, de sobrevivência, as pessoas vão em busca da satisfação das necessidades da “alma”, ou seja, procuram objetos que preencham lacunas sociais existentes, que tragam diferenciação e promovam a sua inserção no estrato social.

O mercado do luxo movimenta 220 bilhões de dólares por ano no mundo. A Grife mais poderosa do segmento de luxo é o grupo LVMH: “Líder do mundo do luxo, LVMH Moët Hennessy - Louis Vuitton possui um portfolio original com 50 prestigiosas marcas . O grupo atua em cinco setores diferentes: - Vinhos & Espumantes - Moda & Objetos de Couro - Perfumes & Cosméticos - Relógios & Jóias” Esse grupo, que reúne marcas famosíssimas, como Louis Vuitton, Givenchy, Kenzo, Dior, Donna Karan, Marc Jacobs e Fendi, fatura 12,5 bilhões de dólares por ano. A loja brasileira da grife Louis Vuitton é a terceira em vendas entre as 320 lojas em todo o mundo. No Brasil, esse mercado movimenta 2,3 bilhões de dólares por ano, sendo que São Paulo representa 72% dessa quantia. O crescimento anual do mercado de luxo no país tem sido de 35% nos últimos seis anos, e atinge um seleto grupo de 1,8 milhões de pessoas, o que equivale a 1% da população brasileira. (Fonte: http://veja.abril.com.br/vejasp/especial_luxo) O mercado de luxo no Brasil está em expansão e está começando a se profissionalizar. A FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), localizada em São Paulo, criou o MBA em “Gestão de Luxo”, é o primeiro na América Latina. A instituição quer formar pessoas para servir o segmento e prepara outras iniciativas. “Esse exercício de pensar (e agir) sobre os pequenos e os grandes Luxos - o Luxo como comportamento e o Luxo como empreendimento comercial - é que se propõe a Fundação Álvares Penteado - FAAP” (www.gestaodoluxo.com.br)

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“Marketing é uma atividade humana dirigida para a satisfação das necessidades e desejos, através dos processos de troca” (KOTLER, Philip) Kotler faz uma classificação de bens baseada nos hábitos de compra do consumidor, distinguindo três tipos de bens: bens de conveniência, bens comparáveis e bens de uso especial. Os bens de luxo estão inseridos na classificação de “bens de uso especial” que são: “bens de consumo com características únicas e/ou identificação da marca, para qual um grupo significativo de compradores está habitualmente disposto a fazer um esforço especial de aquisição”. O marketing é importantíssimo para o mercado do luxo. É ele que torna a marca em uma marca de desejo, ele é que a transforma em uma referência de elegância e de sofisticação. Esse é o grande desafio que as empresas do mercado de luxo têm, e quem faz o papel mais importante nesse mercado é o marketing. As estratégias de marketing utilizadas para seduzir os clientes desse mercado são completamente diferentes das utilizadas para o consumo de massa. Nesse mercado do luxo, é necessário investir no atendimento personalizado, conhecer o cliente pelo nome e investir também em eventos sociais. Os produtos desse mercado devem ser vendidos em pontos muito bem selecionados, ao contrário do marketing de massa. Passar a mensagem certa para a pessoa certa é o objetivo de todas as pessoas que trabalham no marketing por isso o marketing “one to one (O2O)” (marketing personalizado) é o mais adequado para atingir esse consumidor. O objetivo do “one to one” é conhecer o perfil do consumidor para lhe oferecer os bens e serviços mais adequados. As necessidades do consumidor são satisfeitas através de um serviço personalizado que fornece produtos adequados ao seu perfil, ajudando a estabelecer uma relação de lealdade e confiança para com a empresa. O cliente sente-se contente por saber que aquela empresa conhece os seus gostos, interesses e oferece-lhe precisamente aquilo que precisa. Outra boa estratégia de marketing do mercado de luxo é o design do produto. Sabendo que um dos principais objetivos do cliente desse mercado é a distinção, o design do bem de luxo, assim como a matéria-prima, a durabilidade e o conforto, é muito valorizado. Com um design bonito e elegante, se têm uma grande valorização da imagem. O consumidor busca distinção e status ao comprar uma jóia de grife, por exemplo. Da compra até o uso do artigo, a experiência é sensorial, repleta de fantasia, da qual a pessoa extrai muito prazer.

Marca: “sinal figurativo ou emblemático que, aplicado a um produto, ou ao seu invólucro, o distingue de outros idênticos ou semelhantes” (Dicionário Língua Portuguesa On-line) “A marca é o principal elo entre o negócio e o cliente, pois é através dela que ele identifica o negócio e o diferencia dos demais. Com o passar do tempo, a marca passa a ser o referencial da qualidade daquele produto ou serviço”. (http://www.sebrae.com.br) A marca, ou griffe, é de grande importância para os bens de luxo porque garante uma origem e qualidade, sinaliza valor, cria e firma uma imagem. É através dela que, com cuidadosa administração, comunicação inteligente e largo uso, se leva à mente do consumidor um conjunto atrativo e específico de valores e atributos. Uma marca não é somente um simples nome, logotipo ou slogan publicitário de um produto ou serviço. A marca, ou griffe é, claramente, de importância fundamental para os bens de luxo, na medida em que projeta valor, criando e firmando uma imagem, garantindo uma origem e qualidade. “Especialistas afirmam que o nome do fabricante aumenta em no mínimo 40% o valor de um produto. Mas esse porcentual pode atingir 60%, caso da Nike, da Louis Vuitton e de outras tantas.” (http://veja.abril.com.br/vejasp/especial_luxo/p_020.shtml) A marca é primordial para o mercado dos produtos de luxo e deve transmitir história, genealogia, tradições e um código. O fundamento que legitima uma marca se traduz na qualidade intrínseca do produto e no seu refinamento, mas existe também na “lenda” que comprar produtos está associada aquele nome. O imaginário constitui uma parte essencial das marcas de luxo. As pessoas compram ou deixam de partindo de seus atributos emocionais. Na verdade, elas estão comprando emoções ou comportamento.

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