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REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

A CURA DE UMA MENTE BRILHANTE

John Nash (Russell Crowe) é um gênio da matemática que, aos 21 anos, formulou um teorema que provou sua genialidade e o tornou aclamado no meio onde atuava. Mas aos poucos o belo e arrogante Nash se transforma em um sofrido e atormentado homem, que chega até mesmo a ser diagnosticado como esquizofrênico pelos médicos que o tratam. Porém, após anos de luta para se recuperar, ele consegue retornar à sociedade e acaba sendo premiado com o Nobel.
Título original A Beautiful Mind


Mente.jpg Uma Mente Brilhante ( A Beautiful Mind) é um filme de Ron Howard (2001)que faz uma biografia dramática de John Nash, um matemático prolífico e de pensamento não convencional, que consegue sucesso em várias áreas da matemática e uma carreira acadêmica respeitável.John é esquivo e arrogante tendo dificuldades sérias na área afetiva. Desenvolve sua mente lógica sem conseguir abrir o caminho para o coração.

Desde o início fica claro que John, muito bem interpretado por Russel Crove delira em seu quarto e cria um personagem de suas visões, ao qual chama por Charles Herman. Assim, ele age através de sua imaginação até chegar ao ponto de confundir fantasia com a realidade e penetrar por inteiro nesse universo criado pela esquizofrenia. Para John, seus delírios e visões são reais e o sofrimento aumenta quando casa com Alicia, após ser chamado a fazer um trabalho de criptografia para o governo dos Estados Unidos.

mente e alicia.jpg Ele sente uma constante perseguição causada pelas inúmeras alucinações. Já com um filho de Alicia, John tem sua primeiro grande surto, é hospitalizado, leva eletro choques e perde seu status temporariamente na Universidade de Princeton. Aos cuidados médicos passa a tomar remédios e se isola com a mulher e o filho. Contudo, insatisfeito, por não estar produzindo, John, para a medicamentação, passa a se agitar, sem que a mulher perceba, cria de novo seu mundo psíquico, alienando-se em um quarto da garagem.

mente brilhante.jpg Nash tem seu segundo surto, pior que o primeiro, conversa com a equipe médica e os convence de que terá que conviver com a esquizofrenia, pois acredita na sua força de vontade, sem remédios, sem choques, só com a compreensão e o amor de sua mulher. Ele precisará usar de toda a sua racionalidade para distinguir o real do imaginário e voltar a ter uma vida razoável de volta à Universidade de Princeton.

mente 5.jpg Os delírios são ideias falsas das quais o esquizofrênico tem perfeita convicção e as alucinações são percepções falsas dos sentidos. A mais comum é a alucinação auditiva que o conduz e controla dentro de sua cisão psíquica. Apesar de já estar mais velho, John consegue, de um modo admirável, conviver com os poucos amigos e resgatar sua lógica matemática, além de seu desejo de ensinar aos jovens dos quais se afastava na sua paranoia por medo de ser percebido pelos mesmos. A mensagem do filme é positiva, pois nos mostra que a esquizofrenia existe, mas pode ser atenuada pelo amor, ou seja, abrindo a linha da afetividade que sempre fora travada durante sua juventude, até apaixonar-se por Alicia. É uma lição de vida sofrida que alcança a felicidade pelo desejo de conseguir seus ideias através do amor e não da lógica fria e distante da realidade. Alicia o acolhe em todo seu trajeto. John ganha um prêmio por uma tese em economia e é reconhecido no meio acadêmico, contudo seu maior prêmio, a lógica de sua vida é retomada pelo amor de Alicia e seu filho. Um exemplo estoico de batalha contra a loucura a qual combateu por uma vida inteira. Uma mente brilhante 4.jpg


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