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REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

ESCOLA E SOCIEDADE

O sentido da escola é educar para a vida e, para isso, precisamos manter os laços mais estreitos,combater a violência num país marcado pela desigualdade.


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O grande pacifista indiano Mahatma Ghandi em um momento de reflexão crítica disse que: “a adoção pela sociedade da política do olho por olho, acabaria tornando o mundo cego”. Sem querer dar ênfase ao profético, mas apenas para ilustrar o mundo individualista e competitivo que nos deparamos nos dias atuais, com uma sociedade quase caótica, onde o diálogo entre as pessoas e, valores como o respeito ao próximo e a cooperação mútua parecem ser qualidades perdidas no tempo. O mundo de hoje se encontra, em boa parte, mergulhado na violência e desagregação social, onde os jovens parecem não ter limites, e as pessoas vivem sob tensões cada vez maiores. Como reflexo dessa situação, nos últimos anos, a sociedade brasileira tem sido considerada uma das mais violentas do mundo, marcada por desigualdades, valorização do consumo, egoísmo, descrença no poder público, entre outras. Como a escola e a sociedade guardam entre si, estreitos laços e, podem, uma ou outra, serem concebidas como a resultante de uma relação de mão dupla, ela acaba incorporando, reproduzindo e refletindo vários aspectos da sociedade, sejam eles positivos ou negativos. A violência que aparece em nosso cotidiano, é um desses aspectos que vem sendo considerado ultimamente como um fenômeno social, consequência de fatores estabelecidos por valores da sociedade. Além disso, ela vem sendo mostrada nas mais diferentes formas, bastando abrir um jornal, ligar um rádio ou uma televisão, conectar a internet ou, até mesmo, sair de casa. A banalização e valorização da violência, parecem andar lado a lado e, a sociedade, cada vez mais, aceita esta situação.

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Por isso, a problemática da violência escolar tem se tornado um tema de grande preocupação e, um assunto cada vez mais frequente junto aos profissionais de ensino, dentre eles o professor, que muitas vezes vem passando por situações de conflitos em suas atividades dentro da escola, sem conseguir algum tipo de solução. A escola está precisando se atualizar, educar não é puramente transmissão de conhecimento, mas sim, um processo de convivência, onde incluem ações construtivas e transformadoras, que envolvem principalmente a promoção de princípios e valores sociais como: a tolerância, o respeito às pessoas, a defesa da paz e da convivência. Ela deve ser um local de troca, que busque uma igualdade de oportunidades dentro das diferenças, ou seja, que cumpra com a sua função de promover o processo de socialização, por meio de ações pedagógicas e educacionais que invistam positivamente nas potencialidades das crianças e jovens.

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Para Libâneo (1985, p.97): O ato pedagógico, pode ser definido como uma atividade sistemática de interação entre os seres sociais, tanto no nível do intrapessoal, como no nível da influência do meio, interação essa que se configura numa ação exercida sobre os sujeitos, ou grupos de sujeitos, visando provocar neles mudanças tão eficazes que os tornem elementos ativos desta própria ação exercida. A prática social, é portanto, o ponto de partida e de chegada da ação pedagógica. Porém, a escola, passa nos dias de hoje, por uma crise relacionada à socialização, as suas relações interpessoais estão cada vez mais complexas, o que acaba gerando comportamentos, tanto por parte dos professores, como dos alunos, que podem acabar se transformando em algum tipo de violência.

sociedade.jpg Frente a esta realidade, a escola não pode mais ser vista, apenas como um lugar de aprendizagem e ensino. Torna-se importante que ela repense o seu papel diante das características da atual sociedade e, com isso, reveja seus paradigmas, permitindo ao aluno contextualizar e refletir toda essa situação vivenciada por ele em sua vida pessoal, social e cultural, mobilizando todas as suas competências cognitivas e emocionais, e a compreensão dessa realidade. É fundamental para que ele possa participar como protagonista da transformação e ruptura dessa situação em que se encontra a escola e a sociedade de uma forma geral.

Na práxis educativa, cada aluno deve ser considerado como uma realidade, com diferentes vivências, expectativas, sonhos, hábitos, culturas, conhecimentos, valores e significados. Por isso, as aulas devem ser um local de experimentação, integração, negociação e interação entre todas essas diferenças apresentadas pelos alunos no decorrer de sua vida. A organização escolar deve ser entendida como uma comunidade democrática de aprendizagem, compartilhando valores e práticas por meio de um trabalho reflexivo, e tendo o professor a função de mediar esse processo.

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