imagens e palavras

REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

Eleanor Rigby- a dor da perda

Cristopher Nolan (2014) dirige The Disappearance of Eleanor Rigby : Them com maestria a partir da dor de um casal jovem que desesperadamente não consegue mais viver juntos por causa de um sofrimento que só nos é dito no final.


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The Disappearance of Eleanor Rigby: Them dirigido por Christopher Nolan (2014) é um filme sobre a dor. Desde o início sentimos que o casal carrega consigo uma ferida grave que tanto os marcou que eles não conseguem mais viver juntos por este acontecimento pregresso. A solidão de Eleanor Rigby inspirado na canção dos Beatles “ Eleanor Rigby” fala da todos os solitários e de onde eles vêm. O filme tem a intenção de atravessar com cortes lentos a dor do luto e a perda de sentido pela vida que a personagem traz consigo e que a leva a tentar o suicídio, jogando-se de uma ponte e depois aos poucos se reestruturando na casa dos pais. Foge do marido também sofrido e não se sabe a razão. Esta expectativa do não dito segura o longa de forma inusitada. Conor tem 33 anos, trabalha a duras penas em um bar, mas segue a vida sem rumo, sem alegria e persegue Eleanor até encontrá-la de novo.

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O filme trata a relação do ponto de vista de vista de Conor ( James McAvoy) que é melancólico e da perspectiva de Eleanor, dramática, silenciada e dolorida (Jessica Chastain). O olhar da câmera traz uma versão contada de uma forma mais lenta com flashbacks glamourosos dos instantes passados com paixão.

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À medida que tentam recomeçar suas vidas, têm o apoio dos pais. O pai de Eleanor é um psicólogo calmo e carinhoso com a filha tendo que desarmá-la com cuidado, como na fala: “ A tragédia é uma ilha de que não se sabe a língua do nativo.” Ela busca apoio também numa professora solitária e amiga que se aproxima com conversas profundas sobre separação e perdas.

eleanor 3.jpg O filme encanta por seu olhar humano sobre os personagens que tentam se falar, mas não tocam no acidente, não conseguem falar da morte e assim nos deixam perplexos com suas vidas paralisadas num só ponto que o diretor sabiamente não revela, a não ser no final quando está tudo consumado. A narrativa é lenta e precisa, pois nos esconde a causa da dor, mostrando-a desnuda nos gestos, palavras e ações dos personagens bem machucados que se perderam no luto e não conseguem livrar-se de seus remorsos e culpas passados. A beleza das imagens revelam em cada grão uma lágrima pesada que não quer cair. O luto vivido pelo casal vai ficando claro no final quando o pai diz a Eleanor: ”Eu perdi meu neto”. Tudo é bem velado para que assim possamos entrar no sofrimento de cada um, tanto de Eleanor, como de Conor que seguem seus caminhos distintos, sem conseguirem recomeçar porque a perda do filho foi muito maior do que eles.

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