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REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

NÃO SOU LOUCA

No estoy loca” dirigido por Nicolás López trata de Carolina, uma mulher de 38 anos, que leva uma vida de casada regular até o marido mostrar desinteresse. Devido à incapacidade de ter filhos, ela bebe muito e se acaba quando o marido conta sobre a traição com sua melhor amiga.Sem saber lidar com a situação, ela se desestabiliza e comete o suicídio, terminando internada em uma clínica psiquiátrica.


A rigor, os filmes que tratam da loucura têm uma tendência a serem dramáticos, abordando o tema, pelo lado sentimental, emotivo, desesperado, patológico. O que mais nos atrai em Não sou Louca de Nicolas López, chileno, é a leveza como o diretor nos mostra um caso clínico, com senso de humor em oposição a um profundo olhar sobre o que ser louco. O filme passeia pela loucura, abordando o estigma imposto socialmente e de como ainda há um excesso de preconceito e mesmo de ignorância em relação aos estados patológicos. Todos os casos clínicos demandam uma atenção especial, cuidado e uma psicoterapia humanizada que traz o indivíduo alterado de volta a si mesmo.

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A protagonista, uma mulher casada, que quer engravidar sem êxito, e de súbito tenta suicidar-se ao saber do próprio marido que está sendo traída com a melhor amiga. Carolina acabara de vir do médico e estar ciente de que é infértil. Com o choque da separação, Carolina se embriaga e tenta suicidar-se, jogando-se do terraço. O resultado é a internação numa clínica psiquiátrica.Lá, com uma supervisão atual, ela convive com os loucos e mesmo reativa no início, se entrega aos exercícios propostos, a arteterapia, a psicanálise até sua reintegração a si mesma e a superação do medo e da raiva que levava consigo.

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O filme mostra claramente o preconceito embutido em cada um de nós, quando o tema é loucura. Ela mesma, Carolina, vai se dando conta que não quer ser chamada de louca e somente através do processo de convivência, amor e conhecimento de outras mulheres internadas, ela vai adquirindo consciência de si, regatando sua identidade e compreendendo seu surto psiquiátrico. Aprende a conhecer-se através da terapia semanal, descobre que não tem identidade pelo peso do amor materno que havia lhe aprisionado em suas escolhas. Só quando reconhece sua dependência emocional da mãe, consegue perceber suja fragilidade.Carolina nos faz acordar para a necessidade de um olhar humano sobre o sofrimento humano e a capacidade de curar-se estados psicóticos. O filme também tem um tom dramático muito marcado. Ao lidar com problemas psicológicos aborda o limite da loucura, assim como o sofrimento de vários pacientes psicóticos.O duelo entre comédia e tragédia está bem distinto,e convivem bem, cada um no seu tempo

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