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REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

A ESPOSA

Baseado no livro “The Wife” da autora Meg Wolitzer, A Esposa, é dirigido pelo Björn Runge que passa a história com o foco principal na personagem Joan, e seu comportamento controlado pelo marido repressor e mentiroso.


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O filme retrata a vida de Joan (Glenn Close), uma mulher que abre mão dos seus sonhos para direcionar os do seu marido, o escritor Joe Castleman (Jonathan Pryce). Durante a trama, são apresentados vários flashbacks que ajudam a refletir e entender um relacionamento construído através de sacrifícios. Joan que também era escritora em potencial durante a sua juventude, abre mão de sua vocação para servir o marido. Ela faz essa escolha, como a esposa forte atrás de um homem. O filme retrata com sutileza esta função conjugal, na qual a mulher desempenha a mãe, a companheira e a administradora do lar. Joan se dá ao marido, sem fazer questão de aparecer, submissa, ela aceita ser a mulher do escritor que vai ficando famoso através da esposa e seu talento em escrever.

a esposa.jpg São coniventes nessa mentira, até ele ser chamado para o Prêmio Nobel de Literatura em Estocolmo e uma vez em exposição, fica difícil, para ela, ser apenas a cordata, educada, delicada e culta esposa. Ela sente que estava presa durante estes anos e através da insistência de um biógrafo, sente necessidade de romper de vez com a farsa de sua vida vazia, escondida no narcisismo do marido.

a esposa 3.jpg Baseado no livro “The Wife” da autora Meg Wolitzer, A Esposa, é dirigido pelo Björn Runge que passa a história com o foco principal na personagem Joan, e seu comportamento controlado pelo marido repressor e mentiroso que dá um falso amor para sustentar sua carreira. A atuação de Glenn Close é maravilhosa na sutileza, firmeza e capacidade de sacrifício enquanto profissional. num papel de quem simula ser mais humilde do que é na realidade. Infeliz amor conjugal com sujas trapaças e conivências. O fato de tudo emergir durante a entrega do prêmio Nobel, traz variações e entradas para percebermos quem Joan é, quando diz, por exemplo, “eu sou uma criadora de reis”, aludindo ao fato de ter sido responsável pelo sucesso do marido. Antes do gran finale, ambos se descontrolam e se magoam pelo fato de terem consciência do quanto custou, toda esta simulação, para ela, a esposa que é a protagonista de sua história e o egocentrismo do marido. E é aí que o sacrifício de Joan ganha dimensões sufocantes porque ela quer quebrar com o silêncio que carrega toda uma vida e o faz, sem arrependimentos, apenas, como todas as mulheres que sacrificam-se pelo casamento estável, percebem que nunca gostaram de suas vidas nem de si próprias. Excelente a reflexão dentro de uma linguagem atual e expressiva.

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