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REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

BACURAU: UMA METÁFORA DO BRASIL

Bacurau ( 2019)dirigido por Kleber Mendonça Filho é um filme metafórico e distópico que no estilo faroeste mostra a vida de uma cidade fictícia no nordeste do Brasil, onde entre a fome, a violência e a morte,seus habitantes lutam para vencer invasores norte americanos e seguir vivos.


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Bacurau (2019) tem direção de Kleber Mendonça Filho e é uma ficção do faroeste futuro, uma metáfora de um microcosmos possível daqui a alguns anos como diz a legenda do início. .

Bacurau é o microcosmos do país daqui a alguns anos como é anunciado ao começar a narrativa. Tudo se passa numa cidadezinha tipo faroeste futuro e fictício do interior nordestino. Há o confronto dos moradores locais com pistoleiros americanos que matam por esporte, numa ambientação típica dos filmes de cowboy. Através de uma linguagem de ficção científica, o filme retrata metaforicamente a realidade atual do país e do mundo numa leitura surreal sobre a pobreza, decadência, horror e agonia vividos pelos habitantes de Bacurau.

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Os personagens são arquetípicos, ou seja, seguem padrões universais. Temos segundo Carl G Jung arquétipos que simbolizam a humanidade no seu padrão. Aqui tem-se o Louco, o Bêbado, a Prostituta, o Velho Sábio, o Herói. muito bem delineados e reais. O clima é violento, mostrando as trapaças do prefeito e suas relações com os norte americanos invasores.Há muita morte e entre elas , alguma fazem alusão aos assassinatos que ocorreram no país recentemente. “Estamos sendo invadidos” grita um dos líderes.

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Livros e filmes distópicos sempre mostraram fatos estabelecidos sem precisar explicar nada. Um exemplo dessa simbologia presente em “Bacurau” está numa rápida sequência, perto do fim, em que a câmera foca um aparelho de TV ligado. Na imagem, lê-se “As execuções recomeçarão às 14 horas”, indicando o Vale do Anhangabaú, em São Paulo, como local dos acontecimentos.Historicamente, em situações de guerra e revoluções, as áreas centrais são usadas para execuções.

“Como acontece em São Paulo, deve-se imaginar que há uma ideia de instabilidade social”, que acontece no país num futuro próximo e registra referências ao assassinato da vereadora carioca Marielle Franco. “As armas deveriam ser destruídas, mantendo apenas um número x em arquivos, para lembrarmos como funcionavam e para que serviam”, Ao contar um futuro imaginário, o diretor nos faz antever o horror sanguinário de um nordeste que se acaba numa situação de extrema pobreza e violência, onde só invadidos por estrangeiros norte americanos, se unem para sobreviver e recomeçar do quase nada sertão de Bacurau

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