imagens e palavras

REFLEXÕES SOBRE LITERATURA E CINEMA

Fernanda Villas Boas

DESIGUALDADE, MISÉRIA E LUXO EM PARASITA

PARASITA é um filme dirigido por Bong Joon-ho, sul- coreano (2019) que mostra o abismo violento entre as castas sociais em que a miséria não dialoga com a riqueza de poucos.


Desigualdade, miséria e luxo em Parasita

o casal Kim.jpg

Parasite filme dirigido por Bong Joon-ho, sul-coreano ( 2019) e Parasita ( no Brasil) é um filme de suspense e humor negro que retrata o abismo entre as castas na Coreia do Sul através de uma farsa cômica que vai se tornando tensa, perigosa e violenta. A família Kim faz planos para trabalhar na casa dos milionários Park.. O filme mostra cenas hilárias onde o humor físico prevalece sobre o terror. Além de elementos de suspense introduzidos ao longo do caminho. Joon-ho busca o valor simbólico das ações e constrói a narrativa dentro de uma espécie de fábula, onde todos os personagens têm algo de fantástico e surreal além de serem eles mesmos.

parasita 3- o tutor.jpg

Ao invadir aos poucos a casa nobre dos Park, a família se reveste das funções de professor( filho) arteterapeuta ( filha), motorista ( pai) faxineira( mãe) Eles se infiltram e cumprem seu trabalho sem haver confronto com os Park. Os Kim consideram os Park ingênuos e sem preocupações e arquitetam meios e planos de ficar com a casa. . Este é o momento de revelar as diferentes maneiras de lidar com as dificuldades, para que o parasitismo de Ki-Taek e seus familiares não seja visto como a única saída possível. A relação dos parasitas com os milionários vai aos poucos ficando hostil, pois descobrem que os ricos os consideram fedorentos e desclassificados.

O filme é uma sátira social que não se contenta em ser colocada em uma caixa esterotipada, mas é ousado ao passear por diversos gêneros. As cenas hilárias são ao mesmo tempo nervosas fruto da tensão constante e do realismo brutal. É um filme que mergulha na farsa de planos impossíveis que a qualquer momento pode ser desvendado. . O discurso denuncia que a mobilidade social é uma ilusão, e os sonhos hollywoodianos de conciliação afetiva entre ricos e pobres estão fora da realidade.

casa do Parasita.jpg

Os Kim tentam elevar-se, metafórica e literalmente, além do nível permitido por uma estrutura social feita para mantê-los no andar de baixo: seja criando uma fábula que os coloque como engrenagens essenciais dos ricaços Park. Uma vez instalados tudo começa a ter funções com as aulas e a terapia e aproximação das duas castas. Eles estão no auge de sua invasão parasita, quando a ex governanta volta e pede para ir ao porão. Isto gera uma outra visão de parasita. Parasitas se encontram. Descobrem o homem que mora no porão e é marido desta mulher e refugiado naquele canto como um bicho. Mais uma metáfora de como a classe pobre não tem espaço, nem voz. Os pobres se reconhecem mas lutam pelo espaço e o pai prende as duas vítimas até que seja resolvida a questão.No clímax há o aniversário do pequeno milionário e tudo se torna revolta, matança, sangue e cenas que valem o filme, uma vez que se mexem rápido dando ênfase ao vermelho e à luz do dia, como se tudo fosse desmascarado brutalmente, formando uma pintura em movimento. O filme Parasita não coloca os ricos como os vilões, mas aponta a sua futilidade e egocentrismo. A sua função de casta superior é bastante presente.

parasita 1.jpg A cena de inundação se revela particularmente eficaz para afetar os andares de baixo enquanto preserva os andares de cima. Esteticamente, o projeto demonstra no plano urbano quem mora para baixo, nos porões, no lixo e na fome. Excelente na forma e no conteúdo nos deixa a mensagem crítica do capitalismo destrutivo.. A filmografia de Bong Joon-Ho não esconde sua forte veia anticapitalista. A história nos ensina, não importa a escala, que lutas de classe sempre terminam em sangue. Para Bong Joon-Ho, é óbvio que manter o espaço entre abastados e miseráveis é insustentável, mas a sociedade não vê esse abismo. A indiferença impera causando incômodo tanta cegueira e ódio. Parasitas nos deixa perguntas a serem respondidas pelo universo capitalista. .

a pedra- parasita.jpg


version 12/s/cinema// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Fernanda Villas Boas