Jeize Vasconcellos

Definições ou frases de efeito podem não fazer jus ao dia, já que: nada é, tudo está. Ainda mais para uma pessoa que se considera uma "Metamorfose Ambulante". Então, aqui jaz uma descrição precisa

E mesmo se nada der certo... Dá certo...

Um: Quando se está completo e feliz com a própria companhia, estar sozinho é glorioso. Dois: Deixa ser? Deixa estar?


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Assisti ao filme “Mesmo se nada der certo” (Begin Again) ontem, e estou aqui na fila, esperando para ser atendida pela dentista, quando me vieram algumas reflexões.

Vamos a elas.

Começando com uma breve síntese, a história se inicia em uma das noites da intensa Nova Iorque, em um de seus inúmeros bares, quando um de seus jovens artistas músicos, chama sua amiga para tocar uma de suas composições. A proposta foi aceita com certa relutância.

A música ecoou nos ouvidos de um bêbado e este se levantou aplaudindo a esguia moça no palco com o violão.

O filme segue contando a história do bêbado (Dan): produtor famoso que se entregou ao álcool e perdeu tanto o emprego, quanto a dignidade. Em seu percurso vital, ele vai ao bar acima citado, encontra Gretta com o violão e lhe faz proposta para que esta entre em contato, pois havia gostado bastante do som composto por ela. A moça diz que está indo embora para casa (Ela é inglesa e o sotaque ficou estonteante pronunciado por Keira), mas que talvez ligue no dia seguinte.

Passa-se a contar os segredos de Gretta então, a qual foi com seu amado músico até NY, para que lá ele fizesse sua carreira acontecer. Passados alguns dias, a moça de estilo excêntrico é trocada por outra que seu namorado (Adam Levine) havia conhecido há menos de mês. Houve sofrimento, foça, e o clichê todo que vocês conhecem sobre fins de relacionamento.

Pois bem. Gretta resolveu ficar na América e gravar o disco com o produtor bêbado de família destruída e vida acabada. O álbum foi gravado nos vários cenários da própria cidade, ao ar livre, e teve uma bela aceitação de quem ouvia (inclusive eu, que achei a trilha sonora de tirar o fôlego).

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Eis que então o ex namorado da moça volta a procurá-la, mas Gretta fica confusa, já que o produtor está em seu coração também.

Ao final do filme, a moça vai ao show de seu ex e se emociona com ele tocando a música composta por ela, para eles. Porém, ela se vai. Não fica com seu ex amado, por sua própria opção, mas está feliz. Feliz por ter superado as circunstâncias, feliz por estar livre de qualquer sentimento ruim, feliz por perdoá-lo, feliz apenas por sentir (ou não sentir).

No desenrolar do roteiro, o produtor volta para sua amada família (esposa e filha). Como o filme é do gênero “Romance”, o desfecho parece triste, mas não é.

Isso mesmo! Gretta ficou sozinha. Sem seu ex. Sem o novo affair. Mas totalmente livre.

Em um primeiro momento, me chamou atenção o fato de que, ao meu ver (Claro, em uma opinião bastante eufêmica sobre), Gretta, apesar de ter sofrido por ter sido deixada pelos homens que amava, tanto o ex quanto Dan, estava feliz por estar sozinha, e feliz por todas as outras coisas ao redor. Estar junto com alguém pouco importava, em face de sua própria felicidade e também dos que amava. Preferiu estar só. Bem com ela mesma, realizada. Sentindo o vento em seu rosto. Livre. Liberta. De todas as coisas. Vivendo a solidão, vivendo a alegria, vivendo a música, vivendo o momento. Vivendo.

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Ao que me parece, a bela moça de estilo excêntrico estava vivendo uma experiência incrível de estar curtindo sua própria companhia, em um, digamos, “autoromance” (inventei essa agora), isto é, amando a si mesma e tudo de bom que está se passando. Pode acreditar, a sensação parecia fabulosa.

De segundo plano, outra foi minha percepção sobre o filme, e essa tem a ver com o destino e como as coisas acontecem na vida das pessoas. Muitas vezes, nos palcos dos bares da vida, chega um louco bêbado, nos dizendo ser produtor musical, e nos tira de nossas previsões, tais como ir para casa no dia seguinte. O produtor são as oportunidades que a vida nos fornece, e estas nos viram de cabeça para baixo, mudam nosso futuro e nos fazem parar para pensar se as coisas não estão predestinadas, e toda essa baboseira sobre destino que nos questionamos nos momentos das paradas para o café ou quando deitamos em nossos travesseiros à noite.

Por fim, é um bom filme, com bons atores, com um belo roteiro, e uma trilha sonora incrível. Apesar dos spoilers contidos no texto, vale a pena tirar 1h44 do tempo para assistir, e fazer novas reflexões sobre a obra. Fiquem, portanto, com a música que "encerra" o filme: Com vocês "Lost Stars - Adam Levine"


Jeize Vasconcellos

Definições ou frases de efeito podem não fazer jus ao dia, já que: nada é, tudo está. Ainda mais para uma pessoa que se considera uma "Metamorfose Ambulante". Então, aqui jaz uma descrição precisa.
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