Larissa Bispo

Apaixonada pelas entrelinhas da vida, pelos mistérios no óbvio e pelas complexidades que abrigam as coisas mais simples

devaneios | ao se sentir inteira

Para ser, não podia crer.
Para se salvar, não podia ser.
E era.


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Apenas a primeira impressão da delicadeza que era. Seus movimentos eram rápidos, mas precisos. Não havia meia volta. Ela era inteira e sua brutalidade camuflava a percepção dos outros, confundindo-os. Nada que já existiu pode ser comparado, porque a tudo o que existe, procuramos uma saída.

Ela não queria ser entendida. Era porque era. Era e pronto. Não entendia a necessidade de ser vista; em sua maior riqueza, a possibilidade de não ser percebida na simplicidade dos seus objetivos.

Todos viam quem ela não era. Não erra. Espera.

Não era alguém - não era menina, não era mulher, não era altruísta e não era humilde. Não era professora ou uma daquelas que querem salvar o mundo. Sua ligação com a própria vida sendo uma linha tênue, de uma firmeza que quase não se consegue ver, mas firma, direta, completa. Ela sabia que era de verdade.

Todos os dias, ao acordar, sentia suas mãos firmes e contra seu corpo; podia sentir sua presença e saber que a pertencia. Permitia que lhe desejassem de forma completa e, em seu íntimo, se entregava de uma forma que não era possível sozinha. Sua presença transformava tudo em uma maneira de não ser.

Não se escondia sob sorrisos, seus olhares eram firmes e constantes e seus passos tremiam o chão, mesmo quando descalça. Ela não sabia para onde ia e foi em uma dessas idas que descobriu onde se encontrava a verdade da vida que trilhava.

Para ser, não podia crer.

Para se salvar, não podia ser.

E era.


Larissa Bispo

Apaixonada pelas entrelinhas da vida, pelos mistérios no óbvio e pelas complexidades que abrigam as coisas mais simples.
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