Larissa Bispo

Apaixonada pelas entrelinhas da vida, pelos mistérios no óbvio e pelas complexidades que abrigam as coisas mais simples

The Mask You Live In: o que estamos ensinando aos meninos?

"The Mask You Live In" fala sobre a cultura, em que estamos todos inseridos, que cria e educa meninos para se tornarem homens violentos, preconceituosos e machistas. Isso tem tudo a ver comigo. Isso tem tudo a ver não só com educadores, psicólogos e teóricos, mas com pais, tios, tias, professores e professoras. Esbarra em cada um de nós.

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"Então se dermos aos meninos permissão para sentir dor, permissão para chorar, para desenvolver suas emoções, você acabaria com a questão de não saber o que fazer com a própria dor."

Fui relutante a assistir a esse documentário (e isso é difícil na minha vida). Uma leve preguiça, confesso, de levar em total consideração a problematização da questão de nascer um homem, que por ser já é privilegiado.

Sendo mulher, o que isso tem a ver comigo?

"The Mask You Live In" fala sobre a cultura, em que estamos todos inseridos, que cria e educa meninos para se tornarem homens violentos, preconceituosos e machistas. Fala sobre a nossa imposição, desde os 5 anos na vida de um menino, da repressão de seus sentimentos, dos conflitos internos e do desenvolvimento de emoções e empatia. Fala sobre a ausência de pais homens. Fala, também, sobre os impactos dos modelos midiáticos reproduzidos sobre o que é "ser um homem", dos estereótipos e violência que propagamos e da representação do sexo na mídia na vida adulta de uma criança ou adolescente.

Sobretudo, o documentário fala sobre como os valores que a nossa sociedade passa a uma criança hoje ajudam a formar o agressor, o assassino e o suicida de amanhã.

Enquanto 67% dos adolescentes assistem pornografia diariamente, 18% desses adolescentes, entre 12 e 18 anos, já assistiram a um estupro online. Adolescentes que são inseridos em uma cultura da objetificação da mulher, da agressão, do sexo não consensual, do estupro.

E isso tem tudo a ver comigo.

Isso tem a ver com um problema primeiro propagado por homens e mulheres que impedem meninos de chorar, de desenvolverem suas emoções, de falarem sobre o que sentem, de não precisarem recorrer às drogas, álcool e violência. Isso diz respeito a essa imagem de masculinidade pautada em domínio, poder e negação de tudo o que é considerado "feminino".

Isso tem tudo a ver comigo. Isso tem tudo a ver não só com educadores, psicólogos e teóricos, mas com pais, tios, tias, professores e professoras. Esbarra em cada um de nós.

É grave. Mudar esse cenário é urgente. Mais uma recomendação da minha lista de docs "é como ler 5 livros em 1 hora" nessa vida meio corrida.


Larissa Bispo

Apaixonada pelas entrelinhas da vida, pelos mistérios no óbvio e pelas complexidades que abrigam as coisas mais simples.
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