Andressa Lara

Ariana (do bem), inventiva e o que mais der na telha.

A sobrevivência dos livros e a história de Fahrenheit 451

Sobrecarregados de informação, "queimamos" páginas e páginas da História sem perceber. Com o olhar voltado apenas para o que nos interessa, reforçamos crenças e fugimos de desafios complexos lançados por palavras que não compreendemos. Preferimos o conhecido. Salvem os livros, os bravos guerreiros de capa dura e alma forte, que surpreendem pela coragem.


Bem-vindos a uma realidade em que as casas são resistentes ao fogo e dispensam os bombeiros da sua ocupação original. Em invés de apagarem incêndios, eles provocam faíscas queimando livros. Sem ler, as pessoas tornaram-se vazias de ideias, faltando qualquer assunto que não fosse a programação da TV. É o que retrata o livro Fahrenheit 451.

Escrito por Ray Bradbury após a Segunda Guerra Mundial em 1963, a distopia acontece em torno de 1990, ou seja, um "futuro" que conhecemos bem. A primeira adaptação foi dirigida pelo cineasta francês François Truffaut em 1966, e a nova versão promete estrear em 2018.

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Ao primeiro momento, a trama parece impossível. Mas, a medida em que percebemos seus fragmentos com a realidade, é assustador detectar o quanto isso pode ser verdadeiro.

Sobrecarregados de informação, "queimamos" páginas e páginas da História sem perceber. Com o olhar voltado apenas para o que nos interessa, reforçamos crenças e fugimos de desafios complexos lançados por palavras que não compreendemos. Preferimos o conhecido. Salvem os livros, os bravos guerreiros de capa dura e alma forte, que surpreendem pela coragem e resistência.

Fahrenheit 451 mostra que o governo pode até incentivado e se beneficiado com a ruptura do hábito de ler, mas quem abandonou os livros foram as próprias pessoas, por levarem muito mais em conta a programação da TV - ou seria do Youtube?

Indo ao encontro do que vemos atualmente, o livro conta com passagens emblemáticas a respeito da indústria cultural e dos meios de comunicação. Em uma delas, o capitão Beatty diz: "Se a peça for ruim, se o filme não disser nada, estimulem-me com o teremim, com muito barulho. Pensarei que estou reagindo à peça, quando se trata apenas de uma reação tátil à vibração. Mas não me importo. Tudo que peço é um passatempo sólido."

Outro fato é que a mídia impressa parece estar se despedindo aos poucos. Revistas e jornais não interessam a maioria das pessoas. O motivo? Talvez um certo "ranço" criado e alimentado pelo tempo e por um certo "achismo" de que tudo ali foi comprado.

Hoje, mais do que nunca, quem cria, pública e leva "ideias" à frente é quem tem dinheiro para bancar tais opiniões, longe da preocupação de ser ou não ser um desserviço à população. No entanto, a realidade catastrófica proposta pelo autor, nos faz perceber também o poder da leitura como fonte de conhecimento. A leitura não é obrigatória, mas essencial para pensar.


Andressa Lara

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