incomuns

InCompetentes. InCompatíveis. InComparáveis.

A.J.Poettos

Incompetente (em várias coisas).
Incompatível (quase sempre).
Incomparável (por que não?).

Da importância de ser contraditório

Não somos linhas retas, listas perfeitas, literatura canônica nos 365 dias do ano.
Somos incoerentes e contraditórios na maior parte do tempo, em diferentes espaços.
Nossas leituras revelam muito de nós mesmos ou nos escondemos atrás de capas e palavras alheias? Temos medo de abrir nossas gavetas e mostrar que não somos obra-prima nas 24 horas do dia. Queimamos os rascunhos de nós mesmos, como em tempos de inquisição. Ao vento, nossas cinzas e contradições.


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Contraditório: “que envolve contradição, incoerente”.

Sim, aqui vai uma lista (aleatória) de afetos literários:

d- As Ondas, Virginia Woolf;

x- As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley;

l- Trilogia Millennium, Stieg Larsson;

o- O som e a Fúria, William Faulkner.

Sim, eles convivem na minha estante. Não sem algumas desavenças. Não em total harmonia. Mas convivem. Dentro de mim vou empilhando best-sellers, cults, literatura canônica e pornográfica. Por que não?

Não, não gosto dos cinquenta tons. Não consegui passar das primeiras páginas. Não me convenceu. E eu sou uma pessoa altamente sugestionável, mas antes de tudo, preciso ser convencida. Prefiro as emoções da “Filosofia na Alcova” ou “Os 120 dias de Sodoma”, para ir direto à fonte do sadismo: nada melhor do que o próprio Marquês para flagelar a respeito.

Somos modernos sem preconceitos com qualquer outra coisa: sexo, religião, política. Mas literatura não! Joyce, Blake, Bilac ou Drummond. Mas nunca Paulo Coelho!

Meu manifesto aqui é pela liberdade de impressão. Há dias de Clarice, de Rosa ou de Rowling. Não sou 365 dias acadêmica, e nem 90% mais vendidos.

Leio, e minhas leituras sabem conviver como vizinhos de longa data: conheço os seus defeitos, e você, os meus, bom dia, boa tarde e boa noite (dá para desligar esse som?). Leio com paixão Diadorim e Riobaldo, e gargalho com Fernanda Young.

Mas não, não gostei da nova versão de Lisbeth Salander (ela NÃO está de volta!). Lagercrantz não entendeu o caráter dessa personagem.

E não, não gosto de Cristovão Tezza, Moacyr Scliar (“A Estranha nação de Rafael Mendes” foi uma das leituras mais entediantes da minha adolescência, e me iludiu completamente: a capa surrealista me prometia tanto...), e posso ser linchada com o que vou escrever agora: Dante. É, não consigo me apaixonar pela Divina Comédia (ok, admito, a tradução que eu tenho é péssima, e um dos objetivos para esse ano é tentar outra vez). Talvez eu dê uma segunda chance à nação de Rafael Mendes. Não sou categórica nos meus desafetos (lembra? Sou contraditória!).

Leio sagas e epopeias, enfrento Proust, Homero e George R.R. Martin, não tenho preconceitos. Amo Dorian Gray (mas não Christian Grey), Grenouille, Mefistófeles, Margarita e Isabel Archer. Cassandra de Tróia (a Rios também!), Virginia e Clarices (sim, misturo personagens e vida real).

Me arrepio com os cheiros e gostos de Ulysses, muito mais do que com o famoso monólogo de Molly Bloom. Degusto com saliva no canto da boca os poemas comestíveis de Adélia Prado, assim como devorei na adolescência os enigmas de Sir Arthur Conan Doyle.

Sou pela palavra. Seja ela dita ou contra. E se você achou que sou incoerente, sou mesmo. E não tenho problema em admiti-lo. (é que, com o perdão dos chatos, palavra é como vinho: não preciso cheirar a rolha, detectar se as notas são flores, madeira ou tesoura. O que eu amo em livros e vinhos, é o torpor). Mas sou preconceituosa com uma coisa sim: pessoas que não dão o passo além. Que ficam sempre ali, presas naquela estante. Aquela, erudita. Ou aquela outra, dos mais vendidos. E nem vamos falar em armários...

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A.J.Poettos

Incompetente (em várias coisas). Incompatível (quase sempre). Incomparável (por que não?). .
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