inconvencional

Tudo depende do ângulo

Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia

Diversidade social é sinal de evolução

Ninguém evolui sem entender e saber quem é. Sem saber seu passado. O brasileiro tem no seu DNA a evolução, a miscigenação é como um passaporte para o sucesso. Aceitar e reescrever a história determinará suas conquistas, como individuo e parte de um povo heroico.


Pindorama Brasil.jpg Ilustração: Rogério Rocha (@gentilpirado)

Brasil, o país tropical, que poderia ser conhecido por outro nome se os índios tivessem percebido o perigo de perder as terras para os portugueses. E tivessem em sua natureza a necessidade de dominar novas terras ou apenas lutar pra defender a sua própria terra. Hoje, essas terras poderiam se chamar Pindorama (País das Palmeiras) e nem existiria esse texto. Porém, a colonização portuguesa deu origem ao Brasil, junto aos negros africanos escravizados. E consequentemente, vieram outros europeus, em condições mais humanas que os negros escravizados. E começaram a dominar as terras, que antes pertenciam aos índios. Mesmo, que tenha sido uma injusta e desordena apropriação de território, o Brasil é um país que deveria ser o exemplo de evolução.

A miscigenação das raças é uma característica positiva e forte do povo brasileiro, o que deveria ser motivo de orgulho a todo cidadão. Pelo potencial genético poderíamos nos considerar um país evoluído. Juntando a mente brilhante e o espírito aventureiro europeu, a força e resistência negra e a calma e conhecimento das terras que os índios tinham. Uma pessoa que tem todas essas características no seu DNA é promessa de ser campeão. Claro que, se não fosse à cultura contrária, compartilhada de que ser puro sangue azul europeu é o símbolo de superioridade, de povo evoluído, teríamos outra realidade. A evolução está na mente humana, em se superar e melhorar a si e seu meio, e não a de sobrepujar sua própria raça.

Os brasileiros devem olhar a colonização de forma mais crítica e construtiva, o país foi dominado pelos portugueses e construído pelos negros africanos escravizados. É óbvio que não foi à maneira mais justa, mas podemos nos definir como uma nação quase perfeita. Temos os genes dos europeus, africanos e os índios, entre outras culturas e raças que vieram a fazer parte do país.

Em meio a tantas influências, foi esquecida a necessidade da valorização da nação construída. O português falado no Brasil, o que poderíamos chamar de “idioma brasileiro”, para definir que nossa língua formou-se a partir do português, influenciado pelos idiomas e dialetos africanos e indígenas. Não somos um país apenas influenciado por Portugal. Muitas das palavras do nosso dicionário tiveram origem africana e indígena. É preciso frisar, reconhecer, valorizar a linguagem única que se formou. Para se afirmar e reafirmar a real história do nosso país.

O Brasil tem uma história rica. E é dessa história real que precisamos reorganizar e compartilhar. Existiram erros. Afinal, não se acerta sem tentativas, sem errar. Mas, existe a opção de mudar e evoluir. Reavivar as origens e reconhecer os acertos é o que nos levará a verdadeira evolução.

É preciso ter a evolução social. Todo brasileiro tem de manter a mente aberta a entender as diferenças culturais que faz a beleza da adversidade. Os atuais conflitos sociais são reflexos das omissões e desconsiderações da nossa própria história. A falta de segurança, educação, saúde e inúmeras outras dificuldades. Um dos pontos mais críticos é a nossa educação. Não só a falta de acesso à educação, a falta de oportunidade das pessoas estudarem e entenderem quem elas realmente são, como também, o método e conteúdo estudado.

Um país de maioria negra apresenta uma folha em branco do que foi seu real passado. Como se o país fosse de maioria branca. O fato, de a escravidão ter sido abolida, a Lei Áurea, não foi o suficiente para que a injustiça se superasse. O que faltou no passado e falta ainda são ações coerentes. E essa ação coerente vem da atitude de cada indivíduo em desenvolvimento do coletivo.

A Princesa Isabel assinou a Lei de libertação dos escravos, mas não deu continuidade ao processo. Libertou e não deu condições de melhorias. Como alguém da noite para o dia vai arrumar emprego, ter onde morar, o que comer? É desumano!

E da mesma forma temos uma espécie de nova libertação, agora intelectual, não mais física. As cotas para os negros nas universidades. Novamente, é dado o primeiro passo e não se dá continuidade. O negro tem direito ao acesso à universidade, assim como, as pessoas que moram nas periferias e não tem condições de bancar seus estudos. Esse é o momento de dar a libertação intelectual. De dar fim ao sistema de melhoria a conta gotas. E solucionar um dos problemas que denigrem e escravizam moralmente cada cidadão.

Na primeira tentativa, a Lei Áurea, não teve sucesso. O que chamo de segunda tentativa, Cotas para negros nas universidades, aprovada pelo Senado é outro tiro no escuro. É necessária a reformulação da educação no país, é uma questão de cidadania. Todo brasileiro tem que ter acesso ao estudo quando criança. Para quando chegar à universidade ter condições de acompanhar naturalmente.

A falta da aceitação de que somos um país constituído por várias etnias, um povo de variadas características é um dos motivos que estagna o desenvolvimento social. É extremamente importante a aceitação e formação da identidade nacional. É injusta a imagem de que o brasileiro só sabe sambar (mulher) e jogar futebol (homem). Temos mais atributos do que essas duas marcas tão divulgadas. Diversas universidades estrangeiras se interessam em estudantes brasileiros justamente pela habilidade de enfrentar a diversidade e tirar vantagem dos obstáculos cotidianos. Isso não tem a haver com “jeitinho brasileiro” de trapacear, mas sim, de se esforçar e fazer coisas maravilhosas de onde ninguém consideraria possível.

Reconstruir a identidade do brasileiro é uma missão de todo o povo. Lutar pelo reconhecimento da real história. Aceitar o diferente, que é semelhante. Todos deveriam ser tratados igualmente nesse país. Porque o Brasil é um país democrata. E dar voz aos protagonistas de uma nova geração de brasileiros, que independente da cor da pele tem competência e podem evoluir na história.

Quem fez parte da criação do país, precisa fazer parte da história contada nos livros e nas mídias, de forma positiva. Tem que fortalecer a identidade e personalidade do individuo. O negro na história da colonização do Brasil não foi apenas um braçal escravizado. Ele literalmente foi o construtor de grandes edifícios e residências. Não eram engenheiros formados por falta de oportunidade, de estudo. Mas eram ótimos construtores.

Hoje, temos a oportunidade de juntar forças e fazer uma nova história. Muitos protagonistas da nossa história não estavam apenas nos quilombos, estavam em muitos outros lugares, que sejam hoje evidenciados, porque eles fizeram história. Infelizmente, abaixo de poder escravo, mas fizeram.

Em nome de um Brasil sem preconceito, com tratamento de igualdade e liberdade a todos, descubram suas verdadeiras identidades.


Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia.
Saiba como escrever na obvious.
version 4/s/sociedade// //Michelle Cruz
Site Meter