inconvencional

Tudo depende do ângulo

Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia

Paixão Relâmpago

Esse é o trecho da estória de uma jovem cheia de energia, que não era de ter expectativas. Ela apenas vivia. E como qualquer outra pessoa, ainda sim, ela tinha medos, questionamentos e receios. Entre encontros e desencontros ela foi entendendo seus sentimentos.


11124200_833559950065194_391572218_n.jpg Ilustração: Rogério Rocha (@gentilpirado)

Dois dias parece pouco, mas, as vezes, é o suficiente. Quase sempre, questiono o tempo, com relação ao ter muito ou pouco tempo pra se fazer as coisas. Eu me perco com meus questionamentos. O importante é que eu iria me divertir, iria curtir minha folga. Corri pro aeroporto, voei por 45 minutos e logo cheguei no Rio de janeiro. Parece pouco tempo pra aproveitar a praia, encontrar amigos, pra passear. E mesmo sendo, aparentemente, pouco tudo era possível. É pouco na minha mente que tem vontade de abraçar o mundo.

Fui à praia, conversei com o moço que vende biscoito e sustenta 8 pessoas na sua casa. Que moço dedicado! E eu? Eu estava preocupada com meu tempo, tomando sol, achando que me faltava tempo. E eu lá, na verdade, gastando o tempo. Batendo papo e dando risada. Estirada no sol de janeiro.

Depois de encontrar amigos e me divertir a maior parte do dia, ainda tinha tempo pra uma noitada. Lá fui eu pra balada. Foi no mês de janeiro, calor, pré-carnaval, terra do samba, o cenário perfeito. Rio Scenarium, pura alegria na Lapa. É marchinha, é samba, é funk, é forró, é tudo que mantem movimento, eu só queria dançar. Nada de perder tempo com “conversa de mineiro”, de ficar no cantinho o tempo inteiro. Mudei de pista, dei pista e voltei pra pista. O tempo continuava correndo, já estava na hora de ir embora. Fui pra fila pagar a conta, sinceramente desgostosa, porque eu queria ficar. Na sequência, fui puxada por um charmoso moço, que me fez voltar a dançar. Nada mal! Sem esperar me deu um beijo e eu embalei na brincadeira. Batemos papo por um tempo. Ele acabou contando que era mineiro, eu entendi a boa prosa. Acho que a esperança dele era conhecer o mundo inteiro em um só dia, coisa que comigo nunca funcionou. Nem todo mundo sabe da minha regra. Ele me viu dançando nem imaginou, que comigo “Senta no sofá e mantem a conversa, porque antes de cama é preciso saber se comportar no sofá”. Acham que é piada, mas eu falo sério! Eu não sou beata, mas gosto de ser bem tratada. Eu não sou um objeto, eu sou uma pessoa com sentimentos. Quem não me respeita e não entende, não merece estar no meu meio.

É por isso, que gosto da vida sem expectativas, mesmo com pouco tempo, foi muito bom! No máximo 4 horas de uma paixão relâmpago, num cenário lindo, que parecia que iria continuar. E anotados os contatos, precisava ir embora. Ele ainda me acompanhou até o prédio. E já passava das duas horas da manhã, eu precisava descansar. Despedi dele rapidinho. Era hora de pausar.

Acordei no dia seguinte, corri pro aeroporto. Voltei voando pra minha rotina, tinha que trabalhar. E assim seguiu os dias na loucura habitual. Acordando de madrugada, vendo voo indo e vindo com a sensação de que nada parava. Entre conversas ao telefone, comentários de posts, foi crescendo a curiosidade da paixão de janeiro.

Era quase fevereiro, decidi que era hora de Curitiba visitar. Afinal, ele mora lá, o charmoso mineiro. Pensei logo, em mais dois dias de folga. Eu pensando que era pouco tempo, mas, ao mesmo tempo, não era. Tudo que é novidade, pra ter gosto de saudade uma hora tem que pausar.

Chegou o dia da viagem, penúltimo final de semana de fevereiro, voei por 45 minutos e cheguei em Curitiba. Como andando no escuro tive medo. Estava com medo de me machucar. Talvez, não fosse o momento, o jeito certo, sei lá, mas fui com a cara e coragem. Mais de cara do que coragem, pra ser sincera. Era hora de desbloquear e aproveitar.

Fiquei horas esperando o tempo passar, foi tanto o sossego que acabei por deitar. Dormi um sono tenso, ansiosa, queria o encontrar. E quando chegou a hora, abri a porta e nem sabia o que falar. Ele rápido me deu um beijo, resolveu o meu desespero. Consegui me acalmar.

Passeamos, conversamos e comemos. Nem tudo chegou a um consenso. O que valeu foi o conhecimento um do outro. Independente das verdades impostas por cada de nós. Ele livre sem preconceitos e eu com certos dogmas. O que foi real, o que me prendeu a ele foi o jeito, o beijo, a conversa. Foi uma paixão relâmpago, não era amor, não tínhamos convivência. Eu tinha um bom sentimento, talvez, não sentíamos o mesmo. Falamos de sonhos e planos individuais, que chegaram a se concordar. Iriamos à Paris na mesma época. Coincidências engraçadas, nada de planos juntos. Parecia que nem tudo foi do jeito que cada um queria, mesmo assim, eu queria continuar a manter contato. Dei tchau pra Curitiba, voltei novamente pra minha rotina, pra labuta continuar.

E foram correndo os dias, trabalhando, organizando a viagem, trocando mensagens. Até chegar o assunto que a nossa viagem já não mais coincidia. Eu iria em maio e ele só junho. É o destino quem manda nisso tudo, e só restava seguir em frente, tinha muita coisa pra preparar.

Antes da viagem apareceu uma oportunidade de trabalhar em Curitiba. Eu logo animada fui falar com meu chefe pra agilizar. Ele disse que iria pensar. A futura chefe animada disse que gostaria de me entrevistar. Mas, meu chefe achou por certo não me aprovar. Não entendi o bloqueio e continuei a me organizar, pra viagem. A seleção foi em maio, no mês das minhas férias, foi impossível participar. O que é pra ser acontece, o resto fica pra trás e o melhor a fazer é não olhar pro que passou com remorso.

E o tempo passou tão rápido que já era maio. Lá fui eu pra Europa usar o francês decorado via skype com a minha amiga que estava lá, na França. Amigos nessa hora é como porto seguro, ainda bem que ela estava me esperando. E o que importava era que iriamos festejar nosso reencontro depois de longos anos.

Nessa experiência ri muito, foi uma grande aventura, verdadeira loucura de novata. E também chorei muito com medo de errar. E errei e mesmo assim consegui dar risada. Já era de se esperar, eu que sou pouco dramática (ironicamente falando). Como uma boba nas pegadinhas da vida, eu vivo apanhando. Repetindo as mesmas bobeiras, nas mesmas situações. Que feio! A vida ensina, eu acho que estou aprendendo. Uma coisa é certa, nunca mais vou deixar de provar por medo de errar ou chorar. Se pensar no que eu me tornei no final daquela experiência, tenho que concordar, valeu cada lágrima. Hoje, rendem muitas risadas. Agora toda vez que sinto medo, começo a rir antes de superar a situação que me incomoda, depois choro. Mas, no final, tudo se encaixa. É sempre esse o processo.

Depois de 18 dias viajando por Lyon, Barcelona, Mônaco, Nice, Cannes e Paris, ufa! Arrumei tempo pra chorar. O lugar é perfeito, já não queria mais voltar. Será que um dia eu vou morar lá? Eu sou uma sonhadora! Quem não sonha grande, não realiza nem as pequenas coisas!

E novamente, voltei pra minha rotina, sem muitas mensagens e com muitas contas pra pagar. Gastei tudo o que eu tinha e não tinha na Europa. O que importava é que tinha muitas boas histórias pra contar. Valeu cada centavo gasto. Muitas emoções nessa viagem.

Foram se passando os dias, eu que não era de ter expectativas, estava a espera do mineiro me ligar. E nada acontecia! Outras situações foram aparecendo e eu precisando resolver, comecei dar um novo rumo na minha vida. Resolvi que precisava me mudar, precisava de um novo começo. Resolvi de uma seleção participar. Foram várias as opções de novo endereço e nenhuma era perto da família. Imaginei como seria a mudança em cada um dos novos lugares e decidi por Natal/RN. Logo no extremo, era o que parecia mais fácil e certo pro momento. Passei quietinha todas as etapas e ganhei o meu prêmio: Fui promovida!

Um mês antes de me mudar, recebo um telefonema, o mineiro pra atualizar. Não acreditei, ele estava vindo pra São Paulo e queria conversar. Destino arrebentando com as minhas vontades e tornando realmente dura a minha jornada. Eu contei que tinha novidades, da mudança de cidade, ele no primeiro minuto pareceu não gostar. Mas, muito educado, ficou firme, demonstrando-se feliz disse que era o melhor pra mim. Parabenizou! E a conversa logo se findou.

Fui embora pra Natal, dois dias lá, ele me mandou uma mensagem, que estava desembarcando na minha cidade natal. E eu fiquei mal por alguns dias. Já tinha decidido o que eu precisava, na verdade, não era exatamente o que eu queria. Enfim, eu tinha um caminho pra trilhar.

E eu fiquei pensativa. Poderia ter ficado a amizade, eu gostava do papo. Mas, acho que não era o que ele pensava. Caso contrário, ele manteria contato. Lá eu sei o que ele pensava. O fato é, que fiquei sem explicação. Senti falta da amizade de quem me disse muitas boas verdades e...

Essa foi minha paixão relâmpago. Que feito um estalo, apagou, acabou!


Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia.
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