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Tudo depende do ângulo

Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia

Quem é João Paulo Miranda Maria?

Como a maioria dos meninos brasileiros ele sonhou em ser jogador de futebol. Ele é apaixonado por cinematografia. E seus trabalhos são reconhecidos internacionalmente.


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Imagem: Site Guia Rio Claro

João Paulo Miranda Maria é um sonhador, um homem aparentemente comum. Um professor universitário. Casado com Fernanda e pai de dois meninos lindos. A primeira vista, ele parece mais um brasileiro no meio da multidão, mais um simples sonhador. Vendo-o trabalhar e assistindo suas produções pode-se entender o que é amor à arte. Na realidade, ele não é apenas um sonhador, ele é um empreendedor, um sonhador-visionário. Ouvi-lo falar de cinema é fazer uma viagem no tempo, em seu mundo criativo. Algumas pessoas não acreditavam que ele poderia trabalhar com cinema no Brasil. Mas, ele sempre acreditou no seu sonho e tem investido no seu talento.

JP nasceu em Porto Feliz, cresceu em Rio Claro. Ele é filho de José e Sônia, comerciantes donos de um restaurante, que sempre o apoiaram em seus sonhos.

Como todo menino brasileiro, ele sonhava em ser jogador de futebol. Na adolescência, ele começou a desenvolver sua habilidade de desenhar e adorava ler Histórias em Quadrinhos. Com o tempo, ele foi aperfeiçoando a produção dos seus desenhos e teve a oportunidade de trabalhar em uma agência de publicidade, fazendo HQ. Através dessa agência, conheceu um professor da Universidade de São Paulo com quem teve um curso sobre roteiro para HQ, seguindo os fundamentos do roteiro para cinema. Essa experiência despertou sua paixão pela cinematografia. E nesse processo de aperfeiçoamento dos seus talentos, ele tinha o costume de sair de bicicleta pelas ruas, fotografando cenas e pessoas. Imaginando um enredo para cada uma delas. Essa mania é um dos seus hobbies. Seu hobby é o exercício que o ajuda na composição de seus trabalhos.

Em meio as descobertas da sua paixão pelo cinema, assistindo o filme “Uma Odisseia no espaço”, de Stanley Kubricke, ficou fascinado. E continuou sua busca por mais informações, mais filmes. Influenciado pelos filmes do cineasta americano, contagiado pela vontade de fazer um filme, por volta dos 16 anos, junto-se com os amigos da escola para fazer sua primeira produção. Fez contato com atores, com profissionais que trabalhavam com filmagem para realizar o seu plano. E conseguiu a participação dos profissionais sem nenhum custo. Nessa época ele não tinha muito conhecimento do que era uma produção cinematográfica, porém, já era movido pelo espírito empreendedor.

Durante a faculdade, morando no Rio de Janeiro, teve a oportunidade de estagiar em uma grande rede de televisão. Ele aprendeu muitas coisas com as experiências que teve no Rio de Janeiro, porém, ainda não era o que ele queria. Ele voltou a morar em Rio Claro e decidiu fazer mestrado na Unicamp. O tema de sua tese foi sobre o Coletivo do soviético Dziga Vertov, projeto criado por Luke Jean Godar, em 1968. Essa experiência abriu novas direções para o cineasta brasileiro.

O jovem cineasta maravilhado com suas descobertas no mestrado, em 2005, criou o Coletivo Kino Olho. Um grupo que se reunia para compartilhar informações e experiências sobre cinema durante as sessões de um antigo cineclube, uma parceria com o Centro Rioclarense de Estudos Cinematográficos.

Em 2009, João Paulo participou do Mobile Phone Movie Competition, produzido pela CNN. E conquistou o primeiro lugar na competição com o vídeo “A girl and a gun”.

E além da produção de belíssimos trabalhos, o Coletivo Kino-Olho tem um papel social importantíssimo, que é o de compartilhar o conhecimento da arte cinematográfica. O grupo é formado por profissionais da área de cinema e por leigos também. João Paulo considera importante a participação da comunidade na propagação do cinema no país. E a forma dele colaborar com nesse processo é ensinando pessoas que não tem acesso a este tipo de estudo.

E as atividades do Coletivo Kino-Olho tem provado que a dinâmica inclusiva pode render bons resultados. Em 2015, eles produziram o Curta-metragem “Command Action”, que foi exibido na Semana de Crítica, no Festival de Cannes 2015.

É uma história, de 14 minutos, que gira em torno de um garoto que vai comprar legumes para família na Feira do Cervezão (Feira Popular de Rio Claro) e algo acontece e muda seus planos. O protagonista da trama é um estudante da rede municipal de Rio Claro, o David Martins, que para continuar com o papel na trama melhorou suas notas na escola. Rendendo bons resultados, muito aplicado e dedicado na escola e nas gravações.

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Imagem: Arquivo Coletivo Kino-Olho

O Coletivo Kino-Olho tem crescido com a direção de João Paulo, com sua visão empreendedora. Seus projetos são desenvolvidos com o apoio da lei de incentivo à cultura, pela Lei Rouanet. Porém, muitas pessoas desconhecem a lei e como poderiam colaborar. A produção de cinema tem alto custo. Boa parte dos projetos que eles já produziram vieram através da contribuição dos participantes do grupo, da venda de rifas e a colaboração de alguns comerciantes da cidade de Rio Claro.

O João Paulo é um cineasta, sonhador-visionário, empreendedor. Um brasileiro do interior mostrando ao mundo o seu trabalho. Ele tem provado que é possível realizar sonhos!

Vamos nos inspirando e acompanhando essa maravilhosa história de conquistas do João Paulo e do Coletivo Kino-Olho. Como diz o ditado popular "muitas águas vão rolar", tem muitas histórias e estórias por vir!

Saiba como Pessoa Física pode colaborar com esse tipo projeto, acesse Lei Rouanet.


Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia.
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