inconvencional

Tudo depende do ângulo

Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia

A hora certa é agora!

As vezes, precisamos de um amigo pra nos ajudar a pensar ou precisamos de alguém pra nos ouvir. Em outros momentos, precisamos ter um tempo a sós pra se entender, pra encontrar o nosso "eu". Mais um capítulo da estória da vida de uma jovem mulher aventureira.


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Há algum tempo atrás eu estava me sentindo perdida. E pensando e repensando na vida, não me achava preparada para tudo o que estava acontecendo a minha volta. Fiz tantas suposições, falei tanta coisa que no final acabei voltando atrás com o que havia dito. Depois de tanta negação eu assumi que o meu melhor momento é agora! É sempre tempo de viver tudo que a vida nos oferece, seja bom ou ruim. O meu desafio de vida é crescer com todas essas novidades que, as vezes, considero como dificuldades. Por mais que eu não entenda e aceite! Tenho que viver o meu melhor, diante das adversidades e, mesmo assim, realizar meus sonhos. Ainda não sei como se coloca tudo em ordem. Enfim, como diz o ditado, "no final tudo dá certo", não é? (risos)

O que me levou a ter essa reflexão...

No ano passado, durante uma viagem à França conheci o homem da minha vida, o meu marido, numa situação muito inusitada.

Era meu dia de folga, pois fui à Paris para participar de uma feira de cosméticos. E resolvi fazer um tour pela cidade. Como toda boa turista, comprei o meu ticket para um dia de passeio naqueles ônibus de dois andares, eu estava muito animada! Fazia tempo que eu estava esperando por aquele dia.

Só tinha um detalhe, meu francês sempre foi péssimo, e pra ajudar sou muito atrapalhada, especialmente quando estou ansiosa. Eu queria chegar no Arco do Triunfo, em um dos pontos de partida do ônibus que faz o tour pela cidade. O hotel que eu estava hospedada era próximo ao aeroporto, foi uma estratégia da empresa para facilitar nossa locomoção e saída da cidade. Só que ficava distante das atrações turísticas. O que me importava era sair e conhecer o lugar. O espírito aventureiro estava pairando sobre mim aquele dia. Consegui comprar o ticket do metrô e segui para o meu destino.

Quero dizer, eu parti para o meu destino, mas não cheguei aonde planejei ir. Em uma das baldeações do metrô, li rapidamente na placa "Arc..." (Arco) e segui para a linha. Quando sai do metrô tinha um enorme arco, só que era o Grande Arco de La Defense, eu estava na área empresarial de Paris. E já que estava ali, resolvi dar uma volta, tirar fotos, registrar meu momento perdida em Paris. Era nítido que eu era uma turista perdida, a maioria das pessoas estavam vestidas com roupa social. E eu? E eu de vestido florido, de chapéu e com o mapa na mão.

Eu estava tão maravilhada com aquele lugar que não percebi o degrau da escadaria e cai. Acabei empurrando um homem que estava na minha frente. Foi um vexame! Que vergonha! Todo mundo me olhando. Eu queria sumir dali, mas o susto com o tombo foi tão grande que eu não consegui levantar. E nisso, o homem que eu empurrei ficou bravo, e mesmo reclamando, me ajudou a levantar. Ele falou algo em francês e eu não entendi. Mas, agradeci, "Merci". Ele me olhava sério e eu fiquei em choque. Não sabia o que falar. E ele me perguntou de onde eu era, em inglês. Daí, eu entendi e disse que eu era brasileira. Logo, ele riu e disse em português que também era brasileiro. E começamos a rir! Foi a cena mais engraçada e dolorida da minha vida.

Ele me convidou para tomar um café e fomos. Rimos e conversamos sobre várias coisas, o papo foi tão bom que marcamos de jantar naquele dia. E o que foi um encontro brusco e sem explicação começou a ter muitos significados pra nós. Eu já nem me lembrava mais do Arco do Triunfo, estava envolvida com a nova amizade que descobri indo pro caminho errado.

É engraçado como consegui chegar no destino certo, mesmo indo pelo caminho errado. A frase "é errando que se acerta" faz todo sentido quando penso no que passei. A vida realmente é uma caixinha de surpresas, é engraçada!

E depois de um dia intenso, cheio de novidades, cada um seguiu o seu caminho. Ele continuou em Paris e eu voltei pra São Paulo. Mesmo longe mantemos contato, foram cinco meses de conversas por skype e cinco encontros pessoalmente, que ele veio ao Brasil.

Após muitas conversas, decidimos nos casar! Foi uma fase complicada, minha família e amigos não achavam certo e normal a nossa decisão. E com isso, eu parecia um poço de dúvidas. Acordava e dormia me perguntando, "será que meu momento é agora?". Eu fiz até uma listinha com tudo que eu gostava e não gostava nele. Pareceu estranho listar as qualidades e defeitos dele no papel, mas me ajudou a decidir. E por outro lado, muitas das coisas que eu coloquei na listinha que não gostava nele, em conversas percebi que eu não era muito diferente dele. Foi estranho e fortalecedor essa experiência à distância. E o amor que nasceu entre nós foi tão grande que um dia eu me olhei no espelho e afirmei pra mim "Meu momento é agora!". E parei de me questionar, ignorei quem não entendia as minhas razões, que para mim eram claras, de eu ter decidido seguir um novo caminho.

Nosso casamento foi bem simples. Fomos pro cartório e organizamos um almoço para os familiares e amigos mais íntimos. Nossa lua de mel foi num Resort no interior de São Paulo e logo fomos para Paris. Ele tinha que voltar a trabalhar.

Voltar a Paris casada foi mais divertido. Foi uma fase cheia de novidades. Eu estava assumindo a vida de dona de casa, vivendo em uma nova cultura. Cheia de desafios! O que importava é que estávamos felizes.

Nos primeiros seis meses, estudei o idioma, fiz cursos de artes. Fiz contato com diversas empresas, mas não consegui trabalho. Eu era uma estrangeira com uma boa bagagem, mas não dominava o idioma. Foi uma fase difícil. Cheguei a pensar que tinha feito tudo errado, deixei pra trás 15 anos de experiência profissional por um amor.

Eu vivia chorando pelos cantos sem que meu marido me visse, mas um belo dia, ele me viu chorando. E eu de forma desesperadora me desmontei na frente dele. E comecei a falar tudo que eu estava sentindo. Que eu o amava mas que estava com medo. Estava me sentindo inútil sem exercer minha profissão. E que não estava feliz com aquilo. Ele me questionou se meu desespero me fazia ter vontade de voltar atrás. Eu disse que, as vezes, pensava nisso sim. E ele me abraçou e disse que eu precisava ter um pouco mais de calma. Que eu, de fato, havia feito uma mudança radical na minha vida. E que eu precisava apenas acreditar que com o tempo e minha dedicação tudo iria se encaixar, e os dias seriam melhores.

Passaram mais seis meses, eu estava mais solta na cidade, fiz novas amizades. E ainda não tinha um emprego. Eu tinha feito alguns cursos de artes e aproveitado o tempo livre para conhecer a cidade.

Com um pouco mais de um ano morando na França, uma amiga brasileira me mandou uma mensagem dizendo que queria me visitar. Fiquei muito animada! Essa amiga foi pra me ver e tinha outros interesses também, ela me pediu pra fazer contato com algumas pessoas e entidades para apresentar o trabalho dela. Ela é pintora e escultora, faz trabalhos belíssimos!

E com esse favor que fiz pra ela, eu tive a oportunidade de conhecer novas pessoas na área de artes. E até essa época eu não tinha compartilhado com ninguém os meus trabalhos, as minhas criações das aulas de desenho. Nem para o meu marido eu tinha mostrado todas as minhas artes. Eu me sentia pequena diante de pessoas tão experientes. E durante um café com um produtor de eventos, ele insistiu pra ver meus rabiscos e se apaixonou. Logo, organizou um vernissage para apresentação de novos talentos. E lá estavam meus trabalhos expostos. Fiquei muito orgulhosa!

E foi sem perceber, sem esperar, que o meu novo momento havia chegado. Sem perceber eu tinha uma nova profissão. Fiquei novamente motivada. Estava me sentindo pronta!

Com as minhas experiências percebi que meu momento é sempre AGORA, e não importa o que eu esteja fazendo. Eu só preciso estar fazendo algo. Que Deus, o universo, o tempo farão com que tudo dê certo, na hora certa!

Meu momento é agora! Onde eu estou, poderá ser amanhã também, mesmo que eu esteja no silêncio total ou passando por uma tempestade horrível. Saber decidir o agora é afirmar o melhor momento do amanhã.

É por isso que minha avó insistia em dizer "É pra ser feliz agora, minha filha!", e eu a ouvia mas não a entendia!


Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia.
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