inconvencional

Tudo depende do ângulo

Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia

Entre a bagunça e a organização que se encontra a felicidade

Aprendi com a minha avó na cozinha, colocando a mão na massa e ajudando, que é entre a bagunça e a organização que a vida se molda até ser perfeita, cada um a seu modo. Porque felicidade é fazer o que ama, experimentando o novo, sem se acomodar, sem ficar resmungando.


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Temos o costume de criar padrões para definir o que é bom, acreditando que a nossa maneira de agir é a melhor e a mais correta. Esquecendo que as pessoas a nossa volta tem experiências únicas e diferentes maneiras para ser feliz. Sem contar que felicidade é um tema amplo e relativo, cada um tem a sua referência sobre o que é ser feliz.

Na tentativa de entender o que é felicidade, posso dizer que felicidade é uma conquista. Conquista é algo que a gente consegue porque gosta e dá valor. Valor para alguns é dinheiro e para outros é ter bom caráter. O que torna impossível chegar a um consenso sobre o que é felicidade comum a todos.

E como todos estão sempre em busca da felicidade, é óbvio que ninguém tem uma vida perfeita e feliz o tempo todo. Toda pessoa passa por períodos ruins e o que define se essa pessoa continuará ou não vivendo um momento ruim é a forma com que ela decidi enfrentar cada desafio.

Algumas pessoas podem não assumir, mas, nós decidimos nossa vida "olhando na casa do vizinho". Sim, comparamos as nossas vidas o tempo todo com a dos outros. Pode não ser realmente o vizinho que mora ao lado da nossa casa, mas, será analisando a vida das pessoas que chegaram onde sonhamos ou evitando o comportamento das pessoas que chegaram onde não queremos estar.

A velha história de que a "grama do vizinho é sempre mais verde" ou que "a minha família é perfeita, mas, a família dos outros é que tem problema.

Quando falamos das nossas preferências, falamos do que experimentamos, do que vimos no outro e almejamos ou desgostamos.

Se eu gosto de cozinhar, vou adorar ter vários utensílios domésticos na minha cozinha. Vou adorar assistir programas de culinária. E quando eu deixar a cozinha na maior bagunça com a mesa farta de comida gostosa não vou me preocupar com a sujeira. Porque sei que faz parte do final feliz ter a cozinha toda suja. E estarei feliz de qualquer maneira, porque faço por amor. Mas, as minhas preferências diante de uma pessoa que adora limpeza e não gosta de cozinhar será horrível.

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E se eu convidar essa pessoa que adora limpeza para jantar na minha casa ela vai adorar a minha comida. Mas, vai ficar horrorizada de ver a bagunça que faço e vai me achar desorganizada. Talvez, saia da minha casa falando mal da minha maneira de cuidar da cozinha. E serei considerada boa e ruim pelo mesmo motivo: Boa por preparar bons pratos e ruim por deixar a cozinha bagunçada. Só porque essa pessoa nunca experimentou a alegria de cozinhar e prioriza a limpeza. Já viu esse tipo de situação?

Pois bem! Uma pessoa não é igual a outra, cada um tem os seus desejos ou vontades, obrigações ou deveres. Cada um tem a sua função social que não é igual a todos. Muitas vezes, o que é bom para mim não vai ser bom para o outro. E em nenhum momento poderemos dizer que um lado é certo e o outro errado. Eles são apenas diferentes.

A tolerância e o respeito começa em se fazer o que gosta e progredir. Olhar a vida do outro faz parte do processo de moldar a própria vida. Entendendo que julgar ou condenar o outro lado não é correto e nem benéfico pra ninguém.

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Foi na cozinha com a minha avó que eu aprendi grandes lições. Ela dizia: "a bagunça faz parte da organização, quer comer bem, vem me ajudar, vem sujar a mão na pia. Você sentada me olhando a comida demora pra terminar e você fica achando que tudo é mágica".

A minha avó me ensinou a experimentar as opções da vida, sem rotular o que eu não gosto como se fosse algo ruim ou errado. Quem opta por algo diferente do que eu gosto não pode ser considerado errado, apenas diferente do padrão que acredito ser correto.

É entre a bagunça e a organização que a vida vai se moldando. É na imperfeição que a vida pode ficar perfeita. Perfeita ao modo de cada um.


Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia.
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