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Tudo depende do ângulo

Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia.

Super Maravilhosa: A cerveja e o toque feminino

O universo cervejeiro sempre teve a presença feminina, mas, pouco se fala sobre isso! Você sabe quem produzia a "bebida divina" quando foi descoberta a cerveja? Você sabe quem acrescentou lúpulo na cerveja? Pois bem, está na hora de saber! Para ser bom degustador da bebida não basta gostar de beber, tem que conhecer a história.


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Por muito tempo, o universo cervejeiro foi rotulado como um ambiente exclusivamente masculino, mas, ultimamente, esse rótulo está se desfazendo. E não é apenas porque as mulheres estão começando (agora) a tomar lugar de destaque na sociedade, em pleno século XXI. E sim, porque atualmente é muito mais fácil ter informações sobre diversos temas pela internet e a abertura de inúmeras cervejarias tem aguçado a curiosidade e necessidade de saber mais sobre a história da cerveja, com isso, as mulheres estão sendo reconhecidas e valorizadas pelo que já fizeram no passado. Reafirmando que a presença de mulheres fortes em diferentes posições e ações na sociedade é história antiga.

A descoberta da cerveja foi acidental, diversos estudos arquelógicos descrevem que um tipo de bebida muito parecida com a cerveja foi produzida pelos Sumérios, por volta de 9.000 a.C., logo após o surgimento do pão. Os povos sumérios perceberam que a massa do pão, quando molhada, fermentava e produzia um líquido saboroso, que eles chamavam de "bebida divina". A cerveja naquela época era tão importante que servia como moeda corrente.

Naquela época, a produção de pães era uma atividade caseira, uma responsabilidade das mulheres e não dos homens. A descoberta da cerveja não se atribui à uma pessoa, mas, é fato que as mulheres é quem já lideravam a maneira de tornar a bebida mais agradável para o consumo.

Avançando na história da cerveja, seguindo para a Idade Média, no século XII, uma mulher teve destaque no universo cervejeiro, com a presença da Monja Hildegarda Von Bingen. A Monja conquistou diversos títulos ao longo de sua vida, era uma monja beneditina, mística, teóloga, compositora, pregadora, naturalista, médica informal, poetisa, dramaturga, escritora alemã e mestra do Mosteiro de Rupertsberg em Bingen am Rhein, na Alemanha. E em 2012, foi proclamada pelo Papa Bento XVI como doutora da Igreja. Ela foi a quarta mulher a ter esse reconhecimento, entre 35 nomes.

hops-2676766_1920.jpg A planta de lúpulo

Na Idade Média, as mulheres eram consideradas "homens inacabados", seres incapazes de pensar. E foi nesse cenário que a Monja Hildegarda decidiu seguir a vida religiosa no monastério, o que deu a ela a oportunidade de estudar mais do que as outras mulheres e se desenvolver intelectualmente.

Segundos os estudos sobre a história da cerveja, a Monja foi a primeira pessoa a descobrir os benefícios do lúpulo na receita da cerveja. No livro Physica Sacra, que significa "O mundo natural", ela cita "De Hoppho" que quer dizer "Sobre o lúpulo", diz que a planta: "É quente e seca, e tem umidade moderada, e não é muito útil para beneficiar o homem, porque faz crescer melancolia no homem e faz a alma do homem triste e pesa seus órgãos internos. Mas, no entanto, como resultado de sua própria amargura, mantém algumas putrefacções de bebidas, a que pode ser adicionado, para que elas possam durar muito mais tempo". Apenas essa informação não prova o uso do lúpulo na cerveja. Mas, já no capítulo posterior, a abadessa escreveu: "Se você também deseja fazer cerveja com aveia sem lúpulo, você deve ferver depois de adicionar um número muito grande de folhas de cinzas. Esse tipo de cerveja purga o estômago do bebedor e torna seu coração leve e alegre." Essa parte final, mostra que ela fazia experiências com uso do lúpulo na cerveja.

O uso do lúpulo na cerveja, não tem mais do que mil anos, mas, é um ingrediente importantíssimo, especialmente, para os consumidores que apreciam o aroma, o amargor, o sabor e mais o benefício de conservar a bebida. Sem contar que as cervejas lupuladas ajudam a limpar o paladar e harmonizam bem com pratos condimentados.

Atualmente, o número de mulheres atuando nas cervejarias ainda é pequeno. Fica aqui motivos de motivação para que as mulheres que são apaixonadas pela bebida, busquem conhecer mais o mercado cervejeiro e, quem sabe, se tornarem Mestre Cervejeiras e trazerem mais novidades para a mesa dos consumidores.

E aqueles que não sabiam da ação feminina na história da cerveja, devem pedir perdão pra Santa Hildegarda Von Binden, pelo pecado de blasfêmia, por dizerem que o universo cervejeiro é só dos homens.

Fica a dúvida, como seria a cerveja sem participação feminina?


Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia..
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