inconvencional

Tudo depende do ângulo

Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia

Seja resistência com coerência

Resistência não é apenas se opor, ser contrário a algo ou alguém. Resistência é agir com ética. É ser justo independente de interesses pessoais. É valorizar o bem coletivo, respeitando as diferenças étnicas, seja numa manifestação popular ou nas reuniões familiares. O que mais importa é a raça humana. Resistência sem coerência só faz barulho e tumulto. O Brasil precisa de pessoas que resistam as pequenas corrupções diárias. Seja resistência diante de qualquer tipo de incoerência!


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A frase de confronto “Se fere a minha existência serei resistência” é uma contestação a tradição de algo que está ferindo a liberdade de alguém ou de um grupo. Geralmente, o confronto no cenário social é por uma disputa de poder. No cenário brasileiro são claras as diferenças entre as classes sociais. Numa sociedade capitalista ter dinheiro é poder. Como se invalidasse o conhecimento e a sabedoria de um povo.

As divisões de classes, as divisões de ordem financeira não legitimam o poder intelectual de um grupo. Nem sempre quem é mais favorecido financeiramente é inteligente, como também, quem é menos favorecido é mais ignorante. As classes mais desfavorecidas que eram tidas como ignorantes, hoje, tem mais acesso à informação. Esse avanço fez com que muitas das tradições e regras sociais fossem questionadas. E isso tem gerado resistência. Essa é a razão de existir de vários grupos de ativistas.

Através da história de ativistas como Angela Davis, Martin Luther King e Rosa Parks percebe-se o verdadeiro poder da persistência por uma sociedade igualitária. Que nada se relaciona com dinheiro, e sim, com união de pessoas focadas em um objetivo para o bem coletivo.

A ativista Angela Davis em entrevista para Frank Barat (em Paris, em 2014), referindo-se ao poder das manifestações populares, disse “Toda mudança ocorrida foi consequência de movimentos de massa — desde a época da escravidão, da Guerra Civil e da participação do povo negro nela, realmente determinou o resultado. Muitas pessoas têm a impressão de que Abraham Lincoln quem desempenhou o papel central e, de fato, ele ajudou a acelerar o passo no sentido da abolição. Mas a principal responsável pela vitória contra a escravidão foi a decisão por parte das pessoas escravizadas — tanto homens como mulheres”.

Historicamente, a resistência com propósito rendeu resultados positivos.resistência2.jpg

Em dezembro de 1955, a ativista e costureira Rosa Parks tomou a decisão de dar um basta a Lei que proibia os negros de ficarem sentados no ônibus se tivesse algum branco em pé. Ela descumpriu a Lei e foi presa. Os negros se uniram e durante 381 dias não utilizaram os ônibus. Até que a Lei foi extinguida. A união do povo teve poder.

Em 1965, Martin Luther King liderou a Marcha de Selma Montegomery, o movimento buscava o direito ao registro eleitoral. Os negros tinham o direito ao voto, porém, eram impedidos de entregar seus documentos para formalizar o registro. Após 3 marchas, uma delas conhecida como "Domingo Sangrento", em que os policiais atacaram os negros e todo país teve conhecimento das atrocidades através dos meios de comunicação. Com a repercussão do acontecimento, muitas pessoas de diferentes etnias e religiões decidiram se juntar ao movimento em Selma, e marcharam pelos direitos dos negros. Novamente, a união do povo teve poder. Toda pessoa que ignora um discurso ativista, sem conhecer sua história, corre o risco de se tornar vítima de seu próprio descaso. Antigamente, apenas os negros sofriam com as retaliações nos bairros periféricos. Hoje, os bairros periféricos estão povoados por pessoas de variadas etnias. Os desfavorecidos já não tem apenas um tom de pele, está aumentando o número de vítimas, basta estar nos ambientes marginalizados.

Resistir ao Sistema que é injusto é obrigação de todo cidadão comprometido com o bem do coletivo. Isso não se faz apenas em dias de manifestação. Resistência deve ser um ato consciente no convívio familiar, na roda de amigos e no ambiente profissional.

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É preciso resistir a vontade de tirar vantagem em tudo. Resistir a corrupção diária que começa nos lares extremistas. Daqueles que só ajudam os amigos e os familiares, os que assistem calados os pequenos delitos e não corrigem seus "queridos", achando que não é nada demais. A índole e o caráter são moldados nos lares, com o apoio dos pais ou pelo abandono dos mesmos.

No outro extremo, as famílias que não valorizam seus familiares e amigos, aqueles que desprezam e abandonam filhos, que desmotivam as pessoas sonhadoras, que acreditam que sucesso depende só de dinheiro. Que não acreditam no poder da união, que são egoístas e não ajudam as pessoas do próprio sangue, supervalorizam marcas e celebridades.

O Brasil é a nação da miscigenação, uma sociedade diversa, formada por pessoas com verdades e experiências muito distintas. Será sempre complexo lidar com essa situação. Nessa desarmonia, os extremos precisam criar um pacto de vivência, regras para respeitar o direito do outro.

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Quem decidi ser resistência tem de ser coerente, levantar fatos, argumentos, buscando realizar sonhos pessoais e/ou coletivos. Resistência não é ser contra ideias ou pessoas contrárias, é sim, ser a favor do coletivo. É estudar, é trabalhar, é persistir contra Leis injustas, é se tornar referência no que faz. É provar sua existência com atitudes produtivas. Seja recolhendo recicláveis nas ruas ou presidindo uma empresa, todos fazem parte do processo de reconstrução de uma cultura, de valorização de um povo, da criação de uma nova tradição.

Quem não é resistência por algum ideal é um silenciador-opressor, anulando a existência de outros por fraqueza do ego. Essa é uma posição que pode sofrer inversão, os silenciadores de hoje podem se tornar as vítimas de suas próprias opressões amanhã. Como diz o ditado popular, o ditado chinês e que até se encontra na Bíblia: "O que se planta colhe". O tempo e a história vai mostrar o que cada um merece, essa é uma regra pra vida.


Michelle Cruz

Em formação na escola da vida, uma artista-arteira, e também, comunicóloga. Fazendo da sua vida uma obra-prima, falando da vida e do mundo que a influencia.
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