Mariah Costa

Escreve crônicas (e outras coisas) no blog Tempo Verbal (link no perfil). Estudante de Jornalismo, mais romântica do que gostaria, a mais velha de três filhas. E sim, é Mariah: lê-se Mariá.

Oi? Quem é você?

"Nem amigos, nem inimigos, apenas estranhos com algumas memórias."

                   

100e16fab34377e9c7ae16e164f1b788.jpg

Só me diga, foi tudo na minha cabeça ou realmente aconteceu? Eu te conheci? Eu sabia quem você era? Sabia teus gostos, tuas vontades, teus olhares? Agora acho que não. Desconheço tuas manhas e teus caprichos, e faz tão pouco tempo. Imagine só quando os meses começarem a passar; seremos totais estranhos. Confesso estar ansiosa. Tirar o teu cheiro das minhas roupas e tuas mãos da minha pele vai levar algum tempo; quero que acabe logo, quero que a vida te leve pro lado de lá, o que você escolheu.

 Fico aqui tentando entender quando foi que mudou que eu não vi, cega pelo que eu chamava de amor e agora chamo de vício em histórias. Fico aqui tentando colocar o dedo no ponto em que você se tornou alguém completamente indiferente e desconhecido, porque sim, isso não começou agora, nós sabemos bem. Em meio aos beijos cheios de paixão eu calava a voz que gritava que eu estava em braços estranhos. Tudo está e será como foi da última vez, só que com uma diferença: dessa vez teve um ponto final. Paramos de nos falar em um dia e no outro já era como se nada houvesse acontecido, uma completa história de amor que poderia dar um livro totalmente ignorada. Da primeira vez, pedimos por amizade, mas o sentimento que restava nos afastou; e agora, nem isso reivindicamos, apenas que não restasse ódio porque no fundo sabemos que não há mais nada para falar, nem amigos, nem inimigos, só não sei se desconhecidos. É o que mais me dói. Não te conhecer. Admitir que depois de tudo, eu não sei quem você é e isso só piorará com o passar do tempo.

 Quero que o acaso te leve para longe, te faça conhecer lugares distantes e que se apaixone por eles, que fique por lá, pra eu não ter mais que esbarrar em ti e lembrar teu cheiro, a única memória que ainda me acaricia. Quero que a vida te dê infinitas coisas e que você nunca pense em como eu estou. Quero que mude de telefone, troque todas as redes sociais, vá morar no exterior e me dê essa desculpa pra eu não saber de você. Porque dói não saber. A saudade não dói mais, nem o amor, mas não saber dói. Não saber se você sequer pensou no meu nome esses dias, não saber se você lembrou do meu chocolate preferido na Páscoa, não saber se você viu que eu estive muito doente, não saber nem quem é você. Quando eu penso no seu nome agora, você não me vem à mente, porque eu não te conheço mais. Eu me apaixonava todos os dias pela imagem que eu tinha de você e me dizia como éramos perfeitos um para o outro. Mas quanta inocência. Sei que um dia quando eu te vir, vou duvidar se era você, porque já terei esquecido seu rosto. Quero que você siga por estradas que não cruzem com as minhas porque eu não quero dizer que eu te vi outro dia e você estava diferente. Eu quero dizer que nunca mais te vi e você deve estar bem, quero dar de ombros, quero continuar o que estiver fazendo. 

Tal hora eu vou me acostumar a não saber quem era o grande amor da minha vida.


Mariah Costa

Escreve crônicas (e outras coisas) no blog Tempo Verbal (link no perfil). Estudante de Jornalismo, mais romântica do que gostaria, a mais velha de três filhas. E sim, é Mariah: lê-se Mariá..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @obvious //Mariah Costa