Mariah Costa

Escreve crônicas (e outras coisas) no blog Tempo Verbal (link no perfil). Estudante de Jornalismo, mais romântica do que gostaria, a mais velha de três filhas. E sim, é Mariah: lê-se Mariá.

Amar é arte, quebrar a cara faz parte, viu?


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(Imagem: Filme "Ele não está tão afim de você" Via Pinterest)

Quem nunca sofreu por amor? Se você não, calma! Sua hora chega, meu amigo. Nem se preocupe. Talvez, se uma pesquisa fosse feita, uma pessoa em um milhão acertou de cara e se casou com seu primeiro amor, isso mesmo, aquele de infância, quando nem sabemos direito o que estamos sentindo, só que a pessoa te parece tão bonitinha e que vê-la perto de outra irrita bastante. Não é culpa do tempo que passou e transformou o mundo, o sofrimento sempre foi o melhor inimigo do amor. Os dois sempre andaram tão juntos que é quase difícil separá-los. Sofremos por amar, amamos quem nos faz sofrer e nas voltas que a vida dá, sempre acabamos achando motivo pra reclamar. A pior parte é que ninguém escolhe quem ama. Seria tão mais simples, tão mais fácil, não seria? Quantas lágrimas teriam sido poupadas? Quantos corações desquebrados? Quantas noites mais bem aproveitadas? A verdade é que não sabemos nada sobre o amor. Nem quem nunca o viveu, muito menos quem já teve seu coração acelerado mil vezes. A quantidade enorme de comédias românticas, os livros água com açúcar, as canções e as próprias experiências nos fazem crer que somos todos gurus, mas quando vem aquela pessoa e pisa no seu calo... Ah, não tem Shakespeare, Sparks ou Green que te ajude. Você sofre. Não tem pra onde correr não. É claro que alguns sortudos dessa vida sofrem muito menos. Choram o que têm pra chorar, depois limpam o rosto e voltam à sua rotina, porém, há aqueles que se despedaçam. Amar faz isso, nos joga no meio de uma confusão de sentimentos que você não sabe lidar. Não tem momento para rir, chorar; é tudo ao mesmo tempo. Não se sabe se ama ou se odeia; vem tudo de uma vez. Pior ainda se for na adolescência, já tão marcada por conflitos. Se apaixonar nessa fase ou é incrível ou é (mais provavelmente) trágico. O problema é que não entendemos que mesmo que não tenha dado certo, todo relacionamento nos ensina grandes coisas. Aqueles bagunçados, cheios de gritaria e brigas nos mostra que não podemos obrigar as pessoas a serem como queremos. Os mais quietos, com enormes doses de calmaria, trazem consigo a lição de que amar deve ser intenso, deve fazer brotar um sorriso, energia, paixão e vontade. Claro que há uns que não são nem um nem outro e aprendemos assim que cada relação é diferente; cada detalhe pode mudar tudo, desde signo, pra quem acredita, até sabe-se lá mais o que. Provavelmente, sofrer por amor seja inerente a nós. Buscamos coisas impossíveis, caçamos histórias loucas de amor para poder impressionar a nós mesmos e ao mundo. Gostamos de quebrar a cara porque daí nasce a arte, afinal, que melhor inspiração que o sofrimento? Não cansamos nunca. Viciados nesse ritmo que a vida nos trouxe, queremos doses cavalares de amor e exigimos coisas dos outros e de nós que são impossíveis. Pedimos tanto e muitas vezes não damos nada. No meio de toda aquela coisa de "Precisamos conversar", "Não é você, sou eu" e "Acho melhor conhecermos outras pessoas", a verdade é que todos nós não sabemos o que fazer com o dom que temos para quebrar a cara, e muito menos o que fazer com o amor. As escolas não nos ensinam a lidar com isso, e nossos pais... Ah! Nossos pais querem nos proteger e evitar que qualquer mal aconteça, entretanto, os sentimentos entram pelas frestas menores e nos envolvem, e nos entorpecem. De repente, qualquer olhar e sorriso é motivo de sonhos e suspiros, qualquer conversa se mantém na nossa mente o dia inteiro e não paramos de pensar frases melhores que poderiam ter sido ditas, qualquer abraço provoca um amolecer de coração preocupante. Os médicos também não nos ajudam a lidar. Todos estamos sozinhos nessa empreitada, nós e os benditos corações. E esses aí nem escutam nossos pedidos suplicantes. Não cansam de apanhar, nem das decepções. Talvez porque o ditado esteja correto: o que não mata nos faz mais fortes. A cada queda, renasce uma pessoa. A cada mensagem ignorada e desatenção sem piedade, se reconstrói alguém. A cada término e fim cheio de mágoa e decepção, um coração se enche de curativos e respira fundo, dizendo que logo estará pronto para outra. No fim da estrada, há alguém que nos espera, esse é o consolo. Alguém que não será perfeito, que talvez até te faça sofrer um pouco também (viu como adoramos essas coisas?), porém, que na maioria do tempo fará flores tão bonitas florescerem que você jurará nunca mais buscar outro jardineiro. Mesmo assim, ainda não saberemos muito sobre o amor, porque ele se apresenta a nós de formas tão diversas que nem adianta gastarmos tempo tentando descrevê-lo. Não devemos esquecer também que acima do amor-amor, existem outros tipos de amores que nos são mais fáceis de lidar; fraterno, materno, paterno, amizade e etc. Amores que também decepcionam, entretanto, que geralmente atuam como enfermeiras, auxiliando a juntar cada pedacinho do que nos resta. Aqueles que sofrem por amor hoje, sorriam, a vida ainda trará coisas tão belas e inesperadas que repentinamente, tudo isso será uma lembrança distante, uma piada entre os amigos. Os que não sofrem, sorriam também, a hora de vocês chegará mas mantenham minhas palavras na mente: cada um lida com suas próprias escolhas, e se cairmos, levantamos mais espertos, um pouco de cada vez. Acredite, no meio dessa coisa toda sofrida, há sorrisos, há beleza, há amor. E afinal, o importante é isso. Não contemos quantas vezes erramos, e nem choremos pelo leite derramado, vamos apenas sorrir e ter a certeza de que o sol nasce todos os dias, e com ele, novas chances se lançam ao jogo. Boa sorte a todos os jogadores. O prêmio é um remendo permanente no coração. 


Mariah Costa

Escreve crônicas (e outras coisas) no blog Tempo Verbal (link no perfil). Estudante de Jornalismo, mais romântica do que gostaria, a mais velha de três filhas. E sim, é Mariah: lê-se Mariá..
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