infinito particular...

Bem vindo ao que eu sou.

Michelle Oliveratto

Mineira, estudante de música e observadora incansável do mundo. Para mim escrever é preciso, navegar nem tanto. Sigo tentando acalmar toda folha em branco que se aflige com esse silêncio pautado

2016 zele pelo sono de 2015 e não repara a bagunça

2015 se despede, nesse momento, devemos pegar 2016 nos braços, feito uma criança, passar os ensinamentos do ano anterior e caminhar de mãos dadas por esse percurso de doze novas possibilidades.


velhinho.jpg

Agora que 2015 acaba de se tornar um ancião do velho calendário. Agora que já destacamos a última página e todas as lágrimas e risos tem gosto de café de ontem, salvo as lembranças e aprendizados que sempre permanecerão. Pegue 2016 nos braços feito uma criança que acaba de nascer, que de fato é, e fale sobre as coisas da vida. Abra as janelas, deixe o sol entrar, que a luz desse novo tempo se misture com esse cheiro de “novo”.

Que nesse segundo tênue, enquanto 2015 se despede para ir de encontro com seu sono eterno e, 2016 entra em cena, diga sobre os rostos que 2015 lhe trouxe, sobre os abraços que distribuiu. Tente alertar sobre a banalização deste gesto, resgatar o costume que abraço se dá com os dois braços, encostando um coração no outro e não pode demorar menos que dez segundos. Porque o tempo passa cada vez mais depressa e o abraço se reduziu para encontro de ombros que duram por volta de três segundos. E isso é um desperdício danado. Afinal, aconteceram coisas nesse ano que se despede, que doeram tanto, que apenas um abraço acolhedor e demorado foi capaz de curar, se não curou, pelo menos proporcionou um pouco de paz em meio ao caos de existir.

Fale sobre os amores que viveu e, como o dia começava mais feliz quando acordava com o “Bom dia” de quem se quer bem. O que aprendeu com eles. O que fatalmente ocasionou a morte deles em seu destino. Não diga com pesar, fale com leveza. E se ainda tiver permanência, demonstre gratidão.

Não se esqueça de cantarolar as músicas que serviram de trilha sonora de momentos felizes. Mostre as placas de avisos que foram ignoradas. As lágrimas derramadas e a importância delas para hoje você ser essa imagem que reflete no espelho. Com esses ombros fortes de quem carregou o mundo e sobreviveu. Diga sobre cada tostão emprestado, principalmente, cada tostão pago com juros e correção monetária. Cada livro lido, manchetes de jornais, sobre a fúria de placas tectônicas que sacudiram o mundo, mas que mesmo assim, deixaram pessoas de pé. Lamas que apagaram cidades do mapa, carregaram sonhos, mataram rios. Fale da fúria dos homens, mas fale também sobre fé.

Sussurre aquele grito entalado na garganta. Beije a testa com aquele beijo que de tão guardado, não foi dado. Intercale tudo isso com o silêncio que só a sabedoria proporciona a custa de muita luta. Na dúvida, peque pelo excesso quando for falar de amor e leveza, que o resultado dessa soma, sempre dará um saldo muito positivo.

Depois disso, coloque 2016 no chão e o conduza pela mão. Lembre-se que você é responsável por ele. Caminhe por esses doze meses com passos firmes, coluna reta e mente tranquila. E como dizia Caio Fernando Abreu: “Que seja doce, repito sete vezes pra dar sorte... Que seja doce, que seja doce, que seja doce e assim por diante. Pra mim e pra você.”


Michelle Oliveratto

Mineira, estudante de música e observadora incansável do mundo. Para mim escrever é preciso, navegar nem tanto. Sigo tentando acalmar toda folha em branco que se aflige com esse silêncio pautado.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Michelle Oliveratto