infinito particular...

Bem vindo ao que eu sou.

Michelle Oliveratto

Mineira, estudante de música e observadora incansável do mundo. Para mim escrever é preciso, navegar nem tanto. Sigo tentando acalmar toda folha em branco que se aflige com esse silêncio pautado

Liberdade na vida é ter um amor pra se prender

O que é o amor pra você hoje? Fabrício Carpinejar respondeu essa pergunta dizendo que “Liberdade na vida é ter um amor pra se prender”


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“Liberdade na vida é ter um amor pra se prender. A gente reclama muito da dependência, mas como é maravilhosa a dependência! Confiar no outro. Confiar no outro a ponto de não somente repartir a memória, mas repartir as fantasias. Confiar no outro a ponto de esquecer quem se foi, sem que o outro esteja junto. É talvez chegar em casa e contar seu dia e só sentir que teve um dia quando a gente conta como foi. É como se o ouvido da outra pessoa fosse nossos olhos. Amar é uma confissão. Amar é justamente quando o sussurro Funciona muito melhor do que um grito...”

Fabrício Carpinejar é escritor, jornalista, professor universitário, autor de inúmeros livros e, um grande conselheiro sentimental quando nos presenteia falando sobre as coisas do coração. Suspiro ao ler seus versos e sua visão sobre o amor. Como as palavras parecem dançar em sintonia perfeita com tudo que sentimos e, quando faltam palavras para definir, ele fala por nós.

Quando diz: “Liberdade na vida é ter um amor pra se prender. A gente reclama muito da dependência, mas como é maravilhosa a dependência!” os versos que vem em seguida, tira qualquer impressão de amor doentio, da dependência que provoca nossa anulação. Mas sim aquela necessidade de ter alguém para dividir os dias, entrelaçar as mãos e construir as memórias, que apenas arquitetamos, quando temos o ouvido do outro como testemunha auditiva das narrações de como foi o dia.

Vivemos nessa busca. Talvez o “amor” seja o artigo mais cobiçado da humanidade. Talvez isso tenha uma explicação.

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De acordo com a mitologia grega, no inicio dos tempos, os homens eram serem completos, munidos de duas cabeças, dois pares de pernas e braços, dividiam apenas uma mesma alma, rica em harmonia e amor. Toda essa aliança, despertou a inveja dos deuses, dando inicio a uma terrível guerra. Quando os homens tentaram subir ao monte Olimpo, para ir de encontro com os deuses, isso despertou a fúria de Zeus, que surpreendeu os homens com uma quantidade destruidora de raios. Eles caíram do Monte e ao recobrar a consciência, perceberam que além de derruba-los, os raios haviam dividido corpo e alma em duas partes, Zeus deixou ainda uma cicatriz, o umbigo, para que lembrassem sempre de sua fúria. Talvez por isso, esse sinal seja a marca maior de nossas individualidades. A água tratou de afastar os seres para que se perdessem uns dos outros. Acredita-se que esse foi o castigo mais cruel de Zeus. Depois disso começou a grande aflição dos homens pela procura de sua alma gêmea. Procura essa que se estendeu até os dias de hoje.

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A busca pelo amor, tornaram-se temas de música, filmes e assunto preferido nas bocas dos poetas. Leitura favorita para os olhos dos apaixonados. Não há quem não se identifique. Não há quem nunca viveu um amor, uma paixão. Existem aqueles que já encontraram. E aqueles que ainda procuram. Outros que sofrem por ter perdido. Todos estão em algum estágio do amor. O caminho entre o alvo e a seta é muitas vezes tortuoso, mas somos seres incansáveis. Temos uma disposição incrível que nos impede de desistir do amor. Talvez pelo efeito que nos causa, tanto em vivencia-lo, quanto pela procura, pela sensação de vivacidade que ele nos proporciona.

Os versos do Fabricio Carpinejar retrata a meta de toda essa procura. Que é alguém para exercer esse dom tão humano da generosidade. Uma matemática simples, onde a soma resulta na divisão. Soma-se os dias, os corpos, histórias, cicatrizes, desejos. Para que possa dividir os dias, o tempo, a casa, os medos, a cama, o pão. Que amar é uma confissão diária de dependência e escolha. Onde entre inúmeras possibilidades, a escolha foi ficar e permanecer. Tudo em nome desse desejo que ele mesmo cita quando questionado: “Amar é... aquela vontade danada de andar de mãos dadas durante o dia e de pés dados durante a noite”.


Michelle Oliveratto

Mineira, estudante de música e observadora incansável do mundo. Para mim escrever é preciso, navegar nem tanto. Sigo tentando acalmar toda folha em branco que se aflige com esse silêncio pautado.
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