infinito particular...

Bem vindo ao que eu sou.

Michelle Oliveratto

Mineira, estudante de música e observadora incansável do mundo. Para mim escrever é preciso, navegar nem tanto. Sigo tentando acalmar toda folha em branco que se aflige com esse silêncio pautado

Você nunca mais saberá de mim, pois me tornastes invisível

Quando você se torna um jornal em branco nas mãos de quem um dia tanto amou, ou ainda ama.
Quando o desinteresse do outro, funciona quase como um pozinho mágico que te torna invisível perante todos os acontecimentos.
A indiferença nos promove eternamente para o status de “jornal de ontem”.


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Trilha Sonora Para Leitura: Not About Angels - Birdy

Você nunca mais saberá de mim. Eu posso escrever livros, poemas e oráculos. Posso fazer canções que toquem no rádio. Posso solucionar os problemas do mundo, curar doenças e promover a paz mundial. Você ignorará meu nome, renegará minha imagem, excluirá minhas lembranças. E nada disso será proposital. Você simplesmente não notará que sou eu. Como quem não nota as placas de aviso, quando já se conhece o caminho. Por pura distração.

Na sua boca, não habitará meu nome. A minha boca, evitará o seu. Pra não sentir o gosto e, retomar o vício, e assim, nos despedimos pelo paladar.

Você nunca mais saberá de mim. Não será preciso me esconder, evitar aquela praça, criar uma rota de fuga ou construir uma fortaleza. Posso passar na sua rua, sentar na sua calçada, pinchar seu muro. Você não sentirá a minha presença. Outra vez, por pura distração.

Assim como não foi capaz de sentir o tanto que gostei de você. Que na última conversa eu sangrava enquanto me despedia, enquanto seu silêncio produzia decibéis tão insuportaveis quanto um grito e me cortava feito navalha. Aquela carta foi um pedido de socorro que você ignorou. Talvez por... Distração?

Realmente chorei quando acordei daquele sonho. E que chorar foi o ato mais repetitivo desde então. Não canto mais aquela música, não pego mais no violão, foi um trato provisório de sobrevivência para desintoxicação.

Você nunca mais saberá de mim. Porque fui seu equívoco distraído, sua chance fadada ao "não", o tal amor líquido que você tanto repudiou. Um caso mal resolvido, complicado, que virou fim sem antes ter tido um começo. Sou a mentira sincera, verdade tardia, a cara que foi dada a tapa, que virou a face e sabe que não é digna de redenção.

Sua retina não me capta, e isso soa tanto como um castigo de infância por sempre ter almejado a invisibilidade. Você nunca mais saberá de mim. Talvez nunca soube e, pensar o contrário só é mais uma das minhas ilusões.


Michelle Oliveratto

Mineira, estudante de música e observadora incansável do mundo. Para mim escrever é preciso, navegar nem tanto. Sigo tentando acalmar toda folha em branco que se aflige com esse silêncio pautado.
Saiba como escrever na obvious.
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