infinito particular...

Bem vindo ao que eu sou.

Michelle Oliveratto

Mineira, estudante de música e observadora incansável do mundo. Para mim escrever é preciso, navegar nem tanto. Sigo tentando acalmar toda folha em branco que se aflige com esse silêncio pautado

O dia em que a dor foi fotografada

Outro novembro: Uma série de fotos que retrata a dor da separação.


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Quando a porta se fecha, vem àquela pontada no peito como quem acaba de acordar de um sonho em que estava caindo. O que sobra é aquela sensação de despertencimento e aquela dor inumana que nada nos preenche. Então, nos encolhemos em um canto qualquer na esperança que assim possamos achar algum lugar confortável para habitar, quando dentro de nós está inóspito, inapropriado para qualquer tipo de habitação. Aquela história de amor além de uma roupa que não nos cabe mais, também se torna aquele botão que não notamos a hora exata que cai ao chão, mas notamos sua falta e passamos a encarar aquele espaço vazio, aquela ausência. Aquele fantasma do que antes prendia, atava e unia. Às vezes não existe nada mais real do que um fantasma que atordoa. A separação nos leva para esse cenário de solidão, dor e lagrimas. Atravessamos uma espécie de luto, onde a pessoa amada não morre, mas temos que matá-la dentro de nós.

Foi atravessando essa dor que a fotógrafa Laura Stevens usou de fio condutor para a criação da série “Outro novembro”. Ela retrata o vazio e o sofrimento de mulheres que estavam atravessando, assim como ela, o fim de um relacionamento. Apesar do individualismo de cada clique que retrata uma mulher com sua carga emocional, uma história e sua dor, ao mesmo tempo retrata a pluralidade da ocasião. Afinal, quem nunca atravessou um fim de relacionamento?

“Ao construir as imagens dos capítulos conseguintes, eu pude ver além das mudanças que estavam acontecendo comigo, de sentimentos de dor, confusão e solidão à reconstrução da minha identidade como indivíduo“. Laura Stevens

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Observando cada fotografia, acolhemos e nos identificamos com aquela dor e, consequentemente fazemos companhia para aquela solidão retratada. O nome dessa série não diz respeito apenas ao mês que Laura Stevens terminou seu relacionamento, mas carrega a simbologia do tempo que passa e com ele leva toda dor. Ou como Martha Medeiros diz: “O tempo não cura nada, o tempo só tira o incurável do centro das atenções”. E quem passa por novembro, caminha em direção a janeiro, o mês onde a esperança é renovada e novos planos são feitos.


Michelle Oliveratto

Mineira, estudante de música e observadora incansável do mundo. Para mim escrever é preciso, navegar nem tanto. Sigo tentando acalmar toda folha em branco que se aflige com esse silêncio pautado.
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