AURICIO ARAUJO

Cazuza – o tempo não para – e a voz que precisava gritar!

“O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói”.


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“Eu canto pra seduzir a vida”

No ano de 2004 era lançado um filme/biografia que falava de um dos maiores letristas e cantores que estas terras tropicais já deram Cazuza – o tempo não para –, o poeta da geração a muito já merecia um filme.

Entre amor e ódio cazuza foi a voz de uma nação em crise, cantou de tudo, desde paixões mórbidas a mazelas sociais, se expos como ninguém e trouxe a tona uma doença até então assustadora.

O longa tem logo em seu inicio a imagem do jovem Cazuza, apresentando-se no circo voador, que era quase uma segunda casa, traz uma imagem do que existia de mais poético em sua persona. Daniel de Oliveira interpreta Cazuza dá um banho de atuação durante todo o filme, ele canta, dança, coloca pra fora toda aquela confusão de sentimentos que o perseguia. O jeito malandro de cazuza foi fielmente transposto para a tela.

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O filme traz para quem assiste o relacionamento do jovem com seus pais, em especial com a sua mãe super protetora, onde cabe destaque para a impecável atuação de Marieta Severo.

Sexo, Drogas e Rock in Roll, talvez fosse o lema daquela geração e cazuza viveu isso como ninguém, era intenso em seus “amores”, mas ao mesmo tempo não se prendia a ninguém. Ele era uma voz que precisava gritar, e fez isso como ninguém.

Quisera eu, que nos dias atuais, ter alguém que falasse tanto do que o incomodava, das mazelas que se fazem presentes e só aumentam as injustiças, alguém que gritasse por toda uma nação. Aqui lamento porque o meu herói não morreu de overdose, ele morreu de HIV.

O filme mostra a desesperadora descoberta de Cazuza de sua doença, onde a vontade mais eloquente que o espectador sente, é pegar ele no colo e acalma-lo.

Nos mostra o quanto a doença é traiçoeira, e como ela nos rouba o nosso poeta. Por quantos dias já passamos com aquela vontade de ter alguém cantando as imortais Bete Balanço, Que País é esse?, Pro dia nascer feliz, Exagerado e tatos outros hinos. Em tempos de sucessos meteóricos, cazuza se eternizou na musica e no coração das pessoas, ele era uma obra atemporal, dessas em que estas terras tropicais não irá produzir outro nem tão cedo.

O filme tem duração de 97 MIM e conta com direção de SANDRA WERNECK e WALTER CARVALHO.

“O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói”.

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