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Um novo olhar através das inquietações

Flávia Carvalho

Uma mente inquieta, que todo pisciano sabe muito bem o que significa

Movimentos sociais e suas novas configurações na Internet

Os movimentos sociais originados na internet estão deixando de ser apenas comunidades virtuais. São fenômenos muito mais complexos e capazes de se tornarem determinantes e influentes em amplos contextos político e social.


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Você já chegou a criar um grupo no Facebook? Aposto que sim. É um recurso maravilhoso para juntar pessoas com os mesmos interesses sobre um determinado tema. Quem é estudante e está formando uma equipe para organizar um trabalho da faculdade, por exemplo, é só juntar todas as informações em um único local e discutir com os membros do grupo instantaneamente. Assim como milhões de pessoas, participo de grupos do Facebook com o objetivo de discutir assuntos juntamente com outros membros, que muitas vezes nem chego a conhecer pessoalmente. Não sei se existe limite em relação ao número de membros, mas tenho certeza de que é possível juntar uma grande quantidade.

Não parece tão fácil se conectar com tanta gente ao mesmo tempo? Daí você junta essa inovação tecnológica com o desejo de fazer mudança no meio onde vive. O resultado já dá pra adivinhar: movimentos sociais com grande força e alcance. A soma da indignação perante instituições repressoras com esta nova sociedade em rede é responsável por potencializar movimentos sociais, pois o amplo acesso à informação influencia também no redesenho da organização das manifestações sociais.

A dificuldade para agregar e persuadir outros indivíduos é praticamente extinta. Para Clay Shirky, autor dos livros A cultura da participação e Lá vem todo mundo: o poder de organizar sem organizações, na era das redes sociais digitais, a formação de grupos passou de difícil para ridiculamente fácil.

A humanidade já passou por situações de grandes mobilizações sociais sem precisar de Twitter e Facebook. Mas agora temos ferramentas que catalisam o processo. Nas novas configurações oriundas do net-ativismo não é preciso escolher um único líder para guiar os manifestantes e nem se filiar a partidos políticos. O que sustenta o grupo e lhe proporciona poder é a facilidade para a troca de informações entre os seus membros. O que não significa que os objetivos do grupo sejam gerenciados de forma completamente aleatória, sem ninguém para dar um norte. Existem representantes que ajudam os membros a se organizarem.

Um grande exemplo de grupo criado numa rede social e que está dando trabalho para muitos políticos é o Movimento Ocupe Estelita, de Recife. O objetivo do movimento é impedir a construção do Projeto Novo Recife, idealizado pelo consórcio Novo Recife, formado pelas construtoras Moura Dubex, Queiroz Galvão, G.L Empreendimentos e Ara Empreendimentos, que tem como objetivo a construção de 12 torres de no mínimo 40 andares em uma área de grande importância cultural da cidade (Cais José Estelita).

Tal manifestação foi organizada por um grupo aberto no Facebook, o Direitos Urbanos | Recife, que atualmente contabiliza mais de 30.000 membros. Até o momento, conseguiram impedir a construção de um projeto orçado em torno de R$ 800 milhões e continuam na luta.

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Então será que todos os problemas acabaram e a simples criação de um grupo numa rede social da internet vai mudar o mundo de um dia para o outro? Não. Mas sabe aquela pedra no sapato que incomoda tanto? Agora imagina que essa pedra não sai do sapato de jeito nenhum. O negócio vai inflamar e vai precisar de medidas drásticas.

Tais transformações estão inserindo novas mudanças na relação entre os gestores públicos e os cidadãos. Estes últimos estão superando o medo, buscando alternativas de melhorias no seu meio social através de mídias alternativas, espaço onde têm mais abertura para abordar questões sociais que muitas vezes são suplantadas pelas mídias tradicionais.

Muitos irão dizer que tudo isso é apenas ativismo de sofá, que inúmeras pessoas só fazem dar likes e compartilhar mas não participam de fato dos movimentos. Sim, tem gente que só faz clicar e repassar informações. Mas não podemos generalizar uma causa por conta de pessoas que não se engajam de verdade. O mais importante é saber utilizar a praticidade das redes sociais digitais e somar com a vontade e empenho em realizar melhorias efetivas na sociedade.


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