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Um novo olhar através das inquietações

Flávia Carvalho

Uma mente inquieta, que todo pisciano sabe muito bem o que significa

A Outra Terra: uma obra para desbravar o nosso mundo interno

Um planeta com condições habitáveis é descoberto por cientistas. Mas não se limita a ser apenas um lugar habitável, ele é o espelho do nosso planeta. Mesmas pessoas, mesmos lugares. Um mundo paralelo, que desencadeia uma série de questionamentos entre as pessoas e o seu próprio eu.


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Já imaginou se existisse uma outra versão de você vagando em algum mundo paralelo? Parece até conversa de filme de ficção científica, mas no filme A Outra Terra essa questão é abordada em um âmbito mais filosófico e reflexivo, retratada de uma maneira pouco vista até agora no cinema.

No Filme A Outra Terra, do diretor e roteirista Mike Cahill, é descoberto um novo planeta similar à Terra. Na verdade, ele é um espelho do nosso mundo, por isso foi cunhado como “A Terra 2”. Aos poucos, os cientistas vão descobrindo como a “outra terra” é praticamente uma cópia do nosso mundo. Nada de alienígenas verdes e com olhos grandes, os habitantes eram as mesmas pessoas da “Terra 1”.

Com esse pano de fundo, é contada a história da Rhoda Williams, jovem que teve uma grande oportunidade perdida e seu futuro arruinado devido a um acidente de carro, e ao longo de 4 anos precisou lidar com as consequências de seu erro. Em meios às suas frustrações, Rhoda se inscreve num concurso para ser uma das pessoas escolhidas a ir para a terra 2.

O mais interessante da obra é perceber como Mike Cahill consegue suscitar grandes questionamentos filosóficos e que vão além da consciência humana através de um contexto mais científico. O que você faria se encontrasse uma versão de você mesmo? O que falaria primeiro? Será que seria uma versão melhor? Você se daria bem com ele? Mike optou sabiamente por fugir do viés meramente ficcional para indagar o espectador à fazer uma autorreflexão.

"Nas nossas vidas, temos nos maravilhado. Os biólogos têm investigado coisas cada vez menores e os astrônomos, coisas cada vez mais distantes, nas sombras do céu noturno, voltando no tempo e no espaço. Mas talvez o mais misterioso de tudo não seja o menor, nem o grande. Somos nós, bem aqui. Poderíamos nos reconhecer? E se reconhecêssemos, conheceríamos a nós mesmos? O que diríamos a nós mesmos? O que aprenderíamos com nós mesmos? O que realmente gostaríamos de ver se pudéssemos ficar diante de nós e olhar para nós mesmos?”

Não precisamos literalmente de um mundo paralelo para encontrarmos a nós mesmo, o diálogo já existe o tempo inteiro na nossa mente. O maior mistério da humanidade está dentro de nós e não percebemos isso, porque muitas vezes nos acomodamos em um padrão de vida e esquecemos que existe um mundo interno de possibilidades a ser desbravado.

As perguntas que você faria para o seu eu paralelo no filme você pode fazer agora para sua própria mente: Quem é você? Será que está satisfeito com sua vida? Você poderia ser uma pessoa melhor e mais feliz? Pode haver muitos conflitos nesse diálogo, mas será fundamental para se autoconhecer e manter uma mente mais tranquila.

another_earth_06.jpg “Mantenha sua mente limpa. É só isso. Você ficará com a cabeça em paz. Não se preocupe. Só aprenda a se ajustar.”

O filme também é uma verdadeira experiência sensorial, dá para sentir toda a filosofia da obra através de uma fotografia sóbria e uma trilha sonora sutil. A protagonista é vivida pela atriz Brit Marling (e também roteirista), em uma atuação delicada e ao mesmo tempo profunda.

Sem dúvida, é um filme interessante porque gera mais questionamentos que respostas, questionamentos que nos inquietam e nos fazem refletir sobre nossa relação com os padrões habituais, que já se tornaram mecânicos demais a ponto de preterirmos a nossa própria mente.

A Outra Terra é uma verdadeira jornada de autoconhecimento.


Flávia Carvalho

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