in.quieta

Um novo olhar através das inquietações

Flávia Carvalho

Uma mente inquieta, que todo pisciano sabe muito bem o que significa

A curiosidade está em extinção?

Procura-se a curiosidade. Ela ainda existe, mas está perdida, entre milhões de pessoas que a esqueceram ou resolveram guardá-la numa gaveta para empoeirar eternamente.


172930_Papel-de-Parede-Curiosidade--172930_1400x1050.jpg

Lembro como se fosse hoje. Quando tinha 16 anos, pedi emprestado o livro O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, ao meu professor de Português da Escola. O enredo parecia interessante e o fato de envolver filosofia me intrigava. Não conhecia muito desta área (mesmo tendo uma matéria na escola, que parecia qualquer outra coisa, menos aula de Filosofia) mas sempre tive vontade de me aprofundar um pouco mais. E o livro, sem dúvida, é um excelente caminho para despertar ainda mais o interesse no tema.

Uma das coisas que me faz gostar tanto da Filosofia é a sua essência: questionar-se. A história do livro começa com perguntas enigmáticas de um misterioso filósofo, enviadas através de cartas para Sofia, a jovem de 15 anos, protagonista da trama: “quem é você?” “De onde vem o mundo?”. A partir de então, as reflexões de Sofia com o filósofo resultam em discussões cada vez mais complexas.

Mas aonde estou querendo chegar com essa história toda? O âmago da Filosofia desencadeou em mim o interesse em questionar constantemente. Hoje não me considero “expert” na área. Já li muitos estudos, mas ainda tenho muito a aprender.

No entanto, só o fato de me fazer pensar mais sobre o que acontece ao meu redor já considero um grande passo para ir além dos padrões sociais.

Infelizmente, sinto que a maioria das pessoas parece não sentir a mesma vontade de ver o mundo de forma mais apurada, com outros olhos, para eliminar os preconceitos. Preferem se conformar com os padrões criados pela sociedade e seguir uma vida sem nem pensar sobre os acontecimentos que nos tornam humanos, que nos fazem ser essa espécie extremamente complexa, que nos fazem ser mais que meros indivíduos atados a estigmas.

Qual o sentido da vida? É ganhar dinheiro para sobreviver? Arrumar um trabalho de 8h diárias? Casar? Ter filhos? Será que, diante de milhões de galáxias, planetas e estrelas somos apenas seres vivos que nascem para seguir uma vida pautada em hábitos criados pelo seu meio social sem nem ao menos refletir sobre o porquê de tudo que acontece nas nossas vidas, sobre o futuro das próximas gerações?

É como disse a jornalista Marina Colasanti: a gente se acostuma, mas não devia. E ainda acrescento: a gente se acostuma porque falta curiosidade, falta a sede de conhecimento para melhor compreensão do nosso papel no mundo, falta curiosidade para nos desprendermos de hábitos padrões e ver a vida com a visão de uma criança, que sempre se admira com as novidades do mundo.

Texto de Marina Colasanti, recitado por Antônio Abujamra

Então me pergunto: será que a curiosidade está em extinção? Onde está o interesse para ir além dos preconceitos, dos padrões, dos hábitos, dos costumes?

“O importante é não parar de questionar. A curiosidade tem sua própria razão de existir. Não se pode deixar de ficar admirado quando contempla os mistérios da eternidade, da vida, da maravilhosa estrutura da realidade. Basta que se busque compreender um pouco desse mistério a cada dia. Nunca perca a curiosidade. Não pare de se maravilhar.” (Albert Einstein).

A busca pelo conhecimento e os questionamentos devem ser constante. E àqueles que relutam em abrir a mente, precisamos desatar os nós que existem em suas mentes, que os amarram em estigmas e fazer com que vejam o mundo em uma outra perspectiva.


version 1/s/recortes// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Flávia Carvalho