in.quieta

Um novo olhar através das inquietações

Flávia Carvalho

Uma mente inquieta, que todo pisciano sabe muito bem o que significa

sobre depressão e autoconhecimento

O autoconhecimento é importante em qualquer circunstância. Para os depressivos, se conhecer pode ser um caminho para suportar as dores e sofrimento.


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Assim que fui diagnosticada com depressão me senti aliviada. Pode até soar contraditório, mas a verdade é que saber que existe uma explicação para uma situação extremamente incômoda é libertador de alguma forma, porque as coisas se tornam mais claras. Sofrer já é difícil. Sofrer sem saber o porquê é pior ainda. Quando sabemos que algo está errado, corremos para resolver o problema. Mas e quando não sabemos? É torturante. Me senti aliviada por compreender que algo em mim estava errado e poderia ser sanado. Conhecendo o problema é mais fácil achar os caminhos para a cura.

Esta situação me forçou a buscar conhecer a pessoa mais importante da minha vida: eu mesma, que estava bem esquecida. A partir de então, passei a procurar por diversas formas de tratamento, desde os tradicionais medicamentos a métodos mais alternativos, como meditação.

Apesar do sofrimento diário, da luta para sair da escuridão, o diagnóstico serviu como propulsor para o caminho do autoconhecimento. Eu tinha duas alternativas: ou continuaria daquele jeito ou tentaria encontrar os meios para ficar melhor. E para solucionar qualquer problema na vida você precisa entender a origem desse problema e como ele o afeta.

Quem tem depressão (seja ela leve, moderada ou grave) sofre com diversos dilemas como “quem sou eu doente e quem sou eu sem a depressão?” “Eu seria a mesma pessoa?”. É difícil lidar com um distúrbio que distorce sua visão de mundo.

Não existe uma fórmula pronta para encontrar os caminhos corretos da cura de qualquer distúrbio mental. Por envolver questões psicológicas e fisiológicas juntas, fica difícil apontar um direcionamento certo. Mas de uma coisa tenho certeza: o autoconhecimento é o início para a solução dos inúmeros desafios que será preciso enfrentar ao longo do tratamento, para compreender quais são suas limitações, quais são seus pontos fortes e como lidar com eles.

Às vezes sinto que enfrento uma luta sem fim. E talvez não tenha fim mesmo. Alguns tipos de depressão são crônicas (como a distimia, o meu caso) e pode ser preciso conviver com ela pelo resto da vida, mas através do autoconhecimento é possível gerenciar os momentos mais difíceis de forma mais consciente e madura, sejam causados pelo distúrbio ou não.


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