inquietações e reflexões

Pela inquietude de todos os dias

Mônica Karawejczyk

Historiadora, irrequieta, curiosa e em busca do cálice sagrado da alegria e do bem viver

Star Wars - muito mais do que uma guerra nas estrelas

Star Wars um filme que impactou gerações e levou milhões aos cinemas. A morte de Carrie Fisher, a eterna Princesa Leia, me fez rememorar o que de tão admirável e inesquecível eu sempre vi nessa franquia. É um pouco sobre isso que esse breve artigo relembra, retoma, reflete.


A morte da atriz Carrie Fisher, nos ultimos dias do ano de 2016, (que ano terrivel esse - deveria ir para o limbo imediatamente) que ficou imortalizada no imaginário de várias gerações de cinéfilos como a eterna Princesa Leia me fez refletir sobre o impacto que a franquia Star Wars teve na minha vida.

star wars ep. IV.jpg Cartaz do Primeiro Filme da Franquia - Episódio IV

Foi um dos primeiros filmes que me lembro de ter visto no cinema, lá pelos idos de 1977-78, em um daqueles cinemas imensos, verdadeiras catedrais desconfortáveis, em cujas entranhas nos emanharávamos para nos perder nas histórias ali contadas.

Só quem teve a oportunidade de conhecer o Luke, a Leia, o Han, o CP3-PO e o RD-D2 em uma daquelas telas imensas e com aquele som estranho de descargas elétricas em um desses cinemas de rua avalia o que foi aquele primeiro impacto. A história contada nem era tão inédita assim, hoje eu percebo isso, mas as imagens de uma galáxia, muito, muito distante, os personagens incríveis, a sinergia entre eles, tudo isso me cativou e me cativa até hoje.

Hoje eu sei que foi um dos primeiros filmes que se tornaram um fenônemo tão grande de audiência, cuja história empolgou tantos e tantos por esse nosso mundo terrestre que tudo o que se relaciona ao filme e as sequencias dele tem imediato interesse e vende, vende muito. Mas na época em que foi lançado nada disso se sabia, ainda mais no paralelo 30, no sul do Brasil, as notícias vinham a conta gotas lá daquele reino muito, muito distante do exterior, os Estados Unidos da América do Norte.

Para nós, crianças, o que interessava mesmo era saber o que o Luke, a Leia e o Han iriam aprontar contra o malvado Império. Vibramos muito com essa história de amizade, rebeldia, na qual uma mulher, uma princesa, tomava a frente de batalha, destemida, irônica e que atirava tão bem (ou melhor) que os homens. Quem nunca brincou de ser a Princesa Leia, com aqueles cabelos estranhos, que mais pareciam dois fones de ouvidos peludos e imensos?

carrie-fischer princesa leia.jpg Carrie Fisher caracterizada como Princesa Leia

Ninguém, naqueles anos em que esperavámos ansiosos pela continuação daquela saga, poderia imaginar que o Darth Vader fosse o pai do Luke ... COMO ASSIM??? o episódio V - O Império Contra Ataca, nos colocou esse enigma e até hoje é a cena que me mais me impactou e chocou em uma história cinematográfica.

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Ainda teríamos que esperar alguns anos para resgatar o Han do congelamento, de ver a Leia em trajes de escrava e de saber que o Luke era o irmão gêmeo dela. Tudo isso temperado com muito desprezo pelo lado negro da Força, pela figura do Vader, vilão da pior espécie, aquele cara cuja face nunca vimos, até o momento final do Episódio VI - O Retorno do Jedi, até então do Vader só conhecíamos aquela figura toda de negro, com aquele som assustador do aparelho de respirar....

jedi_p2.jpg Cartaz do Episódio VI - O Retorno do Jedi

Hoje, tenho muita dificuldade de entender, que muitos pequenos se sintam mais fascinados pela figura do Vader, dos stormtrooper - os odiosos soldados do Império - do que pelas figuras do Luke, da Leia ou do Han, quantas fantansias desses personagens do lado negro da força vemos por aí nas lojas de fantasias e de brinquedos??? muitos e muitos, devo acrescentar.

Para mim, Star Wars, foi muito além de um filme de ficção ou de uma ida prazerosa ao cinema. Foi mais uma história sobre amizades improváveis afinal quem poderia imaginar que um cara desonesto e charlatão como o Han Solo ia se tornar o melhor amigo do correto e bom moço Luke Skywalker? Uma história de mulheres fortes, inteligentes e guerreiras que sabiam o que queriam e iam atrás de seus sonhos e da eterna luta do bem contra o mal.

Os novos filmes da franquia, os episódios I, II e III não fizeram jus aos primeiros, seus personagens não tinham a mesma empatia. O enfoque maior foi dado aos efeitos especiais e, apesar de se tratar da história do início do Império e da transformação do Anakin Skywalker em Darth Vader, a história não empolga, nem emociona tanto quanto os três filmes iniciais.

A nova tentativa de dar sequência à franquia, o episódio VII teve, na minha opinião, muito mais impacto do que as tentativas anteriores, pois retrata com mais fidelidade o clima de mistério, perguntas não respondidas, histórias esquecidas e que precisam ser contadas, tão bem retratados nos filmes da década de 1970 e 1980.

Por essas e por muitos outras é que a franquia Star Wars ainda impacta e deixa um gosto de quero mais no paladar e na mente de milhares cinéfilos por esse mundo afora. Talvez a espera, as conversas, as especulações com os amigos, as brincadeiras com as vassouras transformadas em sabre de luz fosse o que mais nos fascinasse naquelas histórias que se passavam em uma galáxia muito, muito distante.


Mônica Karawejczyk

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