inquietude crônica

Semeando verbos e outras ilusões...

Milene Lima

Esmiuçando a poesia cotidiana. Se dá certo? Repare aqui, você.

tudo o que eu não sei sobre o amor


Sobre o amor e sua precisão de desmantelar a lógica dos pobres sentimentais.

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Gosto muito das poesias de amor que moram nos livros, ou as que inspiram canções. Eternizam-se, as poesias, de qualquer maneira, e que maravilha!

É possível que esse meu gostar em demasia se dê porque eu jamais seria capaz de dizê-lo, o amor, assim tão intensa e lindamente. Não sou, nem no meu sonho mais mágico, Cecília Meireles ou Chico Buarque. Sou apenas uma tola com requintes de sentimentalidade que sequer sabe se um dia viverá um amor das canções do Chico, só pra exemplificar. Viverei? Mas, quem haverá de ter resposta para tal questão se os ponteiros do relógio caminham, todo santo dia, sem dar a menor ousadia para esse meu alvoroço sentimental?

Atente, o que denomino “alvoroço sentimental” não implica dizer que há morando cá dentro do meu peito ofegante um amor desses das canções e poesias perfeitas; amor maior, que requer do outro lado um motivo de existir; amor forte e demasiado, descompensado que só! É que eu, feito você, feito o sujeito que habita o lugar mais longínquo do planeta, sou composta dessas substâncias estranhas e inexplicáveis, cuja fórmula vivente nenhum conseguiu decifrar e causadoras do tal furdunço sentimental. E tantas vezes o alvoroço é tanto que nem eu nem você sabemos direito o que fazer com ela.

Seria, então, mais racional esperar passar feito uma ventania breve, embora forte? Tolice! Amor é indiferente à razão. Sentimentos são senhores de si e eles próprios decidem quando entram e saem e pouco se importam com o rebuliço que provocam. O sujeito sentimentalizado que dê o seu jeito na sua questão, trate de agir com um tanto de bom senso e não se deixe morrer... Ou morra só um pouquinho. Pois, como diz o poeta e poetas sabem bem das coisas de amar: “Tão bom morrer de amor! E continuar vivendo”.


Milene Lima

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