inteligência evolutiva

Do óbvio ao inacreditável

Alexandre Pereira

Escritor, acadêmico de Comunicação Social, Educador Físico, Youtuber, Blogueiro e Pesquisador da Consciência. Penso que a Ciência é o caminho menos pior que irá nos levar as estrelas ao invés da destruição. Também vejo que o autoconhecimento é o caminho que nos levará a iluminação ao invés da autodestruição. Mais matérias e informações em: www.dimensaomental.com.br

A glamorização do fracasso

Quem é campeão na vida? Nem sempre o mais forte ou o mais rápido vive uma existência plena. Qual o recado dos esportes para quem se vê fracassado por não chegar ao topo?


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Em tempos de competições esportivas ocorre um “fenômeno” pouco observado em nosso cotidiano: a glamorização do fracasso. Mas essa condição não é algo patológico ou pejorativo. Nada disso. A valorização de quem perde ou não termina como um dos melhores em uma competição é um excelente exemplo de como podemos ver a vida sob a perspectiva da autossuperação.

Nos jogos olímpicos, por exemplo, é comum a visão de atletas que choram e se emocionam, por exemplo, ao ganhar uma medalha de bronze. O expectador mais desatento pode se perguntar qual a razão de tamanha felicidade sendo que nem foi o campeão. Nesse caso, qualquer medalha importa pela sua enorme importância histórica. Todos almejam a premiação de ouro, mas as outras medalhas também são muito valorizadas.

Nesse contexto podemos nos perguntar: quem perde uma competição é fracassado? A resposta depende do ângulo de quem observa e de seus valores pessoais, pois um competidor que se esforçou sozinho, com quase nenhum apoio ou patrocínio, que fez inúmeras renúncias, que superou diversas adversidades, entre outros pontos, é um vencedor só de participar da Olimpíada ou de campeonato mundial. O mérito, infelizmente, nem sempre vem acompanhado de premiação.

Essa essência olímpica de aplaudir os últimos colocados e todos que não tiveram a oportunidade de serem vitoriosos é uma lição a ser levada para nossa vida cotidiana e para todas as pequenas superações que realizamos. Quem segue uma vida digna com enorme determinação, com esforço, com atitudes nobres e corretas tem muita importância perante a sociedade ainda que de forma anônima. Nós, os dignos e “perdedores” sem medalhas, somos os heróis disfarçados de pessoas comuns.

É importante não confundir sucesso com reconhecimento, pois nem sempre quem está fazendo o correto possui a aprovação ou prestígio dos demais. Nem todo vencedor é de fato alguém que merece aplauso social, assim como ressaltou Shakespeare a quase quinhentos anos quando disse: Uns venceram por seus crimes, outros fracassaram por suas virtudes. Aliás, em boa parte das áreas humanas é preciso se corromper e corromper os demais para chegar ao “topo”, seja lá o que isso signifique.

Lembre-se que ser desconhecido não significa ser inferior aos famosos. A glamorização do esforço é o maior prêmio de uma vida pautada pela integridade. O verdadeiro campeão da vida não é quem levou seu corpo ao limite do esporte, mas é, na verdade, do ser que elevou seus atos ao ponto de ter mérito. No âmbito esportivo esperemos que os torcedores aprendam a valorizar os participantes independente do resultado obtido. Que na vida e no esporte e sejamos aos poucos inundados pelo sentimento de que não existem fracassados, mas apenas não vitoriosos.


Alexandre Pereira

Escritor, acadêmico de Comunicação Social, Educador Físico, Youtuber, Blogueiro e Pesquisador da Consciência. Penso que a Ciência é o caminho menos pior que irá nos levar as estrelas ao invés da destruição. Também vejo que o autoconhecimento é o caminho que nos levará a iluminação ao invés da autodestruição. Mais matérias e informações em: www.dimensaomental.com.br.
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