inteligência evolutiva

Do óbvio ao inacreditável

Alexandre Pereira

Escritor, acadêmico de Comunicação Social, Educador Físico, Youtuber, Blogueiro e Pesquisador da Consciência. Penso que a Ciência é o caminho menos pior que irá nos levar as estrelas ao invés da destruição. Também vejo que o autoconhecimento é o caminho que nos levará a iluminação ao invés da autodestruição. Mais matérias e informações em: www.dimensaomental.com.br

O futuro da galáxia, segundo Asimov

Um pouco sobre a Fundação e a maior história de ficção científica de todos os tempos.


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Como escritor e cientista Isaac Asimov estava à frente de seu tempo. Se você não está familiarizado com seu nome, saiba que esse escritor americano, nascido na Rússia, está entre os maiores nomes literatura com uma obra colossal. Se pensa não conhecer nenhuma história de Asimov saiba que foi baseado em suas obras os filmes “Eu, Robô”, “O Homem Bicentenário” e “Viagem Fantástica”.

Estima-se que Isaac Asimov escreveu mais de 8 milhões de palavras em cinqüenta anos de carreira literária. Com quase cinco centenas de títulos publicados, especialmente de não-ficção, é um dos autores mais prolíficos da história. Na obra Opus 100 (onde comemora a marca dos cem livros) aparece cercado por suas obras. (veja as imagens a abaixo*). No Opus 200 aparece sentado em todas as suas obras. No 300, não houve espaço na capa para todas as obras e acabou aparecendo apenas o seu retrato.

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Dizia trabalhar 7 dias por semana, durante dez horas por dia, e sentia-se desconfortável quando tinha alguma interrupção de seu trabalho. Em seus livros escreveu sobre tudo: robótica, matemática, viagens espaciais, literatura, história, física, astrofísica, cosmologia, tecnologias ainda inexistentes, entre outros temas. Também não escondia sua intenção de ser o maior divulgador de ciência do Século XX, julgando no final da vida que havia conseguido seu objetivo.

Asimov teve certa ascensão e em função da publicação de suas histórias nos pulp magazines (revistas feitas de polpa grosseira que não era tratado e em gerava boa impressão) sobre ficção científica. Estima-se que um dos maiores legados é sua rigidez enquanto autor que faz suas obras serem encaradas como ficção ou mesmo um exercício de lógica. Segundo muitos especialistas, esse rigor de escrita é mais relevante que sua vasta produção em favor da divulgação científica. Entretanto, sua vida acadêmica, como se sabe, tinha pouca pesquisa, mas sua capacidade de divulgação era formidável.

Em seu futuro fantástico, onde já habitamos outros planetas, a Terra, por exemplo, acaba não tendo um destino muito nobre, pois termina radioativa e controlada por ditadores e fanáticos religiosos que matam pessoas que não podem trabalhar, entre outras coisas terríveis.

Dentro da ficção científica, Asimov descreve um período de 25 mil anos que vai desde os dias atuais até a ocupação total de nossa galáxia. Com o avanço da colonização espacial os anos começam a ser calculados como Era da Fundação e por meio de um Império Galáctico que comanda tudo através do planeta central chamado Trantor.

Segundo o autor, ao criar histórias com viagens espaciais, robôs e temas futuristas sua intenção era chegar a lugar algum. Tanto que suas obras são cheias de contradições por não se atentar tanto a datas, certos fatos e pequenos detalhes em suas obras. Com o apelo dos fãs, ele sentiu-se obrigado a unir suas histórias, antes publicadas individualmente, e fazer uma ligação entre elas. Daí o fato de tantas brechas existentes.

A Fundação

O conjunto de textos mais famosos fala sobre a Fundação e foram agrupados em 3 livros intitulados “Fundação”; “Fundação e o Império” e a “Segunda Fundação”. Essas obras lhe renderam enorme sucesso de crítica e público e, desde a década de 60, é considerada a melhor série de ficção de todos os tempos que teve edições traduzidas para todo o mundo.

Devido ao enorme sucesso da trilogia, os editores convenceram Asimov a escrever mais histórias e com isso foi lançado a “Fundação II”; “Os robôs do amanhecer”; “Os robôs e o Império” e a “Fundação e a Terra”. Por fim, também publicou “Prelúdio da Fundação” que relata como um simples e promissor matemático iria passar por diversas complicações e turbulências até se tornar o grande Hari Seldon.

Caso você nunca tenha ouvido falar da Fundação, uma trama cheia de crises, incertezas e reviravoltas, segue um hiper-resumo da trilogia original:

Num futuro de mais de onze mil anos à frente, onde a humanidade já se espalhou pela galáxia e por milhares de planetas, o matemático Hari Seldon cria através fusão entre a matemática e a sociologia uma forma de prever o futuro chamada de psico-história. Entretanto, esse futuro não podia ser utilizado para poucas pessoas, mas somente para grandes grupos de civilizações. Ao perceber que o Império Galáctico estava entrando em declínio, consegue ver que o governo iria cair e os conflitos durariam mais de trinta mil anos até o surgimento de um novo império.

Para diminuir esse tempo de barbárie para apenas mil anos, Hari Seldon traça um plano criando uma Fundação em um extremo da galáxia, num planeta chamado Terminus, para acumular toda tecnologia e conhecimentos através da Enciclopédia Galáctica. Nessa jornada nada é muito certo e entre várias crises aparece um ser chamado de “O Mulo” que possui incríveis poderes mentais e telepáticos e assim dominando seus oponentes. Com isso, O Mulo vai conquistando tudo e bagunça todo o plano traçado pela psico-história. Como se não bastasse, descobrem que Seldon criou secretamente uma segunda fundação no outro extremo da galáxia dedicada ao desenvolvimento das ciências mentais. E assim segue a saga no intuito de fazer o plano de Seldon prevalecer em nome do Império Galáctico.

Entretanto, o que muitos não sabem é que a psico-história de Hari Seldon e seu plano original foram importantes e significativos mais tiveram de ser alterados com o passar do tempo. Aqui não será revelado o que resultou de toda essa trama genial, mas em seu final algumas decisões são tomadas e isso irá impactar a galáxia de um modo que nem mesmo Seldon pode imaginar. Ou seja, a trilogia tão aclamada pelos fãs acaba se tornando na verdade apenas alguns elos que vão muito além ao se visualizar a jornada completa.

O destino da Humanidade e de toda a nossa galáxia acaba sendo surpreendente em todos os sentidos e os meios para se chegar lá ainda mais insólitos. Diante da vastidão de conflitos e tormentos enfrentados, a humanidade de Asimov acaba tendo um final que ainda hoje assombra pela grandeza e originalidade. A brilhante mente de Asimov nos reserva mais do que surpresas, mas um alento para quem só pensa no fim deste mundo. Sua genialidade estava muito distante de seu tempo e desejo que tenhamos um destino tão brilhante quanto ao que escreveu. Que suas palavras sejam profecias para milhares de gerações no futuro.

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Como homenagem ao autor, segue o discurso de adeus de Asimov: “A todos os meus gentis leitores, que me trataram com tanto carinho por mais de trinta anos, devo dizer adeus... Sempre quis morrer no posto, diante de meu teclado, com meu nariz preso entre duas teclas, mas não foi assim que aconteceu. Tive uma vida longa e feliz e assim não posso me queixar no final. Então adeus minha querida esposa, minha filha Robyn e todos os editores que me trataram de um modo muito melhor que mereci. Adeus então aos meus gentis leitores que foram tão uniformemente generosos comigo. Foram eles que me mantiveram vivo em meio às maravilhas da ciência e tornaram possível que eu escrevesse meus ensaios.”


Alexandre Pereira

Escritor, acadêmico de Comunicação Social, Educador Físico, Youtuber, Blogueiro e Pesquisador da Consciência. Penso que a Ciência é o caminho menos pior que irá nos levar as estrelas ao invés da destruição. Também vejo que o autoconhecimento é o caminho que nos levará a iluminação ao invés da autodestruição. Mais matérias e informações em: www.dimensaomental.com.br.
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