inteligência evolutiva

Do óbvio ao inacreditável

Alexandre Pereira

Escritor, acadêmico de Comunicação Social, Educador Físico, Youtuber, Blogueiro e Pesquisador da Consciência. Penso que a Ciência é o caminho menos pior que irá nos levar as estrelas ao invés da destruição. Também vejo que o autoconhecimento é o caminho que nos levará a iluminação ao invés da autodestruição. Mais matérias e informações em: www.dimensaomental.com.br

Sobre ser Dispensável

Há pessoas inesquecíveis e pessoas invisíveis. Como é você?


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Há um famoso filme da década de 80 que mostra o personagem principal num diálogo com uma mulher estrangeira da seguinte forma:

- Eu sou dispensável.

- O que é ser dispensável?

- É quando alguém convida você para uma festa, você não vai e ninguém se importa.

Provavelmente foi a melhor definição que já ouvi sobre o assunto por sintetizar com maestria um tema complexo. É inegável que existem indivíduos dispensáveis e indispensáveis quanto a vida social e a interação com outras pessoas. Entretanto, não me refiro ao caso de pessoas que são bajuladas em função de seu patrimônio, do seu poder temporal ou de algum tipo de fama. Nesse caso são indispensáveis na mesma proporção do agente interesseiro.

Ser ou não dispensável é uma condição inerente em todos os locais e contextos. Fato é que existem pessoas mais anônimas do que outras. Pessoas sem importância social que podem adoecer ou desaparecer que ninguém sente falta. Ser dispensável e reconhecer essa condição é uma dor no ser com diferentes intensidades e formas de aceitação.

Muitos não pensam no assunto pois a sociedade sempre diz de modo implícito ou explícito que devemos ter sucesso (seja qual for esse parâmetro), ser atléticos, carismáticos e com uma família estruturada. Nem todos podem seguir os padrões de sua época, afinal somos mais humanos do que gostaríamos de admitir. E justamente por valorizar uns que outros são esquecidos. Não há holofotes para todos.

Repare que a há pessoas que ninguém sente falta, desde aquele aluno que ninguém lembra o nome como daquela mãe de família que nem ela nem seus filhos são convidados para nada. Ser dispensável é uma solidão que machuca por ser imposta por outros ao invés de uma escolha pessoal. Ninguém grita para ser esquecido e não notado. Lixo também brilha, mas ninguém quer ser esse tipo de reflexo.

Desilusão é se achar o maioral, com espírito triunfante e superior e depois perceber que sua presença não é querida em parte alguma. Aliás, muitas pessoas fazem questão de serem o centro das atenções justamente por temer a indiferença alheia. Escolhem ser o ator principal quando a vida o escalou para ser figurante. O ego implora por atenção enquanto se alimenta de migalhas. Até que ponto ocorre a escolha de ser desprezível ao invés de ser desprezado?

De um modo ou de outro sabemos o quanto temos de mãos estendidas a nós ou mesmo o quanto se está sozinho na multidão. Ninguém gosta ou quer se sentir ridículo ou sem nenhuma importância cósmica. Por isso, a tendência é achar o próprio julgamento, opinião e vontades pessoais como a verdade absoluta do universo. “Quem dera todos pensassem como eu”, alguns refletem. Infelizmente a realidade não é assim. Sua opinião é só mais uma, tão dispensável como aquilo que você menospreza.

Será mesmo tão difícil aceitar que é um grão de areia na infinidade universal? Ou em seu caminho terá seus joelhos dobrados pela força das lições que chegam? O problema maior não é ser dispensável, mas manter um conflito interno por não aceitar a própria condição. É inútil e desgastante brigar contra o inevitável, pois nem todos os desejos podem ser realizados. Há fomes insaciáveis.

A aceitação de ser dispensável limpa a visão e acalma o íntimo. Em certas guerras é mais importante sair vivo do que fracassado. Ser dispensável não faz de alguém um perdedor ou inútil por natureza. Se não sentem sua falta numa festa é por que talvez a festa não tenha relevância ou esse pensamento seja apenas um consolo simples. De qualquer forma, ao menos se dê o devido valor sem esperar reconhecimento ou gratidão de ninguém já que o comum é cada um viver em função do próprio umbigo. Aqui há muitas verdades inconvenientes.


Alexandre Pereira

Escritor, acadêmico de Comunicação Social, Educador Físico, Youtuber, Blogueiro e Pesquisador da Consciência. Penso que a Ciência é o caminho menos pior que irá nos levar as estrelas ao invés da destruição. Também vejo que o autoconhecimento é o caminho que nos levará a iluminação ao invés da autodestruição. Mais matérias e informações em: www.dimensaomental.com.br.
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