inteligência evolutiva

Do óbvio ao inacreditável

Alexandre Pereira

Escritor, acadêmico de Comunicação Social, Educador Físico, Youtuber, Blogueiro e Pesquisador da Consciência. Penso que a Ciência é o caminho menos pior que irá nos levar as estrelas ao invés da destruição. Também vejo que o autoconhecimento é o caminho que nos levará a iluminação ao invés da autodestruição. Mais matérias e informações em: www.dimensaomental.com.br

Quem quer as estrelas?

Sobre os anseios de ir além do comum.


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Diariamente se vê pessoas brigando, por exemplo, por dinheiro, heranças e prestígio social. Se briga muito pelo direito que está em sua cabeça. O ser social é animal complexo que se julga tão supremo que alguns sequer se consideram animais, como se fôssemos uma criação a parte, escolhida unicamente por uma divindade. Ao invés de se olhar como primata, o humano complexo se vê sobrepairando as outras espécies numa tentativa fútil e nula de autocrítica.

Difícil é mostrar ao indivíduo comum, acostumado a uma vida automatizada e pouco reflexiva, o quanto há de ficção em sua vida. Sim, ficção. Você compra um terreno e recebe um papel assinado afirmando que aquilo é seu. Ora, como todos acreditam na mesma ficção esse papel é tido como realidade, quando é mais uma peça inventada pelas populações ao longo da história. Dê uma nota de dinheiro a um macaco e veja a importância que ele dá... Simplesmente não liga, pois não está imerso conosco nessa ficção. Judiciário, cultura, status, poder e contratos são apenas alguns exemplos da complexidade ilusória que inventamos.

Há muitas pessoas dispostas a matar ou morrer para defender o que julga prioritário ainda que seja algo irreal e transitório. Há indivíduos que matam por discordarem de suas ilusões. Enquanto há raras pessoas praticando o bem sem nenhum retorno egóico, a maioria só quer consumar os próprios desejos. Ainda que o mundo fosse novamente um palco neutro, rapidamente o tornariam logo numa arena. Qual o tamanho da força e da violência na tentativa de manter-se nas mesmas ideias e nas mesmas condições?

Como é difícil, em muitos casos, o reinício de novas chances e oportunidades. Talvez apenas a morte para trazer um choque capaz de fazer a consciência mudar completamente sua realidade. Assim, o indivíduo é forçado a uma nova etapa, um novo ciclo, sem que haja maiores conotações do passado. Desse modo, podendo defender a vida, defender o que é visto desde haja um sentimento de segurança nesse processo. E assim nossa espécie segue como a que quase dizimou um planeta em nome da própria subsistência.

Mas nem todos são iguais. Há sempre esperança. Nenhum de nós pode falar em nome da humanidade para o bem ou para o mal já que somos microuniversos ambulantes. Enquanto o lado material e fictício dominar as mentes incautas, ainda teremos que ser escravos das leis e das terras visíveis. Como abandonar as ilusões rumo as estrelas quando os sentimentos ainda seguem um curso instintivo e deficitário? Como ganhar as estrelas quando se visa apenas prazeres temporários que não eleva em nada? Até quando o humano será escravo do vil metal em detrimento da liberdade dita cósmica?

De todas as mentiras que nos contamos talvez a competitividade seja uma das piores. De fato teremos uma nova realidade quando a humanidade descobrir que a fraternidade e a união trazem resultados bem melhores. Até lá teremos que nos contentar em olhar o céu estrelado e pensar que lugares longínquos já foram capazes de superar o individualismo em prol do todo, bem como a solidão substituída pela afetividade. Você pode passar a vida toda almejando a felicidade sem saber que ela vai de encontro com a mudança de pensamentos doentios e fossilizados.

No fundo, o sol que habita em mim quer interagir com o sol que habita em você. Mas não porque falaram que é o certo ou porque se não fizer será tratado como indigno, nada disso. A ilusão da separação, de que não interagimos, permite uma existência pobre mesmo cercada de ouro. Assim se teima em agir conforme as normas sociais que mais calam do que libertam. Acabamos nos escravizando sem ter nenhuma figura que nos lidere. Cordeiros escravizando cordeiros. Lobos devorando lobos. Criamos civilizações que dificultaram muito a vida na tentativa de torná-la mais fácil. A auto-escravidão existe.

E enquanto os corpos pensavam em dormir, nós só queríamos as estrelas. E por quanto tempo afinal ainda ficaremos aqui presos porque a maioria quer mais Terra? E como seremos mais avançados enquanto o dinheiro subjugar até mesmo a pessoa mais cansada? Em nosso futuro lembraremos do tempo de hoje com um sorriso no rosto ou com peito ardente pelo tempo que deixamos escapar? E, afinal, quando chegaremos as estrelas?


Alexandre Pereira

Escritor, acadêmico de Comunicação Social, Educador Físico, Youtuber, Blogueiro e Pesquisador da Consciência. Penso que a Ciência é o caminho menos pior que irá nos levar as estrelas ao invés da destruição. Também vejo que o autoconhecimento é o caminho que nos levará a iluminação ao invés da autodestruição. Mais matérias e informações em: www.dimensaomental.com.br.
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