intensidade escrita

Uma jornada pela adorável e selvagem vida das palavras

Viviane de Araujo Aguiar

Formada em Antropologia. Amante das artes em geral, interessada em viver um dia de cada vez, buscando a simplicidade e a beleza das pequenas coisas. Adora refletir sobre a vida e os comportamentos humanos. E encontra na escrita um modo particular de ser e estar no mundo.

MORAL DA AMBIGUIDADE: POR UMA AGÊNCIA DO SUJEITO

"O homem existe. Não se trata, para ele, de perguntar se a sua presença no mundo é útil, se a vida vale a pena ser vivida: estas são perguntas despidas de sentido. Trata-se de saber se ele quer viver e em que condições."


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No livro "Moral da Ambiguidade", Simone de Beauvoir aborda a consciência sobre a condição humana: a inevitabilidade da morte. E a partir do fato de que não podemos nos libertar desse destino, devemos assumir, então, tal condição.

Não devemos nos contentar com teorias filosóficas duais, imersas em paradoxos dicotômicos e excludentes (vida versus morte; espirito versus matéria), desejando a supressão dessa ambiguidade, enaltecendo um em detrimento do outro. Em vez de querer o impossível, podemos assumir nossa ambiguidade fundamental.

E ao assumirmos tal condição, caminharemos para a definição sartriana de que somos "um ser que se faz carência de ser a fim de que haja ser". Ou seja, não precisamos olhar para o fracasso de que não podemos reverter nossa condição humana, mas, ao contrário, almejar o sucesso advindo do objetivo de querer desvendar o ser existente.

No ser humano reside a vontade, a escolha de tornar-se. É pelo desejo de desvendar a nós mesmos que nossa presença no mundo se torna presente. Uma ação carregada de valores escolhidos por nós (sujeitos). Somos nós quem decidimos os Projetos de nossa própria existência. Escolhas dentre o leque de possibilidades existentes e cujo ponto de partida reside na nossa própria liberdade de escolher, pois a decisão de um ou outro Projeto (existencial) compete a nós.

Na ontologia existencialista, o exercício dessa liberdade traz uma angústia: uma responsabilidade sobre nossos erros e acertos; a decisão de abandonar um Projeto e escolher outro, considerando as condições objetivas do mundo social no qual estamos imersos. Nesse contexto, buscamos nos tornar algo pelo sentido que vamos conferindo à nossa própria existência.

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Na realização do Projeto de existir e em quais condições, Simone de Beauvoir dialoga com várias tipologias humanas, revelando estas a partir de uma relação entre atitudes perante a vida e a tensão subjetiva da liberdade existencialista. Ela descreve tipos dentre os quais, tem-se: o niilista, o sério, o apaixonado, o aventureiro, etc.

São tipologias humanas que ao modo particular de cada uma recusam a tensão subjetiva da liberdade, negando o reconhecimento de que o ser humano constitui livremente o valor do fim a que se propõe. Todo objetivo é ao mesmo tempo ponto de partida e a liberdade humana é o último e único fim ao qual o homem deve destinar-se.

Em síntese, a questão não é o que a sociedade fez de nós, mas o que podemos fazer com aquilo que a sociedade fez conosco. Uma liberdade onde a ação individual em realizar um ou outro Projeto demonstra a agência do sujeito perante o mundo social do qual fazemos parte.

Um livro que vale muito a pena a leitura não só pelas questões filosóficas que coloca, mas pela forma como apresenta uma possibilidade de sobrevivência consciente em um mundo cada vez mais aprisionante socialmente.

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Viviane de Araujo Aguiar

Formada em Antropologia. Amante das artes em geral, interessada em viver um dia de cada vez, buscando a simplicidade e a beleza das pequenas coisas. Adora refletir sobre a vida e os comportamentos humanos. E encontra na escrita um modo particular de ser e estar no mundo. .
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