intensidade escrita

Uma jornada pela adorável e selvagem vida das palavras

Viviane de Araujo Aguiar

Formada em Antropologia. Amante das artes em geral, interessada em viver um dia de cada vez, buscando a simplicidade e a beleza das pequenas coisas. Adora refletir sobre a vida e os comportamentos humanos. E encontra na escrita um modo particular de ser e estar no mundo.

ENTRE MUNDOS

"Nossa democracia, frágil e precária, foi construída entre as ruínas da crise que sucedeu a grande expansão do 'milagre econômico'. Crise social, econômica, política e cultural, em que nos encontramos ainda hoje" (Soares, Luiz Eduardo. Uma interpretação do Brasil para contextualizar a violência in Linguagens da Violência, RJ: Rocco, 2000).


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Qual(is) o(s) significado(s) das intolerâncias de todos os tipos que vivenciamos no cenário brasileiro e mundial dos dias atuais? E qual a relação delas com a violência?

Por violência aqui gostaria de definir como uma relação assimétrica de poder não consentida por uma das partes em uma determinada interação social entre indivíduos e/ou um indivíduo, de um lado, e o Estado, de outro.

Conforme nos ensina Luiz Eduardo Soares no texto “Uma interpretação do Brasil para contextualizar a violência” (in Linguagens da Violência, RJ: Rocco, 2000), vivemos na sociedade brasileira uma ambiguidade; um hibridismo entre o encontro de duas tradições: uma liberal-democrática e outra crítica.

Vivenciamos o anseio pelo individualismo igualitário, expresso no viés democrático, que se pretende a solução conciliatória entre os ideais de liberdade e igualdade, e a busca por uma sociedade justa, não discriminatória e não excludente, onde os ideais marxistas gritam as diferenças sociais e culturais.

Se pensarmos o Brasil como um país de tradição colonial onde prevaleceu a regra das relações hierárquicas e que viveu uma modernização conservadora e autoritária (haja vista a ditadura militar), como tais ideais são vivenciados na sociedade brasileira hoje?

Estamos imersos entre mundos. E em vez de pensarmos uma possibilidade minimamente satisfatória a todos socialmente, vivemos a lei do “salve-se quem puder” e/ou nos deparamos com indivíduos que presos ou ao ideal liberal-democrático ou ao ideal marxista (conhecido como de esquerda, no sentido politico-partidário) radicalizam as posições e lutam entre si, vivendo um estado de guerra.

E, assim, a questão da violência vem à tona; e quem estiver em melhor posição nas regras do jogo social buscará senão a vitória, pelo menos a sensação de vencedor.

No mar do campo de batalhas, violências e/ou intolerâncias vão sendo permitidas e banalizadas. E, em meio ao caos, o pertencimento coletivo vai cada vez mais se restringido a grupos identitários. Vamos nos tornando uma sociedade de microgrupos.

Trazendo a questão da globalização e os efeitos dela decorrentes tais como a internacionalização de problemas socioculturais e de segurança, o mundo, pelo menos este conhecido nos noticiários midiáticos, não está muito distante de nós.

Nesse contexto, penso que as perguntas sobre como construir canais de comunicação efetivos e em que tipo de sociedade queremos realmente viver se tornam imprescindíveis se quisermos realmente construir caminhos alternativos àquilo que vivemos hoje.


Viviane de Araujo Aguiar

Formada em Antropologia. Amante das artes em geral, interessada em viver um dia de cada vez, buscando a simplicidade e a beleza das pequenas coisas. Adora refletir sobre a vida e os comportamentos humanos. E encontra na escrita um modo particular de ser e estar no mundo. .
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