intensidade escrita

Uma jornada pela adorável e selvagem vida das palavras

Viviane de Araujo Aguiar

Formada em Antropologia. Amante das artes em geral, interessada em viver um dia de cada vez, buscando a simplicidade e a beleza das pequenas coisas. Adora refletir sobre a vida e os comportamentos humanos. E encontra na escrita um modo particular de ser e estar no mundo.

COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA

"PALAVRAS SÃO JANELAS (OU SÃO PAREDES)
SINTO-ME TÃO CONDENADA POR SUAS PALAVRAS, TÃO JULGADA E DISPENSADA. ANTES DE IR, PRECISO SABER: FOI ISSO QUE QUIS DIZER? ANTES QUE EU ME LEVANTE EM MINHA DEFESA, ANTES QUE EU FALE COM MÁGOA OU MEDO, ANTES QUE EU ERGA AQUELA MURALHA DE PALAVRAS, RESPONDA: EU REALMENTE OUVI ISSO? PALAVRAS SÃO JANELAS OU SÃO PAREDES. ELAS NOS CONDENAM OU NOS LIBERTAM. QUANDO EU FALAR E QUANDO EU OUVIR, QUE A LUZ DO AMOR BRILHE ATRAVÉS DE MIM. HÁ COISAS QUE PRECISO DIZER, COISAS QUE SIGNIFICAM MUITO PARA MIM. SE MINHAS PALAVRAS NÃO FOREM CLARAS, VOCÊ ME AJUDARÁ A ME LIBERTAR? SE PARECI MENOSPREZAR VOCÊ, SE VOCÊ SENTIU QUE NÃO ME IMPORTEI, TENTE ESCUTAR POR ENTRE AS MINHAS PALAVRAS OS SENTIMENTOS QUE COMPARTILHAMOS." (RUTH BEBERMEYER).


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Recentemente fiz um curso no MPDFT baseado no livro "Comunicação não-violenta" do autor Marshall B. Rosenberg. Ambos enfatizam a importância sobre a forma como nos comunicamos com as pessoas. Muitas violências físicas são resultados de uma série de violências passivas anteriores. O modo como utilizamos as palavras podem imputar mágoas nos outros, constituindo atos ofensivos e agressivos.

Na Comunicação Não-Violenta (CNV), a comunicação é entendida como o processo de falar e ouvir e tem como objetivo estabelecer uma relação de natureza compassiva entre as pessoas, nos conectando com uma humanidade compartilhada e desenvolvendo diálogos empáticos.

A técnica da CNV implica em: 1) Ouvir o que está sendo dito pelo outro, confirmando com ele se o que estamos ouvindo é aquilo que está sendo dito por ele; 2) Perceber o sentimento que emerge dessa fala; 3) Descobrir qual a necessidade que está por detrás desse sentimento; 4) Formular um pedido ao outro que atenda à necessidade que foi descoberta.

Pode acontecer de que o pedido que formulamos para o outro pode não ser atendido e nesse momento devemos compreender que isso não significa que o outro está dizendo não para você, mas que ele está dizendo sim para outras necessidades dele naquele momento. E então devemos nos perguntar se existem outras pessoas que podem atender à essa nossa necessidade expressa e não atendida.

Temos inúmeras necessidades e por isso devemos nos ater ao presente. Ou seja, nos concentrar na necessidade que surge do momento da interação, buscando respostas descritivas sobre o que estamos percebendo, e não palavras classificatórias e julgadoras de tal ou qual comportamento. Os outros só podem entregar a nós parcelas deles mesmos. Logo, não podemos, também, oferecer ao outro aquilo que é nosso.

Quando estabelecemos um diálogo empático, o contraste com o outro nos permite (re) conhecer a nós mesmos, mas não porque é o outro quem diz como devemos ser ou o que devemos fazer, mas porque na diferença com ele podemos nos perceber cada vez mais, identificando como nos sentimos e quais as nossas necessidades em determinadas situações.

Se estamos preocupados em contribuir para uma sociedade cada vez menos agressiva, o livro de Marshall B. Rosenberg é de fundamental importância, pois ao propor um mergulho em nós mesmos rumo a um encontro não violento com o outro, nos coloca o desafio de exercer um papel ativo na sociedade em que vivemos.

Por fim, agradeço imensamente à equipe do MPDFT que ministrou esse curso do qual tive o privilégio de participar, principalmente a promotora Lucia Helena Barbosa de Oliveira.


Viviane de Araujo Aguiar

Formada em Antropologia. Amante das artes em geral, interessada em viver um dia de cada vez, buscando a simplicidade e a beleza das pequenas coisas. Adora refletir sobre a vida e os comportamentos humanos. E encontra na escrita um modo particular de ser e estar no mundo. .
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